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Leite A2: já conhece este tipo de leite?

publicado em 16-03-2016

5 comentários
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Para Gillian Fyvie, deitar um pouco de leite nos seus cereais levava, normalmente, a dor de estômago, sensação de inchaço e língua inchada. Agora, tal já não acontece. Os seus sintomas não foram evitados trocando para leite de soja, leite biológico ou sem lactose, disse ela, mas por um tipo de leite de vaca da a2 Milk Co. A companhia, com sede em Sydney, está a ganhar cada vez mais seguidores internacionais para os seus produtos, desenvolvidos a partir da premissa de que o leite consumido pelo mundo industrializado há gerações, causa desde desconforto digestivo a diabetes.
“Eu experimentei a achar que seria alérgica”, disse a enfermeira de 30 anos de Inverness, Escócia. “Não tive reação. Adorei. Vou querer saber se dá para fazer gelado com ele, e talvez iogurte, também”.

Desde seu lançamento em 2003, o a2 Milk tem desafiado o senso comum no setor da distribuição de lácteos, agarrando quase 10% do mercado de leite fresco na Austrália com um produto vendido a cerca de A$ 2,80 (US$ 1,99) por litro, mais que o dobro do preço do leite comum. No mês passado, a companhia aumentou a sua previsão de lucros e disse que as receitas podem aumentar em 126%, chegando a US$ 230 milhões no ano que termina em 30 de junho.


A1 vs A2
O ponto de diferença é que os produtos a2 Milk são obtidos de vacas leiteiras que produzem somente o tipo A2 da proteína beta-caseína, enquanto a maioria dos leites contêm os dois tipos, A1 e A2. As vendas da companhia de leite fresco, leite em pó, gelado e outros lácteos sem A1 conduziram a um aumento de 80 vezes nos lucros da primeira metade permitindo que a a2 Milk financiasse a sua entrada no mercado das fórmulas infantis na China, um mercado de US$ 19,9 mil milhões e em expansão.
Fundada em 2000 pelo cientista neozelandês, Corran McLachlan, e pelo produtor multimilionário, Howard Peterson, o valor de mercado do a2 Milk mais que triplicou, para NZ$ 1,2 mil milhões (US$ 790,83 milhões) durante o ano passado. A companhia, que ainda tem um escritório em Auckland, entrou no Reino Unido em 2012 e expandiu-se para os Estados Unidos da América no ano passado.
Na Austrália, onde os produtos a2 Milk são vendidos em quase todas as principais lojas de alimentos e em mais de 140 cafés, as ações aumentaram em 189%, para A$ 1,635 (US$ 1,166) desde que começaram a ser comercializadas em Sydney há menos de um ano. Até agora o produto de melhor desempenho no S&P/NZX 50 Index da Nova Zelândia no ano passado, o a2 Milk consegui ultrapassou muitas importantes companhias globais de lácteos.
“Na Austrália, o a2 tornou-se mainstream”, disse o analista de pesquisas do Harbour Asset Management Ltd. em Wellington, Oyvinn Rimer, que possui pouco menos de 5% das ações da a2 Milk. “Consumidores considerados muito sofisticados compram este produto. Acreditam que é melhor para eles e estão dispostos a pagar mais”.
O a2 Milk ultrapassou as vendas de leite orgânico na Austrália, diz Michael Harvey, analista senior do setor de lácteos do Rabobank International em Melbourne. A sua expansão tem sido particularmente notável tendo em conta a resposta competitiva de outras companhias de lácteos já estabelecidas, acrescenta.

Lion Dairy & Drinks, uma empressa concorrente que pertence à japonesa Kirin Holdings Co., adicionou ao rótulo do seu leite corrente (com proteínas A1 e A2) a informação “contém naturalmente proteína A2”. O diretor executivo da Parmalat SpA na Austrália, Craig Garvin, diz que o a2 Milk pode estar a prejudicar a indústria de lácteos com uma campanha de medo, que passa informações incorretas aos consumidores.

