*Artigo original do MilkPoint Brasil
Num artigo anterior discutiu-se acerca da armazenagem de grãos de milho na forma de silagem, ressaltando a capacidade do silo bolsa. Neste artigo, abordaremos o mesmo assunto, mas com o objetivo de caracterizar a digestibilidade desta silagem ao longo do armazenamento"
Então surge a questão:
porque otimizar o tempo de armazenamento? Ao longo do período de conservação, os microrganismos crescem na massa ensilada devido aos nutrientes presentes na mesma. Recentes estudos mostraram que estes microrganismos e as enzimas presentes na planta ou nos grãos de milho são capazes de degradar a matriz proteica que recobre os grãos de amido. Esta matriz impede que o amido seja degradado no rúmen e no intestino do animal. Portanto, este facto é considerado positivo. Para que esta quebra aconteça, é necessário um período de tempo mínimo, pois as mudanças na silagem ocorrem lentamente.
Uma pesquisa avaliou
silagens de grãos húmidos e
reidratados de milho sob dois tamanhos de partícula (grosseiro ou finamente moído, < 2mm) ao longo de 300 dias de conservação (Figura 1). O endosperma do híbrido utilizado para ambas as silagens é caracterizado como duro. Todas as silagens tiveram incremento em digestibilidade do amido durante o período de armazenamento; contudo, elas apresentaram um ganho mais acentuado em diferentes períodos.
As silagens de grãos húmidos tiveram um primeiro pico aos 35 e 71 dias para picagem fina ou grosseira, respectivamente. Até estas datas, os incrementos em digestibilidade foram de 0,46% e 0,30%/dia, respectivamente. A partir destes pontos, o ganho foi de 0,03%/dia para ambas.
Em relação às silagens de grãos reidratados, os picos ocorreram aos 52 e 50 dias para picagem fina ou grosseira, respectivamente. Até estas datas, os incrementos em digestibilidade foram de 0,52% e 0,23%/dia, respectivamente. A partir destes pontos, os ganhos foram de 0,05% 0,03%/dia, respectivamente.
Figura 1. Degradabilidade das silagens de grãos húmidos e reidratados de milho com partículas grosseiras (linhas cheias) ou finas (< 2 mm, linhas tracejadas) sob diferentes tempos de armazenamento. A vermelho estão indicados os tempos que estas silagens tiveram o primeiro e mais intenso pico de digestibilidade. Fonte: Da Silva, 2017. 
Portanto, esses resultados mostram que o tempo de armazenamento em silagens de grãos de milho pode ser controlado de forma que a digestibilidade do amido seja explorada. As silagens de grãos húmidos devem permanecer armazenadas até 35 ou 70 dias, dependendo do grau de moagem. Para as silagens de grãos reidratados, o tempo mínimo seria de 50 dias, independentemente do tamanho das partículas.
Literatura consultada: Da Silva, N.C. Características das silagens de grãos de milho influenciadas pela reidratação e pela inoculação com L. buchneri sobre o desempenho de bovinos de corte confinados. 2017. Tese de Doutorado.
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