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Silagens de milho armazenadas por períodos prolongados - Quanto leite a mais?

POR JOÃO LUIZ PRATTI DANIEL

E ALEXANDRE M. PEDROSO

NUTRIÇÃO, FORRAGENS & PASTAGENS

EM 04/06/2015

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*Artigo original MilkPoint Brasil

Num artigo publicado anteriormente (Silagens de milho armazenadas por mais tempo são mais digestíveis e mais estáveis.) ficaram evidentes os ganhos de digestibilidade e estabilidade aeróbia ao longo da fermentação. Assim sendo, a pergunta que surgiu aos autores foi: “Quantos litros de leite a mais poderiam as vacas produzir se, ao invés de 3 semanas, eu esperasse 4 meses para abrir o silo?”

Para responder a esta pergunta, os autores elaboraram uma simulação utilizando o NRC Dairy Cattle (2001), visto que não há investigações publicadas que respondam à questão apresentada. As dietas foram simuladas com o objetivo de atender às exigências de vacas com alto potencial produtivo (>35 kg leite/d), utilizando apenas a silagem de milho como fonte de forragem (Tabela 1).


Inicialmente, formularam uma dieta com a silagem de milho armazenada por pouco tempo (3 semanas), que apresenta uma menor digestibilidade de amido, mas que contém menor teor de proteína solúvel, ou seja, uma maior fração de proteína não degradável no rúmen. Interessantemente, o modelo indicou um equilíbrio entre a disponibilidade de energia e proteína para produção de leite (38 kg/d).

De seguida, apenas se substituiu a silagem de milho “nova” (armazenada por 3 semanas) por uma silagem de milho “velha”, fermentada por um longo período (4 meses). Como esperado, o potencial de produção determinado pela disponibilidade de energia elevou-se de 38 para 39 kg de leite por dia. Entretanto, a atividade proteolítica durante a fermentação aumentou a fração de azoto solúvel e, portanto, a degradabilidade ruminal da proteína da silagem, resultando num menor aporte de proteína metabolizável (aminoácidos) para o intestino das vacas. Consequentemente, o potencial de produção foi reduzido para 36 kg de leite por dia, por falta de proteína metabolizável. Assim, a maior degradabilidade ruminal de amido não foi totalmente suficiente para captar todo o excesso de proteína degradável no rúmen, proveniente de uma maior síntese microbiana. Na prática, a troca da silagem “nova” pela silagem “velha” poderia resultar numa menor produção de leite e um maior ganho de reservas corporais (sobra de energia), caso se mantivesse a mesma composição da dieta.

Neste sentido, para explorar o benefício da maior digestibilidade da silagem fermentada por períodos longos é necessário substituir parcialmente o farelo de soja das dietas por fontes proteicas de menor degradabilidade ruminal. Para exemplificar, foram utilizados dois produtos disponíveis no mercado brasileiro: farelo de soja protegido e grãos de soja tostados. Em ambos os casos, o maior suprimento de proteína não degradável no rúmen resultou num aumento da resposta potencial de produção de leite. Em suma, a utilização de silagens fermentadas por períodos longos tem potencial para aumentar a produção de leite em aproximadamente 2 kg/vaca/d, desde que o balanço proteico da dieta seja adequado.

Esclarecida esta questão, surgiu outra pergunta: “Quanto de dinheiro eu é possivel ganhar ou perder com estas dietas?”. Para obter os custos das dietas, foram adotados os preços do dia 28/05/2015, para ingredientes na região de Piracicaba-SP. Considerando a dieta contendo silagem de milho “nova” como padrão, foi observado que a substituição da silagem “nova” por silagem “velha” resultou num menor lucro sobre custo alimentar (- 8%). Entretanto, após a inclusão de fontes proteicas de menor degradabilidade ruminal, a maior produção de leite resultou numa maior receita e também num maior lucro sobre custo alimentar (+ 6%), apesar do maior custo alimentar por vaca/dia.



JOÃO LUIZ PRATTI DANIEL

ALEXANDRE M. PEDROSO

Engenheiro Agrônomo, Doutor em Ciência Animal e Pastagens, especialista em nutrição de precisão e manejo de bovinos leiteiros

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