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Conhecimentos Práticos 2 - Os 90 Dias Vitais

Os 90 dias Vitais

Os 90 Dias Vitais correspondem ao período de tempo entre aproximadamente dois meses antes do parto e um mês após o parto. Durante este período de 90 dias, ocorrem várias alterações físicas e metabólicas na vaca, as quais podem contribuir para a ocorrência de eventos interrelacionados e em cascata.
Os produtores e os seus técnicos veterinários têm em conta muitos inputs para prevenir resultados indesejáveis e maximizar o bem-estar da vaca durante este período. Estes inputs são essencialmente tentativas diretas de gerir a função imunitária e o balanço energético.

O que é que os produtores e os veterinários tentam fazer durante o período dos 90 Dias Vitais?

• Gerir a função imunitária
• Gerir o balanço energético

O que é que leva à imunossupressão, no decurso dos 90 Dias Vitais?

• Alterações endócrinas
• Fatores fisiológicos de stress associados à transição
• Fatores de stress ambiental e de gestão

Desafios à função imunitária da vaca no período peri-parto

O sistema imunitário é essencial à vida, uma vez que protege as vacas de invasões microbianas. A defesa contra a infeção depende das defesas não específicas imediatas do sistema imunitário inato e das defesas específicas mais lentas do sistema imunitário adquirido. Embora estes dois sistemas sejam muitas vezes discutidos como respostas separadas, com características perfeitamente distintas, atuam em sincronia e comunicam constantemente entre si.
Quando se verifica um comprometimento do sistema imunitário, as vacas ficam mais suscetíveis à doença. As alterações endócrinas e os fatores fisiológicos de stress observados no período de transição levam a um comprometimento da função imunitária. Quase todas as vacas sofrem algum grau de imunossupressão durante as duas a três semanas antes e após o parto. Geralmente, esta imunossupressão representa um declínio de 25 – 40% da função dos neutrófilos e da função dos linfócitos1, os quais desempenham um papel importante na defesa contra doenças infeciosas. Se bem que este comprometimento seja multifatorial, a diminuição da função imunitária está, de alguma forma, relacionada com:

• Balanço energético
• Ácidos gordos não esterificados (NEFA)
• Metabolismo do cálcio
• Glucocorticoides

Um comprometimento do sistema imunitário contribui para a predisposição da vaca para doenças de transição, nomeadamente a mastite, a metrite e a retenção placentária.
Uma ração devidamente formulada e distribuída, um ambiente limpo e decisões de gestão são, todas elas, questões importantes para o restabelecimento da imunocompetência da vaca recém-parida, tão rapidamente quanto possível após o parto.

O que é que a imunossupressão, em si, representa durante os 90 Dias Vitais?

• Redução da função dos neutrófilos
• Redução da função dos linfócitos

Doenças de transição relacionadas com a imunossupressão:


• Mastite
• Metrite
• Retenção placentária

Desafios ao balanço energético da vaca no período peri-parto


As vacas leiteiras sofrem alterações fisiológicas tremendas desde a fase tardia da gestação, à fase precoce da lactação. Após o parto, um aumento rápido da produção de leite potencia significativamente as exigências energéticas.

Essas necessidades energéticas associadas à lactação duplicam de um momento para o outro, quando ocorre o parto e se inicia a lactação. Esta duplicação acontece numa altura em que o rápido crescimento da produção de leite é superior ao consumo de energia na dieta.

Porque é que o balanço energético é um problema, em torno do parto?

• As exigências energéticas associadas à produção de leite são maiores que o consumo de energia dietética.


Gráfico 1: Necessidades da energia em torno do parto

Os hidratos de carbono na dieta são a principal fonte energética da flora ruminal da vaca. A fermentação de hidratos de carbono na dieta pela flora ruminal resulta na formação de ácidos gordos voláteis (AGV), essencialmente o acetato, o propionato e o butirato. Os AGVs são absorvidos na corrente sanguínea, onde viajam até ao fígado.

No fígado, o propionato é convertido em glucose, por um processo designado por gluconeogénese. O propionato é o principal AGV que se converte em glucose. A glucose é a fonte energética primária utilizada por várias células do organismo da vaca, bem como pela glândula mamária, para a síntese da lactose. Existem três mecanismos principais ou intervenções diretas que potenciam a gluconeogénese no fígado e, como consequência, a quantidade de glucose disponível para as funções do organismo:

1. Aumento do propionato (AGV) disponível, por via da dieta.
2. Uso das reservas do organismo para poupar a glucose.
3. Alteração da população de flora ruminal produtora de AGV.

Quando a vaca apresenta um défice energético, irá haver uma mobilização das reservas do organismo, o que pode levar a uma redução da condição corporal. Se a mobilização de reservas corporais for excessiva, isso poderá levar a um nível elevado de corpos cetónicos, o que pode contribuir para a ocorrência de cetose, predisposição da vaca para deslocamento do abomaso e exacerbação da imunossupressão, nesta altura1. Períodos prolongados de um balanço energético negativo também podem levar a uma disfunção ovárica e a um desempenho reprodutivo reduzido.

Porque é que a glucose é importante?

• A glucose é uma fonte energética primária
• A glucose é utilizada na síntese da lactose
• O propionato é um ácido gordo volátil importante que pode ser convertido em glucose


Gráfico 2: Diferença entre a ingestão de energia e o consumo efetivo

Que doenças de transição estão relacionadas com o balanço energético negativo?

• Cetose
• Deslocamento de abomaso
• Disfunção ovárica

Referências:


1. Goff JP, Horst RL, Physiological changes at parturition and their relationship to metabolic disorders. Journal Dairy Science 1997; 80 (7): 1260–1268.
2. FJ Mulligan, ML Doherty, Production diseases of the transition cow. The Veterinary Journal 2008; 176 : 3–9.
3. Sordillo LM, Factors affecting mammary gland immunity and mastitis susceptibility. Livestock Production Science 2005; 98: 89–99.
4. Hammon DS, et al, Neutrophil function and energy status in Holstein cows with uterine health disorders. Veterinary Immunology and Immunopathology 2006; 113: 21–29.
5. Kimura K, Goff JP, Kehrli ME, Decreased neutrophil function as a cause of retained placenta in dairy cattle. Journal Dairy Science 2002; 85 (3): 544–550.
6. Drackley JK, Dann HM, Douglas GN, Physiological and pathological adaptations in dairy cows that may increase susceptibility to periparturient diseases and disorders. Italian Journal of Animal Science 2005; 4 (4): 323–344.
7. Duffield T, Impact of hyperketonemia in early lactation dairy cows on health and production. Journal Dairy Science 2009; 92 (2): 571–580.
8. Butler WR, Smith RD, Interrelationships between energy balance and postpartum reproductive function in dairy cattle. Journal Dairy Science 1989; 72: 767–783.
 

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