O diretor executivo da Fonterra, Theo Spierings, afirma em entrevista que o leite A2 é apenas um “conceito de marketing”. Companhias rivais procuram, agora, formas de desacelerar o crescimento do a2 Milk, disse Geoff Babidge, diretor gerente da companhia desde 2010. “Claramente, pela nossa experiência, essas tentativas não têm sido bem sucedidas”, diz em entrevista a 22 de janeiro.

Para entender como o leite A2 se tornou uma sensação no setor de lácteos, é necessário voltar cerca de 5.000 anos atrás, altura em que, segundo os cientistas, ocorreu uma mutação genética nas vacas do norte da Europa que passaram a produzir leite com a proteína A1 quando, até então, este apenas continha a proteína A2, diz Keith Woodford, professor de agro-alimentos na Universidade Lincoln, Nova Zelândia, e ocasional consultor do leite a2.
As vacas Holstein-Frísias, as famosas vacas brancas e pretas das explorações modernas que tiveram origem nos campos do norte da Alemanha e da Holanda, tipicamente produzem leite que tem cerca de 50% de proteína A1, de acordo com Woodford.
A teoria do a2 Milk, apoiada por cientistas como Woodford, que publicou em 2007 um livro sobre o debate A1 verus A2 chamado “Devil in the milk” (Diabo no leite), é de que a A1 forma um fragmento que quando digerido pode desencadear inflamação no corpo e, portanto, pode potencialmente repercutir-se num aumento da incidência de doenças como síndrome do intestino irritável, eczema, esquizofrenia e autismo. Uma revisão de 2005 publicada no European Journal of Clinical Nutrition não encontrou evidências convincentes de que a proteína A1 tenha efeitos adversos nos humanos. Já a Associação de Nutricionistas da Austrália defende que a maioria das afirmações feitas sobre os benefícios da A2 são anedóticas e não são baseadas em muitos factos. “Conceptualmente, parece um tiro no escuro”, disse Malcolm Riley, epidemiologista de nutrição da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO) da Austrália. “Mas o impacto que tem sido atribuído à proteína A1, ou o corolário de que a A2 não causa qualquer impacto, são questões tão importantes que me parece que vale a pena investigar”.

A A2 Milk fez uma pesquisa sobre os supostos efeitos deletérios da A1 e promoveu a ideia de que as pessoas que bebem o leite a2 “se sentem melhor”. A companhia afirma que um quarto dos consumidores nos países ocidentais relataram algum tipo de desconforto após beber leite comum, citando um documento de 2010 do Innovation Center para U.S. Dairy, um grupo de pesquisa da indústria.

Quando se fala da China, esse número é de quase 85%, disse Andrew Clarke, diretor científico da a2 Milk, citando pesquisas da companhia. Isso torna a China um mercado particularmente atraente para o a2 Platinum, marca de fórmula infantil cujas vendas no primeiro semestre do ano aumentaram em 340%, atingindo valores de NZ$ 73,9 milhões (US$ 48,70 milhões). O diretor administrativo, Babidge, tem também como alvo os Estados Unidos da América e acredita que dentro de quatro anos este poderá ser o maior mercado, ultrapassando a Austrália.

A companhia obtém o seu leite americano de quatro explorações leiteiras dos Estados Unidos, a maioria delas no Nebraska, e vende a lojas que pertencem ao Whole Foods Market Inc., Sprouts Farmers Market Inc., Albertsons Cos., bem como na Kroger Co., a maior rede de distribuição dos Estados Unidos. A Federação Nacional de Produtores de Leite, grupo de lobby para os produtores de leite dos Estados Unidos, deu as boas vindas à “inovação no setor, capaz de garantir que o leite de vaca e os produtos lácteos vão de encontro às necessidades dos consumidores”, disse o porta-voz, Christopher Galen.

