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Cuidados fundamentais no processo de ensilagem

VÁRIOS AUTORES

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 06/11/2014

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Por Guilherme Fernando Mattos Leão1, Fernando Corazza Costa1 e Marlon Richard Hilário da Silva2

*Artigo Original MilkPoint Brasil

Silagem de qualidade é aquela que possui teor nutricional elevado, o mais próximo possível daquele observado na planta que lhe deu origem. Por ser um processo fermentativo, sempre haverá perdas na ensilagem, mas boa parte destas podem ser evitadas, as chamadas perdas controláveis, com a adoção de práticas simples. Várias etapas devem ser cumpridas antes e durante o processo de plantio, ensilagem e abertura do silo. Nesse texto, vamos nos ater ao manejo da lavoura, corte e fechamento do silo.

Plantio e Corte

Três pontos são extremamente importantes no manejo da lavoura: o nível de fertilização, a altura e o ponto de corte.

O nível de fertilização é importante por elevar a produção de matéria seca por hectare. Maiores níveis de adubação, essencialmente de ureia, propiciam aumento de produção, já que o nitrogênio possui relevante papel no metabolismo das plantas. No entanto, alguns estudos comprovam que a adubação nitrogenada de cobertura, acima de 180 kg.ha-1, não gera aumento de biomassa. Sendo assim, o ideal é não ultrapassar esse limite, o que evita aumento desnecessário dos custos de produção.

O esquema de adubação deve ser único para cada propriedade, pois depende da análise prévia do solo, com o objetivo de fazer uma correção eficiente. Para produzir silagem, o solo deve ser analisado com mais frequência que em áreas que se destinam à produção grãos, já que a colheita da planta inteira exporta muitos nutrientes e produz pouco retorno de matéria orgânica, o que gera empobrecimento mais rápido do solo.

Experimentos com diferentes alturas de corte nos fornecem informações muito importantes. Maiores alturas de corte aumentam a qualidade nutricional da silagem, em função da menor participação de colmos, que possuem menor valor nutricional. Por outro lado, geram perdas no campo, porque diminuem a produção de matéria seca ensilada por hectare.

O ponto ou momento de corte é essencial para a obtenção de uma boa silagem. A planta deve ser cortada quando o teor de matéria seca estiver dentro do recomendado, diminuindo, assim, a possibilidade de fermentações secundárias, especialmente por clostrídios, que se desenvolvem na presença de altos teores de umidade. Por outro lado, valores muito elevados de matéria seca dificultam a compactação da massa, gerando acúmulo de oxigênio residual e resultando em perdas na fermentação. No caso do milho, a faixa de matéria seca ideal fica entre 32 e 37%.

Uma maneira prática de verificar o ponto de corte é a análise da linha do leite. Este ponto reflete na planta quando passa da fase de grão farináceo para duro, o que representa de um a dois terços da linha do leite.

Outro ponto importante é o tamanho da partícula, que deve ter de 1 a 2 cm, de acordo com o separador de partículas Penn State (Penn State Par¬ticle Size Separator). O ideal é que 3% a 8% das partículas fiquem retidas na peneira superior (partículas > 19,0 mm), de 45% a 65% encontrem-se no estrato intermediário (entre 19,0 mm a 8,0 mm) e 30% a 40% fiquem retidas na peneira infe¬rior (partículas entre 8,0 mm a 1,67 mm). No máximo 5% das partículas deve ficar no fundo do equipamento (partículas < 1,67 mm).

Silagens com partículas muito grandes dificultam a compactação e, . consequentemente, maior será o tempo para que a anaerobiose se instale no silo. Isto aumenta as perdas e diminui o valor nutricional da silagem. Por outro lado,, partículas muito pequenas também não são desejáveis, pois possuem pouca ação física no rumem, reduzindo a taxa de mastigação e a produção de saliva e, consequentemente, o pH ruminal, causando acidose.

A manutenção e regulagem da ensiladeira também tem participação considerável no resultado final da silagem. A máquina deve ter capacidade de cortar uniformemente a planta e de quebrar o grão em partículas menores para que o amido seja exposto, levando ao melhor aproveitamento pelo animal. Quanto menor o tamanho da partícula do grão, maior a área de contato que as bactérias e enzimas do rúmen possuem para digestão do amido presente.

Compactação e Fechamento do Silo

A compactação tem o objetivo de retirar o oxigênio da massa ensilada e criar, rapidamente, um ambiente de anaerobiose. Dessa forma, proporciona uma melhor fermentação e qualidade final da silagem. O ambiente anaeróbico permite o desenvolvimento de diversas bactérias produtoras de ácidos graxos que, além de diminuir o pH, conservam e previnem o desenvolvimento de agentes nocivos, como, por exemplo, fungos produtores de micotoxinas.

Os níveis ideais de compactação variam de 600 a 700kg por m3 para silagem de planta inteira. No entanto, se existe uma etapa que o produtor pode exagerar é na compactação. Quanto mais compactado, melhor é a expulsão de oxigênio e mais rápida será a fermentação.

Todavia, vale ressaltar que o tempo entre o corte da planta e o fechamento do silo deve ser o menor possível, devendo ocorrer, preferencialmente, no mesmo dia. Após o corte, em uma tentativa de sobreviver, as plantas aumentam o consumo de carboidratos próprios e, por fim, começam a ativar enzimas proteolíticas, ocasionando perdas futuras na fermentação. Por isso, é essencial que a anaerobiose seja estabelecida rapidamente.

Quando o silo estiver cheio e compactado, inicia-se a última fase do processo, a vedação. Para manter um ambiente anaeróbio, a vedação do silo deve ser realizada da forma mais completa possível. Geralmente, utilizam-se, como cobertura, lonas plásticas dupla face para refletir o calor. Recomenda-se que as mesmas tenham uma espessura média de 200 micras e que as bordas sejam cobertas com terra ou outros objetos que impeçam a entrada de ar e água.

O isolamento do entorno do silo também é importante para evitar a entrada de animais e pessoas que possam romper a lona e prejudicar a vedação.

As práticas de produção de uma boa silagem são fundamentadas em bases simples como as descritas neste texto. O uso de tecnologias que visam melhorar a fermentação ou a pós-abertura são tendências naturais como, por exemplo, o uso de aditivos. Mas, vale lembrar que nenhum produto é capaz de corrigir erros de manejo na produção da silagem.

¹Médico Veterinário, Consultor Técnico da Costa & Leão Consultoria Agropecuária.
²Médico Veterinário, MSc, Professor do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Centro Oeste.


 

GUILHERME FERNANDO MATTOS LEÃO

Doutorando em Zootecnia e Supervisor de Assistência Técnica na Cooperativa Castrolanda Agroindustrial.

MARLON RICHARD HILÁRIO DA SILVA

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