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GDT: Leilão regista novamente queda nos preços negociados

*Baseado no artigo original MilkPoint Brasil, por Valter Bertini Galan que contou com a colaboração de Otávio Farias, da Alliance Commodities.

Foi realizado ontem, dia 2 de abril, mais um leilão da plataforma GDT (Global Dairy Trade). Conforme a expectativa de alguns analistas do mercado, os resultados revelaram mais uma forte queda nos preços negociados – os preços médios caíram 10,8% em relação ao leilão anterior, com descidas em todos os sectores. A gordura anidra do leite registou um balaço de -5.3%, a manteiga -7.6%, o queijo cheddar -10.5%, o leite em pó magro -9.9 e o leite em pó inteiro -13.3%.

Gráfico 1 – Evolução dos Preços do Leilão GDT

Fonte: Global Dairy Trade, adaptado pelo MilkPoint Inteligência

O cenário do mercado internacional mostra que, no passado recente, os fatores bearish (de descida) passaram a predominar sobre os fatores bullish (de subida), indicando um cenário que levava a este recuo. Detalhando estes fatores e sua situação atual, temos o seguinte cenário:

Fatores bearish

1) Dúvidas sobre os problemas na produção da NZ (falta de chuvas)

O cenário de produção de leite na Nova Zelândia confirma, a cada mês, que será difícil que atinja a previsão de -3,3% de variação em relativamente à produção da época de 2013/2014. Dados ainda não oficiais indicam que a produção em fevereiro de 2015 foi 6,8% inferior que a do mesmo mês em 2014; mesmo assim, este cenário ainda significa uma produção acumulada da época de 2014/2015 cerca de 3% acima que a anterior – e, para atingir os -3,3% em relação aos volumes do ano anterior, a produção kiwi teria de cair 28% ao mês entre março e maio (O Milkpoint inteligência acredita que deve vir mais leite de lá, verifique o gráfico 2).

Gráfico 2 - Produção efetiva e projeção da produção de sólidos lácteos na Nova Zelândia.


Fonte: Dairy Companies Association of New Zealand com a projeção do MilkPoint Inteligência

2) Procura chinesa menor que em 2014


Depois de uma sinalização de aumento nas suas importações de lácteos em janeiro deste ano, a China reduziu drasticamente os volumes comprados em fevereiro. As compras de leite em pó inteiro em fevereiro de 2015 foram 71% inferiores que as de janeiro deste ano e 78% menores que as de fevereiro do ano passado.

Gráfico 3 -  Importações chinesas de leite em pó inteiro


Fonte: GTIS, no Daily Dairy adaptado pelo MilkPoint Inteligência

3) Elevados stock’s americanos de leite em pó magro


Os Estados Unidos ainda detêm grandes stock’s de leite em pó magro. O volume armazenado em janeiro era de cerca de 109 mil toneladas do produto, uma quantidade aproximadamente 60% superior aos stock’s de janeiro de 2014. Adicionalmente (e surpreendentemente) a produção americana segue crescendo (+1,9% no em janeiro e fevereiro, relativamente ao mesmo período do ano passado).

4) Valorização do dólar face a outras moedas

Esta variável tem um efeito muito importante. De uma forma geral, um dólar mais forte torna o leite de origens como a Nova Zelândia e União Europeia mais competitivo no mercado internacional. Isto pressiona as a sua valorização para baixo.

5) Embargo Russo

Não se espera, pelo menos a curto prazo, a flexibilização do embargo russo a derivados lácteos da União Europeia e dos Estados Unidos, que, caso acontecesse, poderia aumentar a procura global destes produtos.

Fatores bullish


1) Preços (baixos) devem baixar a produção em 2015 nos mercados


Este efeito ainda não pode ser analisado mais fortemente, mas certamente que os menores preços pagos aos produtores devem (e irão) desestimular o crescimento da produção de leite nos principais exportadores mundiais. Menos oferta prevista para o futuro, principalmente a partir do segundo semestre deste ano.

2) Procura chinesa pode crescer

Como, até agora, mostrou-se fraca, a procura chinesa pode, repentinamente, reagir, elevando a pressão sobre as cotações internacionais. Um dos pontos importantes aqui é o custo relativo da produção chinesa (muito mais elevado que os preços internacionais) e a disposição do governo deste país em proteger seu oferta interna.

3) Queda na produção de leite na Europa

Apesar da queda do sistema de quotas de produção de leite na Europa (o que deve, a médio/longo prazo estimular o aumento de produção), a produção deste ano tem sido inferior à do ano passado – dados preliminares de volumes de alguns países importantes como França, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Polónia e Itália mostram uma queda agregada de 1,3% sobre os volumes de 2014;

Em resumo, de uma forma geral a procura global pelos derivados lácteos ainda é fraca e a atuação dos compradores relutante, aguardando pela consolidação dos preços em patamares inferiores aos atuais.


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