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Conhecimentos práticos 6 - Diagnóstico da Mastite

Microrganismos que causam mastite

A maioria das mastites é provocada por alguns tipos de bactérias. Contudo, outros microrganismos podem igualmente infetar a glândula mamária, nomeadamente as leveduras, os micoplasmas e as algas. Os agentes patogénicos que provocam as mastites, podem-se dividir em dois grupos, com base na sua origem.

Agentes Patogénicos contagiosos:

A mastite contagiosa é, geralmente, de natureza ligeira e, por rotina, torna-se subclínica. A glândula infetada é a principal fonte dos microrganismos num efetivo leiteiro e a transmissão aos quartos não infetados de outras vacas ocorre, essencialmente, durante o período da ordenha.

Agentes Patogénicos ambientais:

A principal fonte de patogénios ambientais é o habitat em que as vacas vivem. Estes microrganismos podem-se encontrar nas fezes das vacas, no solo e no material da cama da vaca, contaminando os tetos entre os períodos de ordenhas, penetrando no úbere durante o processo da ordenha, ou imediatamente após a ordenha, quando o esfíncter do teto ainda está aberto.

Ainda que não sendo absoluta, esta distinção é de importância prática, uma vez que estão indicadas diferentes medidas de controlo para cada grupo.

Identificação:

O diagnóstico para identificar o tipo de bactéria que está a provocar a mastite clínica ou subclínica, requer o envio de uma amostra de leite para um laboratório, onde é feita uma cultura bacteriana.

Contagem de células somáticas (CCS)

A determinação da contagem de células somáticas (CCS) numa amostra de leite constitui uma medida indireta de mastite. Um quarto normal, não infetado terá uma contagem de células somáticas inferior a 100.000 células/mL.

A contagem de células somáticas aumentará para mais de 200.000, quando um microrganismo infeta a glândula mamária, devido ao facto do sistema imunitário inato responder ao microrganismo invasor.

•Para estimar a CCS ao nível do quarto, pode-se usar o Teste Californiano de Mastites (CMT)
•Ao nível da vaca, a realização do contraste mensal facultará uma contagem de células somáticas composta de cada vaca do rebanho
•A condutividade elétrica do leite, um teste no qual se utiliza o método de medição diária do leite e que pode ser usado para estimar a presença de uma resposta inflamatória

Estes testes diagnósticos podem ser usados para tomar decisões de gestão a nível da vaca e do efetivo.

Procedimentos para colheita de amostras de leite

Uma colheita adequada de amostras de leite é fundamental para a identificação dos agentes patogénicos implicados na mastite. É necessário uma técnica assética na colheita das amostras de leite, para prevenir a contaminação por microrganismos que se encontram na pele, no úbere e nos tetos da vaca, mas também nas mãos do técnico que faz a colheita das amostras e no ambiente do estábulo. Amostras contaminadas resultam num diagnóstico incorreto, num acréscimo de trabalho e de despesas, geram confusão e frustração. Pode-se evitar a contaminação, seguindo os procedimentos descritos na parte de trás.

Técnica de amostragem


• Identificar os tubos com etiquetas antes da amostragem (data, exploração, vaca, quarto)

•Escovar a sujidade solta, os resíduos da cama e os pelos do úbere e dos tetos. Higienizar bem e secar grosseiramente os tetos e os úberes sujos antes de proceder à colheita da amostra. Os úberes devem ser lavados como último recurso.

•Desperdiçar vários jatos de leite do teto (leite do início) e observar o leite e os quartos mamários, a fim de detetar sinais de mastite clínica. Registar todas as observações de sinais clínicos

•Mergulhar todos os quartos num desinfetante pré-ordenha eficaz para tetos. Esperar pelo menos 30 segundos

•Secar bem os tetos com uma toalha individual

•Começar pelos tetos do lado mais distante do úbere, esfregar vigorosamente as extremidades dos tetos (10 a 15 segundos) com bolas de algodão ou pequenas compressas de gaze humedecidas (não encharcadas) em álcool a 70%.
As extremidades dos tetos devem ser esfregadas até não aparecer mais sujidade na compressa, ou não haver mais sujidade visível na extremidade do teto. Deve-se usar uma bola de algodão ou uma compressa embebida em álcool em cada teto. Ter atenção para não tocar nas extremidades dos tetos limpos. Evitar que os tetos limpos estejam em contacto com caudas, patas ou pernas sujas. Nos rebanhos em que as vacas não colaboram, começar por esfregar o teto mais próximo até estar limpo. Colher a amostra e passar para o próximo teto

•Começar a colheita de amostras a partir do teto mais próximo e passar para os tetos do lado mais distante do úbere. Retirar a tampa do tubo ou do frasco, mas não a pousar, nem tocar na superfície interna da tampa. Manter sempre a extremidade da tampa aberta virada para baixo. Manter o tubo ou o frasco a aproximadamente um ângulo de 45°, quando está a fazer a recolha da amostra. Não deixar que o rebordo do tubo da amostra toque na extremidade do teto. Recolher um a três jactos de leite, substituir imediatamente e segurar fi rmemente a tampa. Não encher demais os tubos, especialmente se as amostras tiverem que ser congeladas.

•Para fazer a colheita de uma amostra composta (leite de todos os quatros quartos do mesmo úbere), começar a recolher a amostra dos tetos mais próximos e passar para os tetos mais distantes do úbere. Recolher 1 a 2 mL de leite de cada quarto do úbere

•Quando as amostras forem colhidas no fim da ordenha ou entre ordenhas, os tetos devem ser mergulhados num desinfetante pós-ordenha eficaz para tetos, após a colheita da amostra

•Armazenar imediatamente as amostras em gelo, ou em alguma forma de refrigeração. As amostras que irão ser alvo de cultura numa fase posterior (mais de 48 horas), devem ser imediatamente congeladas.

Materiais para fins de amostragem

• Frascos ou tubos estéreis

•Álcool (etílico ou isopropílico) a 70%

•Bolas de algodão ou pequenas compressas de gaze embebidas álcool a 70%, ou compressas com álcool embaladas individualmente e comercialmente preparadas

•Refrigerador com gelo ou embalagens para congelação, para armazenamento das amostras

•Prateleiras para colocar os tubos ou os frascos das amostras, enquanto se estão a fazer a colheita das amostras nas vacas e para armazenamento no frio

•Desinfetante para limpeza dos tetos (recomenda-se o uso de germicidas eficazes para desinfeção dos tetos antes da ordenha)

•Toalhas de papel ou toalhas de pano individuais

•Meios de identificação das amostras: caneta de tinta permanente (com tinta estável em água e em álcool) ou etiquetas dactilografadas.

Referências:

1. Pyörälä S, Indicators of infl ammation in the diagnosis of mastitis. Veterinary Research 2003; 34 (5), 565–578.
2. National Mastitis Council publication 2004, Microbiological procedures for the diagnosis of bovine udder infection and determination of milk quality.

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