FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA PASSWORD SOU UM NOVO UTILIZADOR

Silagem: nova lona traz benefícios financeiros para o produtor

POR THIAGO FERNANDES BERNARDES

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 03/03/2015

0
0
Há quinze anos investigadores estrangeiros foram convidados para uma reunião técnica no Brasil com o intuito de comentar o que havia de novo na área de produção e uso de silagens. Entre as inovações tecnológicas apontadas por eles se destacaram: i) equipamentos (automotrizes; embaladoras de fardos), ii) estruturas de estocagem (silo "bolsa" e silo "bola") e iii) inoculantes. Atualmente, todas essas tecnologias estão disponíveis no Brasil em maior ou menor escala, de acordo com a região e condições financeiras dos produtores. Isso mostra que a conservação de forragens vai avançando e que o Brasil tem absorvido os métodos disponíveis.

Uma questão levantada naquela reunião foi a necessidade de filmes plásticos (lonas) de melhor qualidade, pois os materiais a base de polietileno (principal material utilizado para produzir as lonas) não se mostravam tão efetivos. Desse modo, nesses últimos dez anos vários estudos foram conduzidos com o objetivo de se encontrar um plástico que promovesse uma maior barreira ao ar, ou seja, que diminuísse a níveis mínimos a quantidade de oxigénio que pudesse penetrar da atmosfera para dentro do silo, pois a lona é o ‘divisor de águas’ entre esses dois ambientes.

A primeira lona surgida após estes estudos foi a que associava o polietileno a poliamida, pois esta última oferece maior barreira ao ar. Contudo, o plástico não foi aprovado totalmente pelos produtores porque era um material muito rígido e com tendência a rasgos. Desse modo, uma segunda geração de lona com barreira ao oxigênio foi desenvolvida por meio da substituição da poliamida pelo etileno vinil álcool. Então, a indústria plástica iniciou a produção deste plástico em larga escala e o mesmo passou a estar disponível no mercado mundial.

Recentemente foram publicados os resultados de um estudo num dos jornais científicos mais importantes do mundo comparando este novo plástico ao convencional de polietileno. Um dos aspectos interessantes mostrados foi o retorno financeiro trazido ao produtor quando se usa uma lona de melhor qualidade. Para tal cálculo os investigadoes analisaram a quantidade de silagem que se deteriorou sob cada lona, o preço da tonelada de silagem em condições de mercado, o tempo para descartar a silagem deteriorada, o custo empenhado neste serviço e o preço dos plásticos. Este estudo foi realizado em condições de campo, ou seja, vivenciando o dia a dia das explorações.

Embora o novo plástico apresente um custo mais alto, o uso dele reduziu a quantidade de silagem deteriorada e, consequentemente, houve diminuição do trabalho para eliminar esta parte da massa que não pode ser servida aos animais. Assim, houve um benefício médio de 2,12 dólares por tonelada ensilada quando a silagem foi coberta com a nova lona. 

Cabe ressaltar que somente um plástico de melhor qualidade não é suficiente para evitar ou reduzir perdas. Esta tecnologia deve vir sempre acompanhada de um bom maneio. Os produtores devem evitar principalmente stock de silagem acima das paredes quando se usa um silo trincheira e quando o silo estiver aberto devem adotar uma taxa de retirada de no mínimo 30 cm por dia ao longo de todo o painel.

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint.PT, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.