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Os milhões e os tostões na produção de leite em Portugal

publicado em 24-07-2017

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Os produtores de leite portugueses sofreram uma pesada crise de preços baixos e limitações de produção, que começou poucos meses após o fim das quotas leiteiras em 2015 e atingiu o ponto crítico em 2016. Essa crise foi atribuída à quebra de consumo de leite no mercado interno, ao embargo russo e às dificuldades económicas de países que eram destino tradicional das exportações portuguesas. Contudo, os países da União Europeia recuperaram os preços ao produtor desde Agosto de 2016 e os produtores em Portugal continuam com preços de miséria. Em Fevereiro de 2017 tivemos em Portugal o preço mais baixo entre os 28 estados da União Europeia. Em Maio, nos últimos dados disponíveis, o nosso preço, 28,6 cêntimos / kg, continua na cauda da Europa, cerca de 4,3 abaixo da média da U.E. e 7 cêntimos abaixo da média da Holanda, cuja principal cooperativa entretanto já subiu mais dois cêntimos no preços mínimo garantido para Julho, o que nos deixa 9 cêntimos/kg abaixo dos produtores na Holanda. Porque é que as indústrias europeias conseguem valorizar o leite e as nossas não conseguem? Falta de capacidade ou falta de vontade?


Por outo lado, temos dados concretos que apontam para um custo de 35 cêntimos por litro de leite em Portugal. As ajudas da PAC e as ajudas excecionais conseguidas em 2016 não compensam esse diferencial. Está em risco a continuidade do setor. Foram muitos os produtores que deixaram a produção já em 2017 e persistem o desânimo e a revolta entre os que sobrevivem na esperança de melhores dias que tardam em chegar.

Ao longo dos últimos anos, a indústria justificou o preço baixo e os limites de produção com a importação de leite e produtos lácteos por parte das grandes superfícies. Focou-se no problema. Nós, produtores, focámo-nos na solução. Adotámos uma atitude responsável, moderada mas proactiva e estivemos na rua, à porta das grandes superfícies e em múltiplas iniciativas a valorizar o leite como alimento e a defender o leite e produtos lácteos portugueses como valor para a economia de Portugal. Em vez de subsídios pontuais, pedimos a rotulagem da origem do leite precisamente para responder às queixas da indústria e para que o consumidor pudesse identificar o produto nacional e ser solidário com o setor. Como “prémio”, tivemos a descida do preço do leite em Agosto do ano passado, quando na Europa começava a recuperação. Em 2017, já conseguimos a rotulagem e vemos mais leite nacional nas marcas da distribuição. Onde está agora a solidariedade da indústria com os produtores? Onde está a justiça na repartição de rendimentos ao longo da cadeia de valor do leite? Porque é que na indústria se acumulam ordenados e resultados de milhões (mais de 30 milhões de euros de resultados em 2016 no somatório de 4 das maiores empresas de laticínios, e destes, 90% são de uma empresa) enquanto os produtores nem recebem tostões?

Irá finalmente a indústria nacional aproveitar a oportunidade da rotulagem (e a retoma dos mercados mundiais de produtos lácteos) para valorizar o leite nacional, subir o preço ao produtor e desenvolver produtos de valor acrescentado ou vai agora arranjar novas desculpas e queixar-se das dificuldades de exportação e do leite barato que as indústrias instaladas nos Açores enviam para o continente em vez de valorizar e exportar? E o Governo, vai continuar a lavar as mãos como Pilatos? É urgente subir o preço do leite à produção!

24 de Julho de 2017, a Direção da APROLEP


Fonte: Observatório Europeu do Leite, Comissão Europeia
https://ec.europa.eu/agriculture/sites/agriculture/files/market-observatory/milk/pdf/eu-raw-milk-prices_en.pdf



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