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90 dias à volta do parto: Obstáculos e áreas de intervenção para obter o sucesso na lactação - parte III: Áreas de intervenção durante os 90 Dias Vitais

Esta é a terceira e última parte da sequência de artigos relativos aos "90 dias à volta do Parto" que o MilkPoint tem vindo a publicar ao longo desta semana. Consulte também a Parte I e a Parte II.

Áreas de intervenção durante “Os 90 Dias Vitais”


Assumindo que nos 90 dias à volta do parto, todas as vacas vão sofrer algum balanço energético negativo [3] e imunossupressão [4], a possibilidade de que uma vaca tenha problemas no pós-parto vai depender de dois aspectos:

- O grau ou profundidade desse balanço energético negativo maior – quão profundo é -
- A capacidade de adaptação a esta situação – quanto tempo dura -

E quem trabalha com estas vacas pode influenciar de forma muito determinante sobre estes dois aspectos. Na verdade, não é segredo que muitas das doenças que mencionámos tem a sua origem na gestão da vaca antes do parto.

Por tudo isto, e cada vez mais, os 90 dias à volta do parto é um período em que o investimento de tempo e dinheiro em estratégias de prevenção é fundamental. A vaca em transição é o centro de muitas das tarefas realizadas pelo produtor, o veterinário ou o nutricionista da exploração. A maioria dessas práticas, na verdade, são acções não específicas para alcançar um de dois objetivos: manter a função imune e minimizar o balanço energético negativo.

Podemos agrupar essas práticas em 5 áreas de intervenção :

Figura 1: Áreas de intervenção durante os 90 dias à volta do parto para minimizar o balanço energético negativo e a imunossupressão no periparto.

1. Maneio e instalações

As práticas de maneio e a concepção e utilização dos locais onde se alojam as vacas secas, do pré-parto e do pós-parto, devem estar dirigidas para criar um ambiente de pouco stress, confortável e sem superlotação. Para isso é fundamental:

• Melhorar o conforto das vacas
 a partir do desenho geral das instalações
 colocar em prática medidas para reduzir o stress do calor
• Minimizar interações sociais negativas
 otimizar na exploração o maneio e movimentos entre parques
 melhorar as estratégias de agrupamento
 controlar e garantir que as densidades nos parques são as adequadas
• Assegurar a adequada gestão dos comedouros
 tentar evitar as mudanças de ração e variações nas matérias primas
 maximizar a acessibilidade das vacas ao alimento

2. Ajustes na ração e utilização de suplementos nutricionais

A formulação da dieta é uma componente importante no maneio do balanço energético da vaca. O consumo de matéria seca e as mudanças no alimento que ocorrem imediatamente antes e depois do parto podem ser bons indicadores de balanço energético negativo e, indiretamente, da saúde e produtividade pós-parto. Também durante este período, há a possibilidade de gerir múltiplos suplementos, tais como vitaminas e minerais, assim como aditivos, de forma a auxiliar o sistema imunitário das vacas.

3. Protocolos vacinais

As vacinas administradas em momentos estratégicos durante os 90 dias à volta do parto constituem uma medida de controlo importante contra algumas doenças. Com a vacinação aproveitamos uma das características do sistema imunitário adquirido: a memória; graças à qual o nosso corpo é capaz de responder mais rapidamente e de forma mais eficaz quando encontra um microorganismo a que tenha sido previamente exposto (frente ao qual dizemos que este se encontra imunizado). Assim, as vacinas funcionam através da activação do sistema imunitário adquirido das vacas para ajudar a prevenir algumas doenças virais e bacterianas.


4. Medidas de controlo e prevenção de mastites


Os programas eficazes de controlo das mastites giram em torno de dois princípios básicos:

• Prevenir novas infeções
• Resolver infeções existentes

A administração de antibióticos no momento da secagem é uma parte importante da resolução de mastites já existentes, bem como uma medida de prevenção de novas infecções que podem ocorrer durante o período imediatamente após o final da lactação, e que é considerado de alto risco.

