FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA PASSWORD SOU UM NOVO UTILIZADOR

Que quantidade de forragem devemos dar?

POR NUNO PALMA PINHEIRO DA SILVA

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 05/02/2014

2
0
De acordo com o exposto no ultimo artigo a qualidade do alimento forrageiro de base, indispensável a uma boa saúde e eficácia de conversão alimentar dos ruminantes, avalia-se em sentido mais geral pela composição relativa da Fibra nos componentes FND – Fibra Neutro Detergente, FAD – Fibra Ácido Detergente, e Linhina.

São estes elementos, determinados em laboratório, que “nos dizem” se um alimento fibroso “enche mais ou menos”, se o mesmo alimento é mais rápida ou mais lentamente degradado no rumen, se é susceptível de fornecer mais ou menos energia à flora microbiana ruminal e consequentemente ao animal. Em relação às necessidades de alimento fibroso na dieta de animais ruminantes verifica-se uma oscilação muito grande em relação à proporção normal de alimentos forrageiros/alimentos concentrados na dieta. Se num extremo temos os ruminantes em regime extensivo cuja dieta é constituída unicamente por alimentos fibrosos, normalmente consumidos em pastoreio, num nível intermédio temos regimes alimentares de animais de engorda ou mesmo de vacas leiteiras de baixas ou médias produções em que a relação de alimentos forrageiros deverá ser pelo menos, e em termos gerais, 50 % ou idealmente 60% do total da matéria seca da dieta, no outro extremo temos as vacas leiteiras de alta produção em que a relação forragem/concentrado deverá ser optimizada ao máximo. Esta optimização permite, como referido no artigo anterior, obter não “o melhor de dois mundos” já que isso é impossível, conjugar um alimentação de base que, ao mesmo tempo, forneça o máximo de energia utilizável pela flora ruminal mas que todavia providencie o funcionamento e o equilíbrio ruminal e ainda que “encha” o rumen o mínimo possível para “deixar mais espaço” para os alimentos concentrados que fornecem o suplemento de energia, proteínas, vitaminas e minerais necessários às elevadas produções e aos regimes de exploração intensiva .

Uma vaca leiteira tem uma capacidade de ingestão aproximada de 3,5 % do seu peso vivo, em matéria seca. Significa que uma vaca de 600 kg de peso vivo terá uma ingestão diária de aproximadamente de 21 kg de matéria seca de alimento e destes sensivelmente 50 %, ou seja, 10,5 kg, deverão ser fornecidos através de alimentos fibrosos – silagem de milho ou outra, feno de luzerna, feno azevém, palha de trigo ou cevada, os mais correntemente usados no nosso país. Duma forma mais objectiva e científica e de modo a conseguir a máxima optimização referida acima os arraçoamentos para vacas leiteiras de alta produção devem ser calculados de forma a que a Fibra Neutro Detergente – FND, se situe entre os 28 % e os 33 % da matéria seca da dieta e a Fibra Ácido Detergente - ADF, entre os 19 % e os 22 % da matéria seca da dieta.

Outros factores não podem ser descurados e que afectam na hora de calcular a quantidade adequada de fibra da dieta, sempre tendo em vista uma maximização do funcionamento e produtividade ruminal, tais como o estado da curva de lactação dos animais, o tamanho das partículas dos alimentos fibrosos da mistura “Unifeed” ou mesmo se se tratam de animais de 1ª ou 2ª barrigas em que capacidade ruminal é inferior a um animal adulto. Em nenhum caso o valor da FND proveniente das forragens que compõem o arraçoamento deve exceder 1,1% do peso vivo do animal pois acima deste nível a FND pode limitar a capacidade de ingestão de alimentos e comprometer a produção.

Nuno Palma P. Silva


ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint.PT, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

NUNO PALMA PINHEIRO DA SILVA

2

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint.PT, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

NUNO PALMA PINHEIRO DA SILVA

LISBOA - LISBOA - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 20/02/2014

tem toda a razão caro José Ferrão, hoje há animais de produção de leite com pesos muito acima dos 600 kg; pretendi apenas dar uma referência de peso mas admito que "viciada" talvez com a experiência de trabalho em explorações em que o peso dos animais tipo se situa mais próximo daqueles valores. Obrigado
JOSÉ FERRÃO

LISBOA - LISBOA - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 12/02/2014

Parabéns pelo artigo, apenas queria comentar que hoje em dia vale a pena refletir que existem vacas, principalmente Holstein, com bastante mais do que 600kg, ou melhor uma vaca com 600kg pode ou ser uma animal está com baixa condição corporal ou uma novilha que não teve um bom crescimento na fase de recria, o que pode alterar um pouco a maneira de pensar em relação á capacidade máxima de ingestão. Eu costumo pesar bastantes vacas Holstein e não é assim tão raro encontrar vacas com 1000 ou 1100kg.