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Azevém fresco - Perspectiva Particular da Nederleite

POR MAAIKE SMITS

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 31/12/2013

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Com a crescente subida de custos das matérias-primas para a alimentação animal, todos os produtores buscam diariamente o máximo aproveitamento do que dispõem e a máxima produção associado ao custo mais baixo.

As decisões tomadas numa exploração de vacas leiteiras depende de tantos factores que já referenciados em inúmeros artigos e livros técnicos, com diferentes práticas de maneio e diversas formas de calcular os custos e benefícios. Contudo, no dia a dia, as decisões são tomadas algo instintivamente.

Quando fazemos os cálculos de uma determinada forma, parece que o facto de fornecer azevém em fresco aos animais não é vantajoso, mas se tentarmos quantificar factores como o bem estar animal, e por consequente o bem estar do produtor por ter menos preocupações o resultado final, na minha opinião, por se tratar sempre de algo muito subjectivo, pode ser vantajoso. Este output muitas vezes aponta para o sentido inverso aos cálculos aos factores facilmente quantificáveis, que no caso apresentado se tratam maioritariamente, do custo da semente, o gasóleo, desgaste das máquinas e tempo investido.

No caso particular da vacaria onde trabalho (Nederleite), e é com base no que vou absorvendo no dia-a-dia que me exponho a falar um pouco sobre este assunto. Desde há vários anos, que sempre que possível, facultamos azevém em fresco às vacas produtoras assim que ele se encontre em condições de ser cortado. Como já vim a referir anteriormente, e apesar de em termos de custos com a alimentação poder não ser o mais vantajoso, durante toda a época que se reúnem as condições para o fazer, em termos de resultado final, os benefícios sobrepõem-se e conseguimos maximizar o rendimento dos terrenos e do investimento necessário e reduzir um pouco o custo da alimentação. Não é facultado mais azevém por não existir ainda a capacidade de produzir mais. No nosso caso, sempre que existam as condições mínimas para a colheita (refiro-me ao período do ano entre o Outono e a Primavera) estimamos que se fornecem cerca de 750 a 1000 gramas de matéria-seca por cada vaca, o que consoante a humidade intrínseca e extrínseca corresponde a 10 kg de azevém por vaca.

Não é uma grande quantidade mas os efeitos positivos mais evidentes são:
• Redução do custo da alimentação;
• Aumento da disposição de alimentação dos animais, e isto de uma maneira algo simbólica, traduz-se em vacas mais felizes com mais apetite.
• Aumento da demonstração de cios;
• Aumento da produção;

No que respeita aos dois últimos pontos, é discutível se não são justificados por outros factores, como a altura do ano em que temos esta capacidade de fornecer o azevém em fresco. Contudo, de uma forma subjectiva, digo de uma forma consciente que de facto parece existir uma correlação positiva entre eles e a administração do azevém.

Toda a gestão dos prados, a colheita e as silagens que se programam fazer são os aspectos mais negativos da inclusão desta particularidade no maneio da alimentação.

Exige-se que:
• Exista um fiel compromisso, e como tal, tempo e vontade;
• Máquinas adequadas;
• Conseguir ajustar a alimentação com base na qualidade do azevém;
• Ter um plano B para quando por diversos motivos não é possível a recolha do mesmo.

Em suma, cada caso é um caso, e cada produtor tem na sua forma de agir um fundamento consoante os objectivos e as facilidades de que dispõe. Na minha opinião, dar azevém em fresco às vacas leiteiras é vantajoso, e cada vez mais, a maneira de alimentar estes animais passa por forragens de pastagens de elevada qualidade.

Bibliografia:

Nennich, T. 2013. Greenchop for lactating cow rations. http://www.progressivedairy.com/~prodairy/index.php?option=com_content&view=article&id=10161:greenchop-for-lactating-cow-rations&catid=46:feed-and-nutrition&Itemid=72

Lee, K. 2012. Could a little grass in your ration be a good thing?
http://www.progressivedairy.com/index.php?option=com_content&view=article&id=3664:could-a-little-grass-in-your-ration-be-a-good-thing&catid=46:feed-and-nutrition&Itemid=72
J.I.Cabrera Estrada, R Delagarde, P Faverdin J.L PeyraudAnimal, Dry matter intake and eating rate of grass by dairy cows is restricted by internal, but not external water in Feed Science and Technology Volume 114, Issue 1 , Pages 59-74, 3 May 2004

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MAAIKE SMITS

LISBOA - LISBOA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/04/2014

Olá José,

Obrigada pelo seu contributo.

Efectivamente que o mais dificil de controlar é a disponibilidade contínua e assegurar que a qualidade é sempre elevada. Existem sempre oscilações, mas tal como referia, com campos adequados e um planeamento apertado e rigoroso é possível e, na minha opinião, trás benefícios significativos.
JOSÉ FERRÃO

LISBOA - LISBOA - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 08/04/2014

Olá, nos açores conheci uma exploração que também colhia com um reboque carregador o azevem verde e depois fornecia aos animais, e sei que na irlanda também estão a icentivar este método invés do pastoreio de modo a diminuir o pisoteio e melhor gerir a área cultivada. Eu pessoalmente sou apologista de se não consegues controlar ou dar todos os dias não o faças, além de que exige campos com muito boa drenagem. Outro problema é a irregularidade e falta de controlo de qualidade do que é colhido que pode ser  ou não constante. A erva verde é rica em vitaminas e gordura insaturada omega 3 em que ambos são benéficos para a reprodução.
ANTÓNIO LUIZ GOMES

SANTARÉM - SANTARÉM - PESQUISA/ENSINO

EM 10/01/2014

Muito obrigado, Maaike. Fiquei perfeitamente esclarecido.
MAAIKE SMITS

LISBOA - LISBOA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/01/2014

Olá António, antes de mais, muito obrigado pelo seu comentário.



De facto por vezes as condições atmosféricas impedem a administração do azevém de uma forma continua e somos forçados a interromper este acto durante alguns dias.

É iminente que tentamos gerir os campos que temos de forma a salvaguardar zonas com solos que drenem melhor para períodos de chuva quando possível. Desta forma as interrupções não passam de poucos dias e nestes compensamos no arraçoamento base. Como tal, continuamos a ser da opinião que as vantagens se sobrepõem.

Espero ter respondido à sua questão, caso contrário tentarei especificar alguma ponta solta.
ANTÓNIO LUIZ GOMES

SANTARÉM - SANTARÉM - PESQUISA/ENSINO

EM 09/01/2014

Tem muito valor o testemunho da experiência. Conseguem dar o verde continuamente durante o período que referiu, ou vai dando e deixando de dar várias vezes? Neste segundo caso, os efeitos negativos das variações de dieta podiam ser maiores do que as vantagens do verde.