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90 dias à volta do parto: Obstáculos e áreas de intervenção para obter o sucesso na lactação - Parte I: Os 90 Dias Vitais e o Balanço Energético Negativo

Por Cristina Andreu. DVM. PhD. Técnica de Ruminantes da Elanco, Espanha, andreu_cristina@elanco.com

"The Vital 90 Days"
é o nome criado para o período de 90 dias à volta do parto (desde da secagem, aproximadamente 60 dias pré-parto e até ao primeiro mês pós-parto) em que a vaca vivencia muitas mudanças e dos quais dependerá bastante a sua permanência na exploração e o sucesso da lactação [1, 2]. Em muitas explorações é feito um grande investimento em termos de tempo e dinheiro durante estes 90 dias. O Veterinário, nutricionista e produtor põem em prática inúmeras estratégias para a vaca superar com êxito as provações que enfrenta durante estes dias, e concentram muito do seu trabalho durante este período com um foco cada vez mais preventivo. Isto porque está em jogo a contribuição da vaca para a rentabilidade da exploração [1]. Este artigo analisa os principais obstáculos que a vaca enfrenta no prazo de 90 dias à volta do parto e analisa as áreas de intervenção em que trabalhamos nas explorações para garantir que a vaca atinja o seu potencial produtivo [1,2].

Principais obstáculos para "Os 90 Dias Vitais"

No período pré-parto, as vacas não só vivenciam mudanças de dietas, de rotinas diárias, dos lotes em que estão alojados ou de instalações, mas também sofrem muitas mudanças "a nível interno". O crescimento fetal nos últimos meses de gravidez, a involução do úbere na secagem e posterior desenvolvimento para a nova lactação, formação de colostro e parto são alguns exemplos dos desafios enfrentados pela vaca. Às alterações hormonais e metabólicas experimentadas pela vaca antes do parto temos que adicionar as mudanças na maneira como o sistema imunitário, o seu "exército de defesa", é capaz de lidar com possíveis infecções.
Nesta "pista de obstáculos", em que os desafios ocorrem continuamente desde o dia de secagem até final do primeiro mês pós-parto (90 dias no total), dois elementos são especialmente críticos para a vaca superar de forma satisfatória este período e arranque bem na lactação: o balanço energético e a imunossupressão periparto. Lidar corretamente com estes dois elementos é a chave para o sucesso da lactação e, portanto, da rentabilidade da exploração.

Balanço energético negativo


Imaginemos por um instante que as reservas de energia de uma vaca são uma conta corrente num banco. Durante a lactação, a vaca "deposita" todos os dias na "conta" o "dinheiro" para fazer face aos "gastos correntes" ou, em termos de metabolismo, a vaca obtém a partir do que come a quantidade de energia necessária para a produção de leite. No entanto, quando o se aproxima a data do parto, a situação torna-se instável: as receitas caem ao mesmo tempo que os custos disparam, e a conta fica "no vermelho". Da mesma forma, nas semanas anteriores ao parto, a capacidade de ingestão da vaca diminui e as necessidades energéticas aumentam, primeiro pelo crescimento fetal e posteriormente, após o parto, devido ao início da lactação, dando origem a uma situação de balanço energético negativo (BEN).


Figura 1: Requisitos, consumo e balanço energético das vacas leiteiras em transição. Adaptado de [3]

Assim, uma vaca em balanço energético negativo não consome matéria seca suficiente para produzir uma quantidade adequada de glicose para satisfazer as suas necessidades metabólicas. Para fazer frente a este défice energético utilizará as suas próprias reservas e mobilizará gordura para que o fígado a transforme em glicose. Um exemplo disto é a redução de peso e da condição corporal das vacas durante o pós-parto.


Figura 2: Evolução do peso corporal da vaca leiteira ao longo da lactação e no período seco. Adaptado de [4].

Embora esta situação é temporária e o balanço energético negativo da vaca corrige-se nas semanas / meses seguintes ao parto, é necessário ter em conta que o défice energético durante este período crítico tem impacto a longo prazo. Como se fossem os "juros" que foram gerados por estar no "vermelho", muitas das doenças que afetam o pós-parto da vaca originaram-se durante o balanço energético negativo e a mobilização de gordura para enfrentá-lo.

(continua)

Referencias
1. Mulligan F.J., O’Grady L. , Rice D.A., Dohertly M. L., A health herd approach to dairy nutrition and production diseases of the transition cow. Animal Reproduction Science 2006; 96: 331-356.

2. Ingvarsten K.L., Moyes K., Nutrition, immune function and health of dairy cattle. Animal 2013; 7(s1): 112–122.

3. Grummer RR. 1995. Impact of changes in organc nutrient metabolismon feed transition dairy cow. Journal of Animal Science 73:2820-2833.
4. Charmberlain and Wilkinson. 2010. Feeding the Dairy Cow. p. 127

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