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Porque é que a silagem não fermentou?

O autor deste texto, Keith A. Brian, técnico da CHR Hansen Animal Health and Nutrition, já analisou e compartilhou os resultados de vários milhares de amostras de forragens nos últimos anos, e quando o perfil de fermentação não se encontra conforme a expectativa do produtor leiteiro, invariavelmente, esta pergunta é feita:
“Porque é que a silagem não fermentou?”

A resposta a esta questão pode ser elaborada de diversas formas mas sintetizando: “A silagem fermentou, mas não da forma que o produtor desejava.”

A fermentação, que ocorre na preservação da colheita agrícola, colhida uma ou várias vezes por ano para armazenamento e alimentação subsequente, é a conversão de açúcares em ácidos, álcoois e gases, na ausência de oxigénio (ambiente anaeróbio).

Embora existam vários potenciais produtos finais que podem resultar da fermentação de milho, alfafa ou outras culturas para a silagem, a fermentação deve ser impulsionada por bactérias lato-produtoras (BAL) obtendo como produtos finais o ácido lático, e, em menor quantidade, ácido acético.

A chave para o sucesso da fermentação é a conversão de açúcares em ácido lático pelas BAL. Assim, quando obtemos uma silagem sem o perfil que desejamos, devemos fazer a pergunta "Porquê?" em retrospectiva. Há quatro razões principais pelas quais as culturas podem não ter fermentado corretamente:

1. Falta de hidratos de carbono hidrossolúveis.

Como previamente definido, a fermentação requer açúcares como substrato metabólico para as bactérias e estes estão quase sempre na forma de glicose, frutose ou sacarose. Geralmente, durante o corte são libertados hidratos de carbono hidrossolúveis suficientes para garantir a fermentação adequada, mas, por vezes existem contratempos.
No caso cair chuva ou orvalho intenso, os hidratos de carbono hidrossolúveis podem ser lavados da forragem e ao ser ensilada a actividade das BAL fica limitada.

2. Falta de atividade bacteriana.

Cada planta tem uma população significativa de microflora que ocorre naturalmente, nesta estão incluidas BAL, enterobactérias, leveduras, bolores, clostrídios e bacilos, entre outros, sendo que o conjunto é conhecido como os microrganismos epífitas.

Estes microrganismos produzem uma grande variedade de produtos metabólicos durante o processo de ensilamento, alguns dos quais prejudiciais para a fermentação ideal da cultura no silo. Se os números ou proporções de organismos indesejáveis forem suficientes para suprimir a atividade dos organismos desejáveis, não ocorrerá a fermentação que é pretendida.

Um exemplo de fator de risco é, optar por não aplicar um inoculante já com efeitos comprovados. “Porque não gastar cerca de 1 $EUA por tonelada de forragem para aumentar a hipótese de uma fermentação favorável?” Conhecendo o valor da forragem correctamente fermentada para o sucesso a longo prazo e a sua rentabilidade do leite, parece insensato não considerar seriamente o retorno sobre o investimento de um inoculante para a obtenção de silagem com qualidade.

De realçar que muitas vezes o equipamento que aplica o inoculante não está a funcionar correctamente. A dose aplicada é errada, ou não fica bem dispersa, ou, no pior dos casos, simplesmente não é aplicado o inoculante. Se já se investiu no inoculante, é da máxima importância verificar também a máquina.

Também há muitos casos em que foi aplicado o inoculante, mas este não funcionou. “Será que as BAL do inoculante estavam vivas quando aplicadas?” Temperaturas próximas de 38 ºC matam as BAL do inoculante, e bactérias mortas não vão fermentar a forragem, independentemente de quantas forem aplicadas. De assinalar também que temperaturas muito frias de aplicação inibem o crescimento das bactérias. Nestes casos é aconselhável proporcionar substrato extra para elas se desenvolverem, por exemplo, adicionar propilenoglicol.

3. Efeito Tampão


O efeito tampão pode ser outro fator de risco, um exemplo de cultura em que isto pode ocorrer é a alfafa. A alfafa é rica em proteínas, cálcio e outros minerais, e pobre em hidratos de carbono hidrossolúveis. As proteínas e os minerais podem ter um efeito tampão no processo de silagem, de modo que, não se consegue alcançar um pH suficientemente baixo e por consequente, níveis elevados de ácido lático.

4. Outros fatores…

Mesmo quando todo o esforço é colocado na criação das melhores condições de fermentação favorável, o resultado pode ser desfavorável. Quer se tratem de enterobactérias, leveduras, fungos, bacilos, clostrídios ou fatores humanos, por vezes não é possível ganhar a batalha.

Pode ser que a colheita não tenha sido feita nas condições ideais e a humidade não seja adequada, ou de alguma forma a silagem ficou demasiado exposta ao oxigénio.
Pode também acontecer a análise ter sido mal recolhida e não ser representativa da grande maioria da forragem no silo.
Independentemente do que possa ter acontecido é da maior importância compreender o que correu mal para conseguir melhores resultados no ano seguinte.

*Este artigo é original do Progressive Dairyman, e foi traduzido e adaptado pela equipa do MilkPoint.

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