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90 dias à volta do parto: Obstáculos e áreas de intervenção para obter o sucesso na lactação - parte II: Os 90 Dias Vitais e a Imunossupressão

Este artigo vem no seguimento da primeira parte, 90 dias à volta do parto: Obstáculos e áreas de intervenção para obter o sucesso na lactação - Parte I: Os 90 Dias Vitais e o Balanço Energético Negativo, publicado há alguns dias.


Imunosuppressão periparto

O sistema imunitário é o "exército" de defesa do nosso corpo contra os diferentes agentes patogénicos a que estamos expostos diariamente. Os diversos elementos deste "exército" estão organizados em duas linhas, que atuam em diferentes momentos e de forma complementar: a resposta imune inata (ou natural) e a imunidade adaptativa (ou adquirida). A imunidade inata é a primeira linha de defesa, os primeiros que "eficazmente" chegam ao lugar onde uma lesão ocorreu ou onde os microorganismos estão a entrar no corpo. Adicionalmente às barreiras físicas (pele, muco, saliva ou muco), os principais protagonistas do sistema imune inato são os neutrófilos. Nos minutos seguintes a lesão, um "batalhão" de neutrófilos é movido para a área, a fim de destruir bactérias ou vírus invasores. Fazem-no fagocitando os agentes, isto é, intercentado-os e "digerindo-os", uma vez dentro do neutrófilo. Em muitos casos, o desempenho deste primeiro batalhão é suficiente para destruir os agentes patogénicos e controlar a infecção localmente. Se não fosse assim, o "batalhão" da primeira defesa (resposta inata) "pede reforços." Respondem a esta chamada dentro de uns dias os linfócitos, as principais células da resposta imune adquirida, que também atuam para controlar a infecção.
O sistema imunitário é, no seu conjunto, um elemento indispensável para manter a saúde de um animal. Quando ocorre uma diminuição da função imunitária, dizemos que o animal está imunossuprimidos e, por isso, muito mais suscetível às doenças.
Quase todas as vacas leiteiras sofrem algum grau de imunossupressão durante as duas ou três semanas antes e depois do parto. Normalmente, esta supressão representa uma diminuição de 25% a 40% da função dos neutrófilos (imunidade inata) como dos linfócitos (imunidade adquirida) [5]. A imunossupressão periparto está por detrás do facto das vacas leiteiras apresentarem um elevado risco de doenças infecciosas tais como a mastite ou metrite durante este período [6].

Patologias do pós-parto

Muitas das doenças e dos problemas metabólicos no pós-parto têm origem no maneio da vaca antes de parir, e estão diretamente relacionadas com o balanço energético negativo ou a imunossupressão periparto.
Assim, o balanço energético negativo, está diretamente associado a três patologias:
- Deslocamento do abomaso [7]
- Cetose [7]
- Disfunção ovárica (anestro, quistos ováricos...) [8]
E a imunossupressão que as vacas sofrem à volta do parto, relaciona-se com outras três doenças:
- Retenção placentária [9]
- Metrite [10]
- Mastite [11]

Para além disso, estas patologias apresentam várias associações entre si, e em muitos casos, o facto da vaca padecer de uma patologia aumenta a possibilidade de desenvolvimento de outras doenças.

 Figura 3.  Quadro resumo das patologias do pós-parto que se desencadeiam  com o balanço energético negativo e com a imunossupressão periparto e as associações diretas e indiretas entre elas. [7-11]

As doenças que ocorrem durante o pós-parto precoce são prejudiciais para a rentabilidade da exploração, pois diminuem de forma direta a produção de leite, aumentam os custos de tratamento e aumentam a possibilidade da vaca sair da exploração por refugo ou morte. Nas vacas que permanecem na exploração, as doenças pós-parto podem, a médio e longo prazo, comprometer a fertilidade das vacas e a curva de lactação.

(continua)

Referências
5. Goff J. 2008. Transition cow immune function and interaction with metabolic disease. In: Proceedings from the Tri-State Dairy Nutrition Conference; April 22-23, 2008.
6. Roth J. 2013. Innate vs. adaptive immunity with emphasis on the role of neutrophils. Simposio sobre ciencias de la inmunidad de Elanco, Viena.
7. Duffield T., Impact of hyperketonemia in early lactation dairy cows on health and production. Journal of Dairy Science 2009; 92 (2): 571–580.
8. Loeffler S., de Vries M., Schukken Y., The Effects of Time of Disease Occurrence, Milk Yield, and Body Condition on Fertility of Dairy Cows. Journal of Dairy Science 1999; 82 (12): 2589–2604.
9. Kimura K., Goff J.P., Kehrli M.E., Decreased Neutrophil Function as a Cause of Retained Placenta in Dairy Cattle. Journal of Dairy Science 2002; 85 (3): 544–550.
10. Huzzey J.M., Prepartum Behavior and Dry Matter Intake Identify Dairy Cows at Risk for Metritis. Journal of Dairy Science 2007; 90 (7): 3220–3233.
11. Sordillo L.M., Factors affecting mammary gland immunity and mastitis susceptibility.livestock Production Science 2005; 98: 89–99


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