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Primeira exploração flutuante do mundo, na Holanda, estreará com produtores de leite

A primeira exploração flutuante do mundo, uma plataforma de 1.000 metros quadrados construída no porto de Roterdão, já atraiu dois produtores de leite que serão a cara deste projeto que visa minimizar a falta de terrenos agrícolas na Holanda. Os dois agricultores holandeses Albert Boersen e Myrthe Brabander colocarão em funcionamento uma exploração flutuante experimental, que pretende ser a primeira de muitas nos Países Baixos.

"As pessoas frequentemente não sabem de onde vem sua comida. Gostaria de mostrar esse processo de perto. Também quero criar consciência entre os agricultores, para que eles saibam para onde vai sua produção", disse Boelsen ao jornal holandês "AD". A exploração seguirá uma tendência de "agricultura urbana", na qual a produção de alimentos deixa o interior e volta às cidade, segundo a Beladon, empresa responsável pelo projeto. Ambos os produtores usarão vacas da raça Montbeliarde, que se alimentarão dos pastos que já estão a crescer na plataforma.

O objetivo é produzir cerca de 800 litros de leite por dia. Parte do total será usado para produção de iogurte e queijo, disse Minke van Wingerden, em entrevista coletiva para apresentar o projeto. "Não acontecerá nada com as vacas porque a plataforma será muito estável", explicou Van Wingerden.

Há exatamente um ano, a Câmara Municipal de Roterdão deu autorização para a construção. A Universidade de Utrecht tinha publicado pouco antes um estudo que afirma que o gado não fica "enjoado" de estar sob um plataforma construída no mar. Como exemplo, os pesquisadores utilizaram os "milhões de animais" que são enviados sem problema pela Austrália aos Estados Unidos. Esta terá 1.300 metros quadrados e custará 2,5 milhões de euros.

Apesar do grande investimento que representa o projeto, Brabander lembra que ficar na cidade reduzirá muito as despesas de transporte. Já Boersen considera a ideia como um exemplo mundial de inovação.

Os trabalhos de construção começaram no início de setembro do ano passado. Segundo os planos de Beladon, a plataforma flutuante será feita de concreto, aço galvanizado e um solo permeável.

Trata-se de um projeto completamente ecológico, que utilizará energia solar para a produção de eletricidade e armazenará a água da chuva para a sua reciclagem. Além disso, recolha dos dejetos será robotizada que será transformado em adubo. Os robots repartirão os alimentos ao gado e o pasto será iluminado com lâmpadas de LED para promover um crescimento mais rápido.

A plataforma, que deve ficar pronta em setembro de 2018, estará no complexo portuário de Merwedehaven e será aberto ao público. Crianças, por exemplo, poderão ver de perto como se ordenha uma vaca e como se faz um iogurte. Merwedehaven é uma região industrial construída há quase um século e conta com vários portos, além de extensões de água com espaços para novas construções.

A ideia da exploração foi do diretor-executivo da Beladon, Peter Beladon, que, após visitar Nova York durante a passagem do furacão Sandy, viu a interrupção do fornecimento de alimentos e decidiu construir uma  exploração urbana que alimente à população local. O interesse por esse projeto flutuante já é grande, segundo os desenvolvedores, e vai desde estudantes, urbanistas e agricultores até delegações chinesas que já visitaram a construção.



As informações são da agência EFE. 

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