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Quando é que os preços globais dos lácteos recuperarão?

Os preços internacionais do leite em pó desnatado – principal produto lácteo exportado pelos Estados Unidos – caíram para o seu nível mais baixo em mais de 12 anos no verão passado e permanecem baixos, desde então, afetados pelos fortes estoques globais desde 2009.

O mercado de lácteos foi afetado durante mais de 18 meses pelo excesso de oferta global, mas as condições de mercado sugerem que a recuperação ainda vai demorar um pouco. O mundo continua com excesso de stock e a combinação de uma maior produção (quase totalmente na Europa, mas com uma parte dos Estados Unidos, também) com incertezas económicas e com menores preços do petróleo está a prejudicar a procura de muitos dos melhores compradores.

Do lado da oferta, a produção de leite da União Europeia (UE) aumentou mais de 5% durante os primeiros dois meses de 2016 (ajustados para o dia 29 de fevereiro) e há evidências inconclusivas que sugerem que o bloco restringiria a produção com o avançar da primavera.

Os esforços dos produtores para reduzir a produção no começo de 2015 antes da quota de produção expirar continuam a reforçar as comparações com a produção de leite no ano passado.

Apesar do declínio nos preços ao produtor e dos protestos dos produtores em várias cidades da Europa, muitos produtores eficientes continuam a ter rentabilidade e mesmo os produtores que não são rentáveis continuam a produzir leite para manter o fluxo de caixa.

Muitos produtores e processadores investiram na expansão da capacidade antecipando o fim das quotas de produção de leite em abril do ano passado e precisam agora de manter a produção em níveis mais altos para apoiar os investimentos.

Em alguns casos, as cooperativas ofereceram aos produtores suporte através de programas de empréstimos ou pagamentos de bónus para reforçar o baixo fluxo de caixa e manter a cadeia em funcionamento.

A UE, por seu lado, impulsionou os pagamentos diretos aos produtores dobrando os volumes de intervenção (rede de segurança de compras do governo da UE) para 218.000 toneladas para o leite em pó e 100.000 toneladas para a manteiga a partir do meio de abril.

Na Oceania, embora as estimativas de uma queda na oferta fossem mais marcadas, esta ainda está aquém das expectativas. Para a estação de 2015/16, a produção de leite da Nova Zelândia caiu menos de 2% até março – menos que a previsão de 5-10% dos analistas. A produção de fevereiro (ajustada para o dia 29) na verdade caiu 2% em relação ao ano anterior.

Na Austrália, a produção de leite deverá diminuir em 1-2% em 2015/16, devido a uma combinação de clima quente e seco com a queda nos preços do leite.

Devido à produção resiliente, os stocks do produto continuam a ser construídos na cadeia de fornecimento. Neste ano, os stocks de intervenção da UE de leite em pó desnatado alcançaram o topo de 140.000 toneladas nos primeiros quatro meses de 2016, adicionados às cerca de 150.000 toneladas já nos depósitos. Os stocks privados dos Estados Unidos da América de queijos, manteiga e leite em pó estão bem acima dos níveis típicos de volume. Os stocks massivos da China estão a atingir níveis mais controláveis, mas os compradores de lácteos em outros importantes países importadores aumentaram os stocks devido aos preços favoráveis do ano passado, mantendo um volume confortável.

Do lado da procura, os preços do petróleo continuam a criar incertezas económicas para os produtores de petróleo e também importantes importadores de lácteos: Médio Oriente, Argélia, Nigéria, Indonésia e Venezuela. As questões sobre a economia da China estão a criar preocupações sobre a sua capacidade de crescimento e efeito de contágio no Sudeste Asiático e outros locais. O Banco de Desenvolvimento da Ásia reduziu recentemente para 5,7% a sua estimativa em relação ao crescimento económico da Ásia em 2016, o menor número desde 2001.

A forma como estes fatores de oferta e procura se incorporarão nos próximos meses determinará a alturam em que se verá uma recuperação a mais longo prazo do mercado. Dados os fortes stocks que precisam de ser trabalhados, a expectativa não é de um movimento sustentado e significativo dos preços antes de 2017. Se a UE reduzir a produção de leite mais rápido ou a China aumentar a velocidade de importações as previsões podem melhorar, mas não se prevê que isso ocorra no curto prazo a menos que questões climáticas afetem a produção durante o verão.
À medida que estas condições de excesso de oferta continuam, o ponto crítico para lembrar é que, apesar deste ciclo doloroso, os fatores fundamentais a longo prazo que têm direcionado os crescimentos globais nos lácteos no passado permanecem fortes. Não é uma questão de “se” veremos uma reversão do ciclo do mercado, mas sim, de “quando”.

O artigo é de Tom Suber, para o blog do Conselho de Exportações de Lácteos dos Estados Unidos (http://blog.usdec.org). 

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