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O universo (lácteo) em desalinho

POR VALTER BERTINI GALAN

E MARIANA OLIVEIRA

MERCADO DO LEITE

EM 18/03/2015

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*Artigo original MILKPOINT Brasil

Sinais trocados e informações aparentemente antagónicas. Este é o cenário de hoje no mercado mundial de laticínios.

Os fatores “baixistas” de preços

Algumas informações recentes apontam para a direção de que a recente reação nos preços internacionais foi um efeito efémero e que novas reduções nas cotações internacionais devem ser esperadas daqui para frente.

Inicialmente, é facto de que, pelo menos até janeiro de 2015, o volume de sólidos de leite produzidos na Nova Zelândia é 4,3% superior nesta época que na de 2013/2014, apesar das condições efetivamente desfavoráveis de chuvas neste país desde outubro de 2014.

Ao mesmo tempo, a bolsa de futuros da Nova Zelândia (NZX) dá sinais de que os preços dos lácteos se estabilizarão. Se em fevereiro grandes aumentos de preços foram alcançados e a curva de preços futuros, inclinada para cima naquele momento, indicava  4.000 $EUA a tonelada do leite em pó inteiro para julho-agosto, as negociações da semana passada na NZX colocaram o contrato de leite em pó inteiro de março em 3.200 $EUA a tonelada e os de outubro em 2.900 $EUA a tonelada.

Adicionalmente, os elevados stock's americanos de leite em pó magro e a desvalorização do euro face ao dólar podem significar uma maior oferta no mercado internacional e menores preços no horizonte.

Os factores "altistas" de preços

O ritmo atual de abate de vacas na Nova Zelândia é o maior das últimas 10 épocas. Entre junho de 2014 e janeiro de 2015 os produtores abateram 694.987 vacas e novilhas, 24% a mais do do que na época de 2013-2014.

Normalmente na Nova Zelândia o número de abates aumenta de acordo com a proximidade do outono e atinge o seu pico entre os meses de março e maio de cada ano. Alguns factores podem explicar este aumento nos abates: a redução drástica na sinalização de preços ao produtor de leite, a redução dos preços internacionais de lácteos (ainda que o primeiro efeito tenha sido causado por este segundo), as condições climáticas (forte déficite de chuvas naquele país nesta época leiteira) e o aumento dos preços internacionais da carne.

Mais vacas abatidas agora significa menos vacas em produção na próxima época, o que deveria ser um factor de expectativa de preços mais elevados em 2015/2016.

Ao mesmo tempo, a perspectiva de crescimento da produção na União Europeia é de cerca de 1,5% em relação a 2014, contra um crescimento acima de 4% no ano passado. Esta projeção acontece mesmo com a saída do sistema de quotas de produção, que, teoricamente, deveria significar um aumento dos volumes produzidos.

Somando a estes fatores temos que a China retornou às compras no mercado mundial, ao menos de acordo com as estatísticas de importações no mês de janeiro (últimas informações disponíveis). Foram cerca de 115 mil toneladas de leite em pó importadas pelos chineses em janeiro, contra 51 mil em dezembro de 2014. Ainda assim, o volume de janeiro de 2015 foi 32% inferior às importações de janeiro de 2014.

“Juntando” altos e baixos e as dúvidas que os diferentes sinais de mercado nos indicam, ficamos de “olho” no que vai acontecer nas próximas semanas e nas eventuais oportunidades (ou ameaças) que possam surgir para o leite. Vale a pena relembrar que, de qualquer forma, já houve uma forte recuperação nos preços médios de acordo com a plataforma GDT. Entre 2 de dezembro de 2014 e 3 de março de 2015, os preços subiram 42,7% (em dólares).


VALTER BERTINI GALAN

MilkPoint Mercado

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