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Silagem de milho: Importância do dispositivo para cortar os grãos

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

E RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 28/03/2014

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A forma utilizada para cortar as plantas tem papel fundamental no processo de ensilagem, pois a sua função não é apenas separar a planta do solo, mas também cortar os grãos num determinado tamanho que seja satisfatório para que haja fermentação de qualidade e posteriormente seja favorável ao consumo e desempenho animal.

No Brasil, existem dois tipos básicos de máquinas para a colheita da planta de milho, as que são acopladas ao trator (colhem uma ou duas linhas) e as automotrizes (colhem de quatro a oito linhas), que vêm a aumentar no mercado brasileiro, por serem utilizadas na alocação de serviços a terceiros.

A regulação "teórica" do tamanho de partícula da forragem nestes dois modelos de máquinas pode variar de 0,8 a 3 cm. Porém, é importante notar que em algumas explorações o tamanho de partícula observado ultrapassa os 10 cm, devido a falta de manutenção (afiamento das facas e ajuste de facas e contra facas) nos equipamentos e também é muito comum a observação de grãos inteiros nas fezes de animais alimentados com silagem de milho, sendo que parte deste problema pode estar ligado ao estágio de maturação dos grãos, mas o tipo de máquina e o cuidado que é dedicado a ela são os grandes responsáveis por este tipo de perda.

As automotrizes, além de possuírem dispositivo para romper os grãos também apresentam um sistema de regulação (grão mais ou menos quebrado), contudo, nas máquinas nacionais de menor porte este dispositivo nem sempre está presente.

Trabalhos americanos (Bal et al., 2000; Kuehn et al. 1997) mostraram que não houve um efeito do tamanho de partícula entre 0,95 e 1,9 cm sobre a produção de leite. Esses estudos também indicaram que o tempo de ingestão, mastigação e ruminação não foi afetado pela diferença do tamanho de partícula quando a silagem de milho foi inserida como parte da dieta total. Contudo, é extremamente importante recordarmos que o tamanho de partícula influencia na compactação da silagem. Tamanhos superiores a 1,5 cm podem resultar em silagem com baixa densidade, sobretudo nas camadas periféricas do silo e quando a forragem apresenta concentração de matéria seca superior aos 35%.

Em relação à ação do dispositivo para romper os grãos, os efeitos sobre a ingestão e produção de leite foram bastante evidentes. Bal et al. (2000) observaram um efeito positivo sobre o consumo (25,9 vs. 25,3 kg de MS/dia) e sobre a produção das vacas (46,0 vs. 44,8 kg/dia) quando estas foram alimentadas com silagem de milho que apresentavam ou não os grãos cortados. O efeito do corte dos grãos parece ser devido ao aumento na digestibilidade do amido que passou de 95,1 para 99,3%, nas silagens com grãos cortados. Johnson et al. (1999), confrontando diversos estudos sobre a presença de grãos cortados, mostraram que o aumento na produção pode variar de 0,2 a 2,0 kg de leite/vaca/dia.

Portanto, a aplicação de tratamentos à forragem no momento da ensilagem tem como objetivo melhorar as características do processo de conservação, visando não só diminuir as perdas, mas também obter um produto de valor nutritivo elevado que permita maior consumo e consequente desempenho animal favorável.

A máquina que está a ser utilizada e a sua manutenção será essencial para o desempenho da produção. Lembre-se, que durante a ensilagem de milho, a maioria dos grãos deverá sofrer pelo menos um corte, decorrente da ação mecânica do equipamento e, que o ajuste de máquinas dentro da exploração não custa dinheiro, apenas um pouco de tempo e paciência.

Bibliografia consultada:

BAL, M.A.; SHAVER, R.D.; JIROVEC, A.G.; SHINNERS, K.J; COORS, J.G. Crop processing and chop length of corn silage: effects on intake, digestion, and milk production by dairy cows. Journal of Dairy Science, v. 8, 1264-1273, 2000.

KUEHN, C.S.; LINN, J.G.; JUNG, H.G. Effect of corn silage chop length on intake, milk production, and milk composition of lactating dairy cows. Journal of Dairy Science, v. 80, 219 (Abstract), 1997.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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