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Benefícios dos lípidos na alimentação das vacas leiteiras.

POR JUNIO CESAR MARTINEZ

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 16/01/2015

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*Este artigo é original do Milkpoint Brasil e foi baseado em vários artigos publicados na Revista Americana Journal of Dairy Science.

Nas explorações leiteiras, a proporção de vacas que ficam gestantes da primeira inseminação tem vindo a diminuir nos últimos 30 anos. Dados obtidos nos Estados Unidos indicam que a taxa de concepção após o primeiro serviço caiu de 55% em 1975, para 40% em 2001, e o número de serviços por concepção aumentou de 1,62 para 2,91 em 1999. Em efetivos sob condições experimentais controladas nos centros de investigação, a taxa de concepção também tem diminuído.

Deficiências no desempenho reprodutivo têm sido a primeira ou a segunda causa de refugo de vacas leiteiras. Algumas razões têm sido apontadas, como cetose, mastite, retenção de secundinas, quistos nos ovários, síndrome de fígado gordo, aumento do tamanho do efetivo, melhoria genética, aumento da produção de leite, etc…

Desta forma, a influência da nutrição no desempenho reprodutivo é um grande campo de investigação, e neste se incluem os efeitos da suplementação com lipídos. Caso a suplementação com lipídos melhore as taxas de fecundação, a longevidade das vacas deverá aumentar e os custos por gestação irão diminuir.

Os lípidos da dieta são modificadas pelas bactérias ruminais.

Diferentes tipos de lípidos têm sido fornecidas às vacas leiteiras, sendo que cada uma destes lípidos tem uma composição diferente no que respeita o perfil de ácidos gordos. As bactérias ruminais podem converter as gorduras insaturadas em saturadas, pela substituição das ligações duplas por simples entre os carbonos (bio-hidrogenação).

Alguns investigadores têm especulado que isto é uma forma natural de proteção, uma vez que os ácidos gordos insaturados podem ser tóxicos para as bactérias que digerem as fibras. Por exemplo: enquanto que, uma vaca que recebe uma ração total típica consome aproximadamente 20 gramas de C18:0, 110 g de C18:1, 280 g de C18:2 e 40 g de C18:3, vão deixar o rúmen depois da bio-hidrogenação, aproximadamente 370 g de C18:0, 25 g de C18:1, 40 g de C18:2 e 4 g de C18:3. Durante estas transformações, algumas moléculas intermediárias são formadas, de que é exemplo o CLA (ácido linoléico conjugado) que pode trazer benefícios para as vacas em lactação através de uma redução do balanço energético negativo. (Pappritz et al)

Suplementação com lípidos e taxas de concepção.

De acordo com a literatura, a suplementação com lipídos tem beneficiado a taxa de concepção das vacas leiteiras. Em média, a taxa de melhoria é na ordem de 21%, mas isso não implica necessariamente dizer que a simples suplementação com lipídos fará a taxa de concepção aumentar em 21% nas explorações.


Embora a média dos estudos seja de 21%, alguns estudos observaram melhorias de 45%. Um estudo em especial, desenvolvido no Reino Unido, utilizando uma fonte concentrada de óleo de linhaça, observou melhoria na taxa de concepção no primeiro serviço em 87%.

Quanta gordura fornecer?

Esta pergunta é sempre colocada: quanto de gordura ou ácidos gordos específicos devem ser fornecidos a fim de melhorar a reprodução? A resposta que parece ser a mais adequada com os conhecimentos adquiridos até hoje é: 1,5% da matéria seca da dieta. Investigadores sabem que essa quantidade é efetiva. O que eles não sabem, ainda, é se uma quantidade menor poderá ser igualmente efetiva. Mas, já há especulações de que a suplementação de apenas 115 a 230 g/dia possa ser efetiva.

Quando iniciar a suplementação?

A suplementação deve ser iniciada precocemente, com tempo suficiente para que a restauração dos tecidos reprodutivos sejam feitos antes do novo ciclo fértil. Isto poderá envolver a involução do útero, o retorno do crescimento dos ovários e a ovulação de novos folículos, para que o útero receba e mantenha o novo embrião com sucesso.

Como é que a suplementação com lípidos ajuda a melhorar a taxa de concepção?


Seguramente, melhorando o "status" energético. Vacas com um prolongado e intensivo balanço energético negativo voltam atrasadas ao ciclo éstrico após o parto, aumentando o período até a ovulação. Caso a suplementação com gordura ajude a melhorar o balanço energético, possivelmente a concepção poderá ser concretizada mais cedo.

Outros fatores, como o fornecimento de ácidos gordos essenciais, a saúde dos folículos, a melhor qualidade dos embriões produzidos, são alguns dos muitos fatores que a suplementação com lipídos pode melhorar.

Considerações finais.

Tem sido demonstrado ao longo dos anos que as vacas suplementadas no pós-parto com uma moderada quantidade de gordura, normalmente produzem mais leite. Esta é também uma evidência de que elas também apresentam o benefício de uma melhor eficiência reprodutiva. Assim, com base nos conhecimentos atuais, 1,5% de gorduras, na base da matéria seca, devem ser adicionadas nas rações de vacas leiteiras.

Referências

Ambrose, D.J., C.T. Estill, M.G. Colazo, J.P. Kastelic and R. Corbett. Conception rates and pregnancy losses in dairy cows fed a diet supplemented with rolled flaxseed. Proc 7th International Ruminant Reproduction Symposium, Wellington, New Zealand. Abstract 50, 2006a.

Ambrose, D.J., J.P. Kastelic, R. Corbett, P.A. Pitney, H.V. Petit, J.A. Small, and P. Zalkovic. Lower pregnancy losses in lactating dairy cows fed a diet enriched in ?-linolenic acid. J. Dairy Sci. 89:3066-3074, 2006b..

Armstrong, J.D., E.A. Goodall, F.J. Gordon, D.A. Rice, and W.J. McCaughey. The effects of levels of concentrate offered and inclusion of maize gluten or fish meal in the concentrate on reproductive performance and blood parameter of dairy cows. Animal Production 50:1-10, 1990.

Beam, S.W. and W.R. Butler. Energy balance and ovarian follicle development prior to the first ovulation postpartum in dairy cows receiving three levels of dietary fat. Biology of Reproduction 56:133-142, 1997.

Bernal-Santos, G., J.W. Perfield II, D. M. Barbano, D.E. Bauman, and T.R. Overton. Production responses of dairy cows to dietary supplementation with conjugated linoleic acid (CLA) during the transition period and early lactation. J. Dairy Sci. 86:3218-3228, 2003.

Bilby, T.R., J. Block, B.C. Amaral, J.O. Filho, F.T. Silvestre, P.J. Hansen, C.R. Staples, and W.W. Thatcher. Effects of dietary unsaturated fatty acids on oocyte quality and follicular development in lactating dairy cows in summer. J. Dairy Sci. 89:3891-3903, 2006.

Bruckental, I., D. Dori, M. Kaim, H. Lehrer, and Y. Folman. Effects of source and level of protein on milk yield and reproductive performance of high-producing primiparous and multiparous dairy cows. Animal Production 48:319-329, 1989.

JUNIO CESAR MARTINEZ

Doutor em Ciência Animal e Pastagens (ESALQ), Pós-Doutor pela UNESP e Universidade da California-EUA. Professor da UNEMAT.

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