FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA PASSWORD SOU UM NOVO UTILIZADOR

Fibra para as vacas leiteiras: novo conceito

POR MARCELO HENTZ RAMOS, PHD / DIRETOR

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 16/03/2015

2
0
*Artigo original MILKPOINT Brasil
Por Marcelo Hentz Ramos – PhD / Diretor 3rlab


Entre os dias 21 a 23 de outubro de 2014 ocorreu a conferência anual de nutrição da universidade de Cornell. Este evento já vem sendo organizado há 76 anos e encontraram-se presentes grandes nomes da nutrição de ruminantes. O evento contou com uma palestra de um grupo de investigadores que tem focado as suas atenções no entendimento sobre o comportamento da fibra para vacas leiteiras. O grupo, liderado por investigadores do Instituto William H. Miner, discutiu a importância da correta determinação e da aplicação do conceito de fibra indisponível para o animal (NDFi) e o impacto desta na formulação de dietas para vacas leiteiras.

Porque queremos saber a porção da fibra que não está disponível para o animal? Porque esta é um marcador para digestibilidade da fração fibrosa. Há muito tempo que se utiliza a lignina como um marcador para digestibilidade da fibra. Entretanto, a apresentação destes investigadores deixou claro que não existe uma relação entre a quantidade de lignina na planta e a digestibilidade da fibra. A explicação utilizada é que lignina é formada por vários compostos e a sua localização na planta, bem como os componentes que a formam é que ditam a porção da fibra que estará disponível para fermentação.

Os investigadores entendem que um marcador com melhor relação com o que acontece com a vaca é a fração da fibra que não é fermentada no rúmen após 240 horas (NDFi240hrs, 10 dias). A quantidade de fibra disponível no rúmen (NDF) menos a quantidade que está indisponível (NDFi240hrs) resulta na quantidade de fibra que estará susceptível a fermentação (NDFpd). É nesta fração de fibra que iremos aplicar a velocidade de degradação (kd) e a velocidade com que a mesma deixa o rúmen (kp).

Mas qual a importância prática deste novo conceito para os nutricionistas?

A resposta é simples: é esta fração que dita quanto a vaca vai comer. Para provar esta afirmação, os investigadores realizaram um ensaio na Universidade de Bolonha – Itália. As vacas receberam duas dietas, uma de alta digestibilidade (feno de alfafa de alta digestibilidade) e outra de baixa digestibilidade (feno de alfafa de baixa digestibilidade). O consumo de matéria seca foi 5 kg superior para o grupo que recebeu a dieta de alta digestibilidade (29 kg vs 24 kg). A percentagem de NDFi240hrs em relação ao peso corporal das vacas foi próximo de 0.4.

Como podemos aplicar este conceito nas nossas explorações? Necessitamos de entender que as forragens apresentam uma grande variação na capacidade de utilização pelo animal. De uma maneira muito simples, quando a forragem possuir fibra "boa" (baixo NDFi240hrs) esta deve ser oferecida em maior percentagem na dieta sem afetar a produção de leite, reduzindo o custo de produção do leite. Em casos de forragem com fibra "má" (alto NDFi240hrs), esta deve ser oferecida em percentagens menores pois certamente estará a ter impacto no consumo de matéria seca pelos animais.

MARCELO HENTZ RAMOS, PHD / DIRETOR

Tecnologia americana gerando resultados no agronegócio Brasileiro.

2

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint.PT, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

ANTÓNIO LUIZ GOMES

SANTARÉM - SANTARÉM - PESQUISA/ENSINO

EM 24/03/2015

Dr. Ramos, muito obrigado pela sua explicação. O seu artigo foi a primeira referência a este novo conceito que eu vi. Quando procurei mais informação na internet, deparei-me com as dificuldades de que falo. Apesar da crescente produção de literatura científica e técnica em português, principalmente graças ao Brasil, acho que todos os técnicos têm mesmo de aprender inglês.
ANTÓNIO LUIZ GOMES

SANTARÉM - SANTARÉM - PESQUISA/ENSINO

EM 23/03/2015

Importante chamada de atenção para um novo conceito que poderá representar uma mudança de paradigma. Ao mesmo tempo, este artigo exemplifica problemas que podem resultar da adaptação das siglas à tradução das designações.

O novo conceito de "NDF não digerida" é representado, em inglês, por uNDF (undigested NDF). Por outro lado, iNDF representa o conceito tradicional de "NDF não digestível" (indigestible NDF). É este o tal parâmetro determinado com base na relação lenhina/NDF. Se, em português, convertemos uNDF em NDFi, dois problemas podem surgir ao leitor: 1. dificuldade de acesso à bibliografia original, em inglês, sobre a matéria, e 2. confusão de uNDF/NDFi com iNDF.