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Mensagem dos Produtores de leite ao senhor Presidente da República

publicado em 16-06-2017

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Por ocasião da visita do Senhor Presidente da República a Vila do Conde, uma delegação com representantes da APROLEP, da AJADP e da AAVC entregou a seguinte mensagem ao Senhor Presidente:



"A agricultura é uma atividade económica com relevo em Vila do Conde. Cultivam-se cerca de 6000 ha, a quase totalidade da superfície agrícola útil disponível no concelho. As principais culturas, o milho na primavera/verão e azevém e outras forragens no outono/inverno, são a alimentação de base de 30000 vacas leiteiras cuidadas por cerca de 260 produtores de leite com suas famílias e colaboradores, usando a mais avançada tecnologia no cultivo dos campos e na ordenha dos animais, com destaque para 30 robots de ordenha a funcionar 24 horas por dia. A produção de leite do concelho (cerca de 160 milhões de litros por ano em 2016) representa quase 10% do leite produzido no país e 26% do leite recolhido pela Agros nesse ano. No concelho existem várias empresas privadas com dezenas de funcionários que fornecem produtos e serviços aos agricultores, bem como a cooperativa agrícola com cerca de 80 funcionários e uma moderna unidade fabril da Lactogal que embala 400 milhões de litros de leite UHT por ano e emprega 300 funcionários.

A produção de leite nacional e vila-condense atravessa uma grave crise desde há dois anos, devido a uma “tempestade perfeita”, que resultou de uma combinação de fatores:
• Liberalização da produção, com fim das quotas leiteiras em Abril de 2015
• Embargo russo aos produtos lácteos europeus, cujos excedentes são canalizados para o mercado nacional a baixo preços
• Estagnação económica em países tradicionalmente importadores de leite e produtos lácteos
• Instabilidade política, social e económica em países importadores de produtos lácteos nacionais (Angola e Venezuela)
• Quebra de consumo de leite nos países desenvolvidos, devido, entre outras causas, à difusão de mitos infundados sobre os malefícios do leite, apesar das recomendações da Direção Geral de Saúde em Sentido contrário.
• Por razões que não sabemos explicar, o preço do leite ao produtor em Portugal não acompanhou a recuperação registada na Europa desde a segunda metade de 2016 até agora. Em Fevereiro passado, Portugal teve o preço ao produtor mais baixo de toda a Europa comunitária.

Esta crise traduziu-se, por parte da indústria, na descida do preço do leite ao produtor para valores abaixo dos custos de produção e na imposição de limites ao volume produzido, muitas vezes obrigando à redução de produção face a anos anteriores. O preço médio recebido em 2016 foi 29 cêntimos por litro e o custo de produção, contando amortizações, cerca de 36 cêntimos. A diferença foi só parcialmente coberta pelas ajudas recebidas, pelo que as receitas não chegaram para as despesas ou, quando chegaram, não foi possível colocar algum valor de reserva para investimentos futuros de substituição de máquinas e equipamentos.
Esta crise é particularmente difícil para os jovens agricultores que se instalaram recentemente e para todos os que efetuaram investimentos avultados nas explorações leiteiras, para melhorar o bem-estar animal, proteger o ambiente ou garantir segurança alimentar e melhor qualidade do leite. Poucos foram os jovens que se instalaram nos anos mais recentes, muitos aguardam para ver a evolução do setor ou simplesmente para conhecerem a disponibilidade do principal recolhedor - a Agros, em aceitar aumentar o seu contrato para efetuar investimentos que já aprovados pelo PDR.

Ao longo da crise, alertámos o governo e a Assembleia da república, nomeadamente o grupo de trabalho sobre o leite criado na comissão de agricultura e mar. Ocorrendo a visita de Sua Excelência o Presidente da República a Vila do Conde, entendemos ser nosso dever informá-lo sobre a grave crise que o setor atravessa, conforme os números atrás expostos, e pedir a sua atenção e colaboração possível, nos seguintes pontos:
1. Entendemos que o Estado deve assumir a tarefa de esclarecer os consumidores sobre a segurança e valor alimentar do leite integrado numa dieta equilibrada, de modo a reverter a redução no consumo registada nos últimos anos. Os planos curriculares, nomeadamente das disciplinas de Geografia, Ciências da Natureza e Biologia devem incluir visitas a explorações agrícolas e o contato real com a nossa realidade, de forma a desmistificar muitas das ideias erradas que existem sobre o dia-a-dia da produção de leite. Seria muito útil se o Senhor presidente da república se disponibilizasse a visitar uma exploração leiteira e partilhasse algumas das suas horas com os produtores de leite.
2. A Rotulagem da origem do leite, cujo decreto/lei nº 62/2017 foi publicado em Diário da República no passado dia 9 de Junho, é uma excelente ferramenta para que o consumidor possa identificar o leite e produtos lácteos de origem nacional. Uma palavra ou um gesto do Senhor Presidente sobre o consumo de leite e produtos lácteos nacionais teria muito valor.
3. O produtor é o elo mais fraco da cadeia de valor do leite. Precisamos de toda a ajuda e todas as palavras possíveis para sensibilizar a indústria e a distribuição que o atual preço ao produtor asfixia a produção e hipoteca o futuro do setor e da agricultura de regiões como Vila do Conde.
Consta, para conhecimento de V. Exa. dados comparativos dos preços de Portugal – EU e um caderno reivindicativo elaborado pelas três organizações que assinam o documento que será posteriormente entregue ao Sr. Ministro da Agricultura. "








APROLEP – Associação dos Produtores de Leite de Portugal
AJADP – Associação dos jovens agricultores do distrito do Porto
AAVC – Associação dos Agricultores de Vila do Conde
 

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