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Como alimentar as vacas quando desce o preço do leite?

*Baseado no artigo original MilkPoint Brasil escrito por Alexandre M. Pedroso

Quando o leite pago ao produtor está com o preço baixo, as margens de lucro da produção leiteira ficam muito reduzidas, ou até desaparecem. Uma vez que a alimentação é o fator de maior importância na planificação de custos para a produção do leite, o autor argumenta que nesta situação o produtor deve dar especial atenção ao retorno sobre o custo de alimentação (RCA).

O lucro de qualquer operação é dado pela resposta produtiva dessa operação, multiplicada pelo seu valor, subtraíndo-se o custo.

Lucro = (Resposta * Valor) - Custo

No caso da produção de leite, a resposta produtiva pode ser um aumento no volume de leite produzido, uma melhoria na qualidade do leite, uma melhor eficiência alimentar, ou uma combinação das possibilidades anteriores. Já o valor desta resposta é definido basicamente pelo preço do leite, com as respectivas bonificações por qualidade e volume, quando existem.

Quando se planifica a alimentação para um efetivo, o principal objectivo sempre uma situação de equilíbrio financeiro, ou seja, atingir o "break-even", ponto no qual cada euro gasto com a alimentação nos dá um euro de retorno em leite. Assim, na pior das hipóteses a operação tem que se pagar. Mas isto não é muito pouco? O autor afirma que sim. Um produtor de leite tem um considerável capital imobilizado no seu negócio (terra, animais, instalações, máquinas, etc.) e tem obrigação de lucrar mais do que simplesmente o "break-even".

É sempre bom relembrar que a alimentação representa o maior custo individual dentro dos sistemas de produção de leite, de modo que, as alterações no maneio nutricional do efetivo afetam de forma imediata a lucratividade de qualquer exploração. Uma prática bastante discutida por técnicos e nutricionistas, principalmente quando se trata de efetivos de alta produção, é a chamada segurança nutricional, que consiste em formular dietas acima das exigências do animal ou do lote. Isto justifica-se pelo facto de que a redução no desempenho produtivo, devido a uma deficiência nutricional, tem uma hipótese acrescida de ocorrer, sendo que, o custo associado a esta ocorrência é mais elevado que formular a dieta acima das exigências dos animais. A necessidade de garantir esta segurança nutricional surge principalmente quando há grandes variações na composição dos alimentos utilizados na exploração, tanto volumosos como concentrados.

Por exemplo, vacas recém-paridas respondem bem à suplementação proteica, e limitações no início da lactação, quando a produção diária da vaca está a subir, podem comprometer seriamente o pico de produção. É sabido que o volume de leite produzido no pico tem relação direta com o volume total produzido na lactação, pois cada kg de leite produzido a menos no pico, representa uma perda de 250 a 300 kg na lactação, de modo que não se pode tolerar reduções no pico de produção devido à falta de proteína. Assim, para garantir o desempenho, e compensar possíveis variações na composição dos alimentos utilizados neste período, principalmente forragens, é comum formularem-se dietas com 10 a 15% a mais de proteína para vacas no início da lactação. Porém, não se pode esquecer que proteína em excesso pode ser prejudicial à reprodução, então esta prática deve sempre ser adotada com cautela.

Se as forragens disponíveis não forem de grande qualidade, ou se o produtor utilizar quantidades elevadas de sub-produtos na dieta, que podem apresentar variação na composição nutricional, devido à inconsistência nos processos industriais, pode ser compensador adotar a garantia nutricional. Mas a resposta produtiva, que no nosso caso são kg de leite, tem que ser efetivamente vantajosa, pois quando o preço do leite está baixo, precisamos de mais leite para manter o RCA.

Outro ponto que exige muita atenção do produtor é a perda de alimentos na exploração. Na prática é impossível utilizar na totalidade os alimentos comprados, pois há muitas fontes de perda, desde o transporte, armazenamento até o fornecimento. Efetivos maiores conseguem manter um ritmo mais intenso no uso dos alimentos, o que minimiza as perdas, ficando geralmente entre 3 e 5%. Efetivos menores podem ter perdas até 3 vezes superiores, principalmente se o ritmo de utilização for muito lento. Quanto mais tempo o alimento fica armazenado, maior a hipótese de perdas, e o custo dessas perdas deve ser considerado, pois a quantidade comprada de alimentos invariavelmente é maior do que a fornecida.

