FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA PASSWORD SOU UM NOVO UTILIZADOR

A experiência de uma refeição perfeita para ter a vaca satisfeita

Uma experiência alimentar positiva permite que a vaca satisfaça as suas necessidades comportamentais para comer, descansar e ruminar. E uma vaca satisfeita vai ser mais produtiva, eficiente e saudável.

Os melhores ambientes de alimentação apresentam uma mistura alimentar bem formulada, palatável, com alimento sempre à disposição, espaço suficiente para garantir que a concorrência não limita o acesso, um design da manjedoura que incentiva o comportamento alimentar natural, água fresca sempre disponível, área de repouso suficiente, um bom piso, um estábulo bem ventilado com boa qualidade de ar... A lista continua, mas por poucas palavras - o restaurante deve ser 5* e estar sempre aberto.

Quão importante é a disponibilidade de alimento?
É sabido que a motivação de uma vaca para comer aumenta acentuadamente após três horas de restrição alimentar. O centro de investigação do Nebraska descobriu que uma manjedoura vazia entre a meia noite e as 6 da manhã pode ser causa de perdas de leite na ordem dos 4 quilos por vaca. Investigações canadianas demonstraram que restringir o acesso ao alimento por 10 horas diárias resultou em perdas de ingestão na ordem dos 1,75 quilos de matéria seca por vaca e propiciou o dobro as deslocações de abomaso.

Um estudo englobando 47 efetivos leiteiros, com genética semelhante e que foram sujeitos à mesma dieta, constatou que a produção de leite entre explorações leiteiras variou entre os 22 e os 36 kg de leite por dia. Esta gama de valores refletiu a gestão das explorações – sendo que o assegurar a disponibilidade de alimento explicou uma grande parte da variação na produção de leite entre elas. Nos efetivos em que foi contabilizado o desperdício da alimentação total e consequentemente adicionadas as perdas estimadas ao fornecimento total, tiveram ganhos na ordem dos 2 kg relativamente às explorações que não fizeram esta ponderação. E nas explorações onde é dada atenção ao ponto anterior e em que de forma regular o alimento é “encostado” na manjedoura verificaram-se ganhos de leite na ordem dos 4 kg por vaca.

A sobrelotação à manjedoura condiciona muito o comportamento normal de alimentação, levando a que as vacas comam menos refeições e que o façam a um ritmo mais rápido, o que não só compromete a produção mas também o bem-estar ruminal. É também necessário dar atenção às vacas subordinadas que, caso exista falta de espaço e uma má mistura do alimento total vão acabar por comer uma alimentação com menos qualidade. De referir que mesmo com um espaço considerável por vaca, 40 por cento das vacas subordinadas ainda opta por evitar a vaca dominante, mesmo quando isso significa comer uma alimentação menos desejável. Este é um grande desafio para a gestão correcta da alimentação, bem como para o design dos estábulos e manjedouras. É necessário ponderar muito bem qual a melhor maneira de acomodar as necessidades alimentares de vacas individuais num ambiente de grupo.

Outro problema frequente é a heterogeneidade da descarga da mistura na manjedoura. Quando a alimentação é inconsistente, as vacas movimentam-se demasiado ao longo do corredor da alimentação, o que resulta em maiores interações competitivas. Num estudo recente da British Columbia ficou evidente que nas condições referidas, há uma deslocação dos animais 51 por cento superior o que resulta em 3,5 vezes mais competição.

As vacas têm um instinto natural “agressivo” para se alimentarem e como tal, se o alimento não estiver totalmente ao alcance delas, é provável que se magoem a tentar alcançá-lo. Isto não só poderá causar danos físicos imediatos como a longo prazo pode levá-las demonstrar menos vontade para se dirigirem à manjedoura, o que, como todos os outros factores, se traduz numa perda de leite. É essencial que o alimento seja empurrado para o alcance das vacas várias vezes ao dia, porque enquanto elas comem acabam sempre por voltar a distanciar parte da mistura.

É sabido que as primeiras 2 horas após o fornecimento do alimento é o período mais competitivo para as vacas, por isso devemo-nos focar neste período crucial para voltar a empurrar o alimento. Um estudo que teve lugar no Arizona apontou que, quando a alimentação foi empurrada a cada meia hora durante as duas primeiras horas após a alimentação, ao invés de apenas uma vez por hora, as vacas produziram mais 2 kg de leite por dia e, como tal, foram 10% mais eficientes.

Assim, a experiência de uma refeição perfeita resume-se a garantir que as vacas possam comer quando querem, um alimento de qualidade, com uma concorrência mínima e que lhes seja possível deitarem-se confortavelmente depois. Quando estas premissas forem garantidas, a vaca será produtiva e saudável, e o alimento será rentável!

*Este artigo provém do Progressive Dairyman, é um excerto do Farm Report de dezembro de 2014 e foi traduzido e adaptado pela equipa do MilkPoint



0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint.PT, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.