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A produção de leite previne o fogo?

Por Carlos Neves
publicado em 28-11-2017

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Por Carlos Neves

Num debate recente sobre os fogos florestais, Henrique Pereira dos Santos, arquiteto paisagista que escreve no “Público” e é um dos peritos habitualmente chamados às televisões após os incêndios, lamentou que se estejam a usar verbas comunitárias na campanha de informação sobre o leite em vez de o usar no “desenvolvimento rural” ou prevenção de incêndios.

Já não é a primeira vez que Henrique Pereira dos Santos ataca a existência de ajudas ao setor do leite, obviamente por preferir outro destino para essas verbas. Também criticou estes dias o dinheiro anunciado para financiar mais regadio para a agricultura. Eu compreendo que defenda “pagar aos pastores, aos resineiros, aos gestores de caça, aos produtores de biodiversidade que podem prestar o serviço de gestão do fogo que permita integrar socialmente os fogos, evitando desastres como os deste ano.” E também eu gostava que os subsídios deixassem de ser precisos e o leite e os outros produtos agrícolas fossem pagos a um preço justo, mas a Europa não teve até agora força política para isso e vai atirando mais ou menos migalhas de subsídios para manter vivos os agricultores entre as crises que se sucedem.

O que este perito parece esquecer é que o leite não é produzido nas fábricas, é um produto da agricultura. As vacas são ruminantes e a maior quantidade de alimento que ingerem são forragens e o restante são leguminosas, cereais e outras matérias-primas também produzidas pela agricultura.

Portanto, se os portugueses deixarem de beber leite ou se não houver água para rega, não se admirem que o resultado sejam campos abandonados ou reflorestados a eucalipto. A tragédia dos fogos de 2017 foi uma tragédia anunciada ao longo de anos por algumas vozes e provocada ao longo de décadas pelo abandono da agricultura.

Sim, as condições climatéricas de 17 de Junho ou 15 de outubro foram excecionais, sim, terá havido fogo posto, descuidos, falta e descoordenação de meios. Não sou “especialista” dos fogos, nem fui para o facebook desabafar sobre o assunto. Li muito do que se escreveu e gastei o tempo e energias que tinha ajudando a mandar alguns camiões de comida para os animais das zonas afetadas primeiro em Pedrógão, Gois, Pampilhosa, Guarda, Mação, agora para Oliveira do Hospital, Tondela, Serpins e outros locais do Pinhal interior cujos nome desconhecia. E fi-lo na convicção que era importante fazer a ligação entre quem queria dar e quem precisava de receber. E precisavam de receber (E PRECISARÃO DE MAIS AJUDA NOS PRÓXIMOS MESES!) para se manterem vivos os animais, os agricultores, as suas famílias, as povoações do mundo rural. Sem agricultura, sem agricultores, não há mundo rural. O turismo e a caça não bastam para manter vivo o Portugal profundo ou cultivados os terrenos livres entre os prédios do Portugal suburbano. Sem agricultura, ficam abandonados os terrenos, disponíveis para o crescimento das silvas e do mato.

E sim, a agricultura, a “nossa” agricultura de produção de leite, de carne, ou de milho grão, de batatas, de vinha, de kiwis, de mirtilos, framboesas ou outras novidades, de flores, ovelhas ou cabras, mais intensiva ou extensiva, recorrendo a máquinas modernas ou ferramentas tradicionais, pode ter as suas “chatices”, quando espalhamos estrume nos campos para alimentar as plantas, quando levantamos pó a fazer sementeiras, quando trazemos terra ou folhas para a estrada, quando as máquinas fazem barulho no dia da colheita, quando os animais sujam a estrada a caminho do pasto e por aí adiante, mas a nossa agricultura, da grande dimensão ao pequeno quintal, de jovens ou idosos, é esta agricultura que mantém a terra cultivada, o fogo longe das casas e tratores com cisternas disponíveis para ajudar quando toca o sino a rebate ou pedem ajuda pelo facebook! Defender a agricultura portuguesa também é defender Portugal.

(publicado no “Terras do AVE” em 16.11.2017)

 

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Carlos Neves    Vila do Conde - Porto

Produção de leite

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