A utilização de selantes de tetos também podem ser úteis para proteger a entrada de agentes patogénicos ambientais no úbere durante esse período.


5. Monitorizações e acompanhamento

Poder identificar, numa fase precoce, uma patologia, é uma das condições-chave para que o tratamento seja eficaz e também para reduzir o potencial impacto nefasto no bem-estar animal. Estabelecer um programa contínuo de monitorização e acompanhamento no pós-parto precoce é muito útil não só para poder agir e tratar animais doentes rapidamente, mas também, e acima de tudo, para permitir que as vacas iniciem a lactação de acordo com o seu potencial genético.

A monitorização das patologias dos pós-parto (retenção placentária, metrite, cetose, deslocamento de abomaso, hipocalcemia, ...) e de outros aspetos ao longo desses 90 dias (condição corporal, quantidade de ingestão, coxeiras, lesões e escoriações nos curvilhões,...) é também essencial para nos guiar quando se trata de implementar estratégias para a prevenção destas doenças (através de mudanças de maneio, de instalações, de alimentação ou utilizando medicamentos preventivos), o qual, em última análise, conduzirá a uma menor incidência destas desordens.

Objetivo comum: uma lactação rentável

Os desafios apresentados nos 90 dias ao redor do parto são muitos e de grande impacto sobre os três pilares da rentabilidade de uma exploração leiteira: produção, fertilidade e refugo [1]. Sabendo quais são os principais obstáculos no caminho para o sucesso da lactação é de grande ajuda na planificação de estratégias preventivas que permitam antecipar os problemas [2]. O trabalho coordenado e conjunto do produtor, nutricionista e do veterinário na exploração durante estes 90 dias, com uma visão pró-ativa em cinco áreas de intervenção pode ser a chave para o progresso em direção a um objetivo comum: a rentabilidade da exploração.
Se deseja receber mais informação sobre “The Vital 90 Days” e as estratégias de intervenção através das quais se procura ajudar as vacas a superar com sucesso os 90 dias ao redor do parto, contacte o representante da Elanco da sua zona.

Por: Cristina Andreu. DVM. PhD. Técnica de Ruminantes da Elanco, Espanha, andreu_cristina@elanco.com

Referências


5. Mulligan F.J., O’Grady L. , Rice D.A., Dohertly M. L., A health herd approach to dairy nutrition and production diseases of the transition cow. Animal Reproduction Science 2006; 96: 331-356.

6. Ingvarsten K.L., Moyes K., Nutrition, immune function and health of dairy cattle. Animal 2013; 7(s1): 112–122.

7. Grummer RR. 1995. Impact of changes in organc nutrient metabolismon feed transition dairy cow. Journal of Animal Science 73:2820-2833.
8. Charmberlain and Wilkinson. 2010. Feeding the Dairy Cow. p. 127
9. Goff J. 2008. Transition cow immune function and interaction with metabolic disease. In: Proceedings from the Tri-State Dairy Nutrition Conference; April 22-23, 2008.
10. Roth J. 2013. Innate vs. adaptive immunity with emphasis on the role of neutrophils. Simposio sobre ciencias de la inmunidad de Elanco, Viena.
11. Duffield T., Impact of hyperketonemia in early lactation dairy cows on health and production. Journal of Dairy Science 2009; 92 (2): 571–580.
12. Loeffler S., de Vries M., Schukken Y., The Effects of Time of Disease Occurrence, Milk Yield, and Body Condition on Fertility of Dairy Cows. Journal of Dairy Science 1999; 82 (12): 2589–2604.
13. Kimura K., Goff J.P., Kehrli M.E., Decreased Neutrophil Function as a Cause of Retained Placenta in Dairy Cattle. Journal of Dairy Science 2002; 85 (3): 544–550.
14. Huzzey J.M., Prepartum Behavior and Dry Matter Intake Identify Dairy Cows at Risk for Metritis. Journal of Dairy Science 2007; 90 (7): 3220–3233.
15. Sordillo L.M., Factors affecting mammary gland immunity and mastitis susceptibility.livestock Production Science 2005; 98: 89–99


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