Além das perdas diretas, o produtor também deve considerar a possibilidade de deterioração de alimentos, como a redução de qualidade, o que muitas vezes nem é percepcionado. Isto pode resultar numa redução do desempenho dos animais, além de poder causar doenças e intoxicações. Desta forma, o controlo das perdas quantitativas e qualitativas dos alimentos é um ponto de grande impacto no RCA, em qualquer cenário de preço do leite, e torna-se extremamente crítico quando este está baixo.

Analisando os aditivos que são adicionados à dieta com o objectivo de melhorar a utilização dos nutrientes, o custo dos aditivos é baixo, poucos cêntimos por vaca/dia, e em função desse baixo custo, normalmente não se questiona a sua eficácia. Muitos aditivos têm efetividade comprovada, apresentando uma relação custo: benefício favorável em muitas situações, mas isso não é regra geral, assim, mesmo tendo custo bastante reduzido, nas épocas de preço de leite baixo, o uso desses compostos deve ser revisto. Se a resposta à sua inclusão não for clara, a suspensão do uso deve ser seriamente considerada. O autor aconselha que apenas use os aditivos sobre os quais há informações conclusivas.

Outro aspecto que deve ser considerado com atenção é que a resposta produtiva das vacas leiteiras a mudanças na dieta não é rápida, ou seja, os efeitos dos alimentos ingeridos hoje só ocorrerão após algum tempo. Desta forma, decisões a respeito do maneio alimentar do efetivo, feitas a partir de observações a curto prazo, podem não ser as mais adequadas, devendo tomar-se como base, dados médios de observações a longo prazo. O desempenho de um efetivo pode ser ótimo hoje e medíocre daqui a trinta dias, e isso pode dever-se a um erro estratégico cometido hoje. Quanto melhor o produtor conhecer o seu efetivo, mais seguras serão as suas decisões sobre o maneio alimentar.

O autor resumiu em alguns pontos o que foi argumentado ao longo do artigo:

• O preço do leite na realidade não deve ser o determinante para se alterar o balanceamento da dieta das vacas.

• Escolher muito bem os alimentos a serem comprados, e reduzir as perdas na exploração. Pois são as perdas que podem também levar uma boa fatia do lucro da operação.

• Destinar toda a capacidade técnica disponível para a obtenção de forragens de alta qualidade.

• Avaliar muito bem todas as alternativas antes de formular uma dieta acima das exigências dos animais. Regra geral, a prática da segurança nutricional é vantajosa para vacas no início de lactação, principalmente quanto à proteína.

• Identificar os animais mais lucrativos do efetivo e dar uma atenção especial a eles. À medida que o preço do leite cai, o nível de produção a partir do qual uma vaca é candidata à secagem ou a refugo aumenta, e a decisão de tirar esse animal do efetivo deve ser tomada com base em critérios técnicos e financeiros;

Artigo original escrito com base na referência:


Chandler, P. T. - Feeding dairy cows during times of low milk prices- Southeast Dairy Herd Management Conference, 2003


 

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MARIA

MAIA - PORTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/01/2016

A esticar a esticar, qualquer dia so suplementamos a partir dos 45 dias e as outras vao compensar apenas na mangedoura silagem milho , silagem de erva.Nao podemos ir por a'i com toda a certeza.Desabafos da ressaca de fim de ano..........
MONTE DA TORRE

EM 22/02/2015

Outra solução é a utilização  de Forragem Verde Hidroponia. De acordo com os estudos desenvolvidos pela FAO , há um aumento na produção de leite em cerca de 18% e o aumento da gordura  em 15 %, isto com considerável redução nos custos da dieta alimentar.
ANDRE OLIVEIRA

AVEIRO - AVEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/02/2015

O mesmo leite com menos vacas como diz Ferrão. AS PERDAS estão directamente ligadas à qualidade da forragem (sobras na manjedoura). Concessionar parte da recria a um proprietário em regime semi extensivo. Indexar % de novilhas prenhes na exploração à vida útil (vida produtiva média)....
JOSÉ FERRÃO

LISBOA - LISBOA - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 04/02/2015

O único caminho é aumentar a produtividade por animal,por muito duro e cru que se lhe diga.para tal tem que se aproveitar todo o potencial dos animais que por genetica conseguem produzir muito acima do potencial técnico e de bem estar das explorações.quando contabilizas custo de oportunidade e vustos totais do campo, este so faz sentido produzir se for com qualidade e barato.com qualidade e caro, e como ter vacas de 60 litros que comem 6e que é espetacular mas depois so tens 10 e um estabulo com capacidade de 100 para pagar.por muito leite que derem tens prejuizo...
JOSE SIMOES

VAGOS - AVEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/02/2015

a solução esta na redução da produção de leite.resumindo e concluindo o produtor se trabalhar menos vai ganhar mais