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Okara: coproduto com grande potencial de inclusão em dietas de vacas leiteiras

POR THOMER DURMAN

E GERALDO TADEU DOS SANTOS

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 09/12/2015

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*Autores do artigo:

Thomer Durman: Programa de Pós-Graduação em Zootecnia (PPZ) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) – Doutorado.

Geraldo Tadeu dos Santos: Professor Titular do Departamento de Zootecnia e do PPZ/UEM.


Para que um sistema produtivo seja eficiente é necessário aliar bons índices zootécnicos com máxima eficiência económica. Para tal, procuram-se ferramentas e estratégias que visem uma produtividade com menor custo possível, sem deixar de atender a todas as exigências nutricionais, sanitárias, reprodutivas, com boas práticas de maneio, saúde e bem-estar animal. A utilização de coprodutos da agroindústria tem por objetivo responder a este desafio, bem como direcionar corretamente um resíduo industrial de relevante impacto ambiental descartado incorretamente. Porém, com representativa produção, mas pouco explorado, o okara, ou resíduo de polpa de soja, apresenta-se como um produto com grande potencial de utilização em dietas de vacas leiteiras. O okara destaca-se pelo baixo custo, bom valor. O coproduto de soja é resultado de moagem húmida do processo de obtenção do extrato aquoso de soja (leite de soja) ou queijo-tofu, e após ser desidratado,  apresenta-se como uma farinha que mantém a boa qualidade nutricional e pode ser adicionado como ingrediente nas dietas de vacas leiteiras.

O nutriente mais oneroso de uma dieta é a proteína, o qual está geralmente em deficiência nas pastagens e volumosos em geral, assim, para responder às exigências nutricionais de vacas em lactação, é preciso utilizar ingredientes que supram a tal necessidade, geralmente optando-se pelo farelo de soja, o qual possui uma alta concentração proteica (45% +- de proteína bruta), porém tem se tornado cada vez mais caro, fazendo com que o custo final da dieta se eleve. Em contra partida, o okara também apresenta boa porcentagem de proteína bruta (+- 31%) e óleo (+-8%) na composição, bem como sem ter um custo elevado, sendo em alguns lugares descartado ou utilizado para adubação.

Entretanto, o okara deve ser seco rapidamente, devido ao alto conteúdo de humidade (aproximadamente 80%), desta forma pode-se evitar deterioração e contaminação microbiana do produto e prolongar o período de utilização. Durante a secagem, um dos aspectos mais importantes a serem considerados é a preservação da qualidade da proteína, a qual pode ser afetada pelas condições de secagem.

Figura 1 - Okara na sua matéria natural (base húmida).


Desta forma, para ilustrar o potencial de utilização do okara para vacas leiteiras, o Núcleo Pluridisciplinar de Pesquisa e Estudo da Cadeia Produtiva do Leite do Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) tem realizado ensaios com a utilização deste ingrediente tão pouco conhecido. Assim, para demonstrar um método de secagem acessível aos produtores rurais, o okara obtido numa agroindústria da cidade de Maringá, foi distribuído uniformemente numa superfície para secagem de forma natural. É importante que a camada de okara para secagem seja o mais fina possível e que seja revolvida ao menos 2 a 3 vezes ao dia, para que se evitem moscas e fungos. Mais, deve ser escolhido um local na propriedade que tenha acesso a mais horas de sol ao dia possível. Após seco o okara deve ser moído e armazenado em local em local seco e protegido.

Para mistura no concentrado, o produtor pode incluir de 10 a 30% (base na matéria natural). Incluindo-se 30% de okara, por exemplo, para cada 100 kg de ração misturada, 30 kg serão de okara, sendo os 70 kg restantes de outros ingredientes como milho, farelo de soja, sal mineral, etc. Em quantidades suficientes para responderem às exigências nutricionais das vacas.

Figura 2 - Okara em processo de secagem natural.


Em pesquisa na UEM, foram testados os níveis de 0% (sem okara na ração), 10%, 20% e 30% de inclusão de okara no concentrado. Foram avaliadas a produção de leite (corrigida para 4% de gordura) e a composição do leite (gordura, proteína, lactose, CCS e NUL). Os resultados (Figura 1) demonstraram uma produção e qualidade do leite semelhante entre os animais, independente de quanto havia de okara na dieta, demonstrando que é possível reduzir os custos da dieta, sem alterar a produtividade dos animais e a qualidade do leite produzido.

A produção de leite e a porcentagem de gordura no maior nível de inclusão de okara são inferiores comparadas à dieta sem okara na composição. Esta redução de 2 litros na produção de leite e da mudança de 3,2 para 2,8 no percentual de gordura ocorre devido à alta concentração de óleo e fibras no okara, fazendo com que se tenha redução na produção de gordura pela glândula. Entretanto, considerando que o custo da dieta é bem menor, mesmo com a redução na produção, a inclusão é economicamente viável.

Figura 3 - Produção de leite (corrigida para 4% de gordura) e qualidade do leite de vacas alimentadas com diferentes níveis de okara na dieta.


A decisão do produtor quanto a utilização deste coproduto na alimentação deve ser tomada a partir de análise de viabilidade de utilização e comparando ao custo de mercado do farelo de soja. Em adição, deve-se ter conhecimento da proximidade com a agroindústria, para que o frete não encareça muito o coproduto. No Brasil, a cotação de setembro de 2015 para comercialização de farelo de soja foi de R$1,30/kg, já o okara seco custou R$ 0,26, fazendo com que as formulações que possuam mais okara em sua composição apresentem custo inferior. Para formulação dos concentrados utilizados no experimento teve-se o custo da menor para a maior inclusão de okara (0, 10, 20 e 30%) de R$ 0,75; R$ 0,71; R$ 0,67; R$ 0,62. Portanto, podemos economizar até 10,7% quando se faz a inclusão de 20% de okara na formulação de concentrado, sem que haja diminuição na produção de leite e de seus componentes, demonstrando grande potencial de otimização dos lucros da propriedade leiteira com a inclusão de okara como ingrediente de formulações de ração para vacas em lactação.
 

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