Na Austrália, o a2 Milk tem sido uma benção para Paula e Michael Gray, cuja exploração em Rollands Plains, a cerca de 400 quilómetros ao norte de Sydney, fornece leite à companhia há quase quatro anos. Isso significa que todos os tanques de leite – e são vendidos quase 2 milhões de litros por ano – são avaliados para garantir que não contêm a proteína A1. Amostras de tecidos de cada vaca também são enviadas à companhia para testes.
O preço mais elevado deste leite é apenas um dos benefícios que os Grays têm ao fornecer à a2 Milk, diz Paula. O eczema de seu filho de 8 anos desapareceu desde que a família começou a produzir e a beber este leite. O outro filho, de 10 anos, apresentava barriga inchada e mesmo diarreia após consumir leite comum, o que não acontece quando bebe o leite A2, acrescenta. As informações são do Bloomberg.

Em 01/03/16 – 1 Dólar Australiano = US$ 0,71349
1 Dólar Neozelandês = US$ 0,65903 (Fonte: Oanda.com)


 

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Comentários

Roberto Oliveira

Ribeira Grande - Açores - Técnico
postado em 26-03-2016

Boa tarde

Queria perguntar como é que se produz esse tipo de leite, manipulação genética ou somente alteração dos constituintes do leite.

Filipa Paulos

Lisboa - Lisboa - Médico veterinário
postado em 28-03-2016

Caro Roberto,

Este tipo de leite, sem proteína do tipo A1, é naturalmente produzido por algumas vacas. Nestas vacas, o gene que regula a produção das proteínas do leite determina a produção exclusiva de  proteína A2, em detrimento das vacas comuns, em que este gene induz a produção de leite com ambas as proteínas. Como tal, pode ser feita uma seleção dos animais com base na sua genética.

A empresa em questão seleciona as vacas realizando um teste de ADN de modo a garantir que o leite por elas produzido contem, realmente, apenas a proteína A2.

Muito obrigada pelo seu interesse!

Filipa Paulos
Equipa Milkpoint

Roberto Oliveira

Ribeira Grande - Açores - Técnico
postado em 29-03-2016

Muito obrigado pela sua resposta,  será que poderia ser uma Boa alternativa para sairmo da crise do leite na Europa?!

Ana Fernandes

OUTRA - OUTRO - Brasil - Media/press
postado em 30-03-2016

Viva Roberto Oliveira,
A estratégia do A2 tem sido "Better to be loved by a few than considered OK by many", ou seja ainda uma visão de nicho. Não sendo certamente a solução única para a crise poderia sem dúvida ser um novo mercado a ser trabalhado.

Cumprimentos,
Ana Fernandes

Rafael Ávila

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 27-09-2016

O que é mais incrível que o A2 é natural e muitas vacas no brasil já o produzem, bastavam deixar padrão, mas o que vai acontecer, ainda deixarão a produção do a1 e vão vender o a2 como algo diferenciado e com isso os preços altos. Eu me lembro bem que quando criança tinha uma empresa que vendia leites separado como a1 e a2 aqui na minha cidade e justamente a maioria compravam o a1 pensando que era melhor por causa do número 1, a minha família quando comprava comprava esse, pois praticamente ninguém sabia mesmo, se eu não me angano o a1 era ligeiramente mais caro, com isso como eu o problema de rinite alérgica eu ficava constipado, com nariz entupido e algumas vezes entrava para um quadro de rinite, aí lá vai remédios...

Descobri tudo isso devido ao meu filho, que como eu tem o problema, serviu para mim também, chegando a testar em mim inserindo danones e leites e o negócio voltava, mas como a ausência do leite da dieta diminui a oferta para ele, pois para mim é mais fácil se alimentar do básico, recentemente vi essa possibilidade de encontrar o leite do tipo a2 para poder facilitar as nossas questões aqui em casa, pois nele é mais forte as reações da rinite e também intolerância.

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