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Ingestão de alimento

POR PAULO ARANHA

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 27/02/2014

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A capacidade de ingestão de matéria seca (MS) é o primeiro factor limitante da grande generalidade das dietas. Logicamente, o primeiro procedimento a ter durante o processo de arraçoamento é estimar a capacidade de ingestão; numa segunda fase determinar as necessidades em energia, proteina (amino ácidos), minerais e vitaminas necessários para atingir os objectivos desejados. Numa terceira fase é necessário identificar os valores nutricionais de cada alimento. Por último relacionar a capadicade de ingestão, com as necessidades nutricionais com os valores nutricionais de cada alimento.

Assim é possivel ao longo das semanas de lactação variar a densidade energética / nutricional (MJ /kg MS) da dieta em função da capacidade de ingestão.

No inicio da lactação existe um desfazamento entre a capacidade de ingestão e as necessidades nutricionais, isto porque nesta fase a capacidade de ingestão é menor o que obriga ao aumento da densidade nutricional da dieta nesta fase (Figura 1).



Controlo da ingestão

O controlo da ingestão envolve um complexo sistema neuro-endócrino, onde existem factores mecânicos (regulação física) e químicos (regulação metabólica). No reticulo-rúmen e no intestino existem mecano-receptores que detetam a distenção destes na presença de alimento, receptores que detectam a pressão osmótica do rúmen, temperatura e a presença de ácidos gordos volateis (ácido acético, propióinco e butírico) resultantes da fermentação / digestão ruminal. A informação é transmitida via nervo vago ao tronco cerebral, núcleo do trato solitário. A activação do núcleo do trato solitário leva à activação no hipotálamo do núcleo infundibular, este contém dois tipos de neurónios com efeitos diferentes, dependo a situação poderá estimular ou inibir a ingestão. Ambos os tipos projectam-se para o núcelo paraventricular do hipotálamo e para o cortex.

Em suma, o controlo da ingestão involve factores físico (regulação física) e químicos (regulação metabólica), por exemplo se a energia ingerida não satisfazer as necessidades nutricionais, o animal sentirá fome e tenderá a ingerir mais alimento. No caso de terem sido ingeridos alimentos fibrosos e baixa digestibilidade o transito ruminal é menor o que leva à distenção do rúmen e consequente saciedade, mas no entanto as necessidades nutricionais não foram satisfeitas.


Capacidade de ingestão

A capacidade de ingestão depende do animal e principalmente da raça, da idade, do peso vivo, assim como da condição corporal, da produção leiteira, da fase da lactação e da fase da gestação. No entanto o peso vivo e a produção leiteira são os factores com maior influência na ingestão (Tabela 1). A Figura 2 exemplifica as variação da capacidade de ingestão ao longo da lactação e do número da lactação.




Previsão matemática da ingestão

Existem vários modelos matemáticos desenvolvidos para estimar a capacidade dos bovinos como por exemplo: ARC 1993, NRC 2001, CNCPS, FeedintoMilk, CVB 2008, INRA 2010, NorFor 2011. Os parâmetros usados são em cada modelo variam, no entanto os principios são similares.



Em suma, o inicio de um correcto arraçoamento começa pela indentificação da capacidade de ingestão. Diariamente devem ser implementadas todas estratégias possíveis para potenciar a ingestão de matéria seca pois terá um impacto na produção.

Referências

1. CVB (2008) Dairy Cattle, CVB Tablet Booklet Feeding of Ruminants, Feeding standards, feeding advices and nutritional values of feeding ingredients. CVB-series nº 43, 7-26
2. Dryden G McL (2008) Voluntary Food Intake. Animal Nutritional Science Cabi University Press 162-179
3. Hutjens M (2003) Chapter 3 Optimizing Dry Matter Intake, Feeding Guide, Hoar´s Dairyman, Second Edition, 21 -23
4. INRA (2010) Alimentation des vaches laitières. Guide pratique - Alimentation des bovins, ovins et caprins. Besoins des animaux – Valeurs des aliments. Éditions Quae, 23-59
5. Keady T W J, Mayer S, Offer N W and Thomas C (2004) Prediction of Voluntary Intake. Feed Into Milk A new applied feeding system for dairy Cattle. Thomas C. Nottingham University Press, 1-10
6. NRC (2001), Dry Matter Intake, Nutrient requirements of dairy cattle, National Academy Press, 7th Edition, 3-12
7. Marcussen D and Laursen A K (2008) Feeding. The Basics of Dairy Cattle Production. Landbrugsforlaget. 21-66


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