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10 perguntas sobre o Stress térmico no período de transição: impactos negativos e como minimizá-los

*Artigo original MilkPoint Brasil

Apesar de consumirem menos matéria seca e, desta forma, produzirem menor calor metabólico, as vacas secas também sofrem os efeitos negativos do stress térmico, comprometendo o seu desempenho produtivo e reprodutivo na futura lactação, bem como o seu sistema imunitário. Assim, sempre que possível, as vacas secas devem ter acesso ao arrefecimento ativo para reduzir a carga de calor durante os períodos mais quentes do ano. Isto significa que sombra e, se possível, aspersores ou outros métodos de arrefecimento, devem ser fornecidos às vacas secas, estejam elas em pastagem ou confinadas.

Geoffrey Dahl é professor da Universidade de Florida (EUA) e conduz investigações básicas e aplicadas relacionadas com a produção e a saúde de bovinos leiteiros. O foco das suas investigações é a compreensão dos impactos fisiológicos das intervenções de maneio, especialmente na área de controlo do stress térmico e do fotoperíodo, nos vários estágios da lactação, com o objetivo de melhorar a saúde e o desempenho das vacas leiteiras.

O MilkPoint Brasil, no âmbito do V Simpósio Internacional Leite Integral, marcado para os dias 8 e 9 de Abril no Brasil, convidou Geoffrey Dahl (que será palestrante nesse simpósio) a responder a 10 perguntas sobre o stress térmico no período de transição:

1) O que é o stress térmico?


Quando a temperatura ambiente excede a zona de conforto térmico, os animais sofrerão de stress pelo excesso de calor, uma vez que, na faixa de temperatura denominada como zona de termoneutralidade, as vacas não necessitam de usar mecanismos para dissipar o calor, podendo voltar toda a sua "atenção" para a produção de leite.

2) Quais são os fatores ambientais que geram o stress térmico?

Os fatores ambientais que geram stress térmico nas vacas são a temperatura, humidade e o fotoperíodo.

3) A partir de que temperatura podemos considerar que uma vaca leiteira está em stress térmico?

O stress térmico desenvolve-se em temperaturas a partir de 22ºC, de modo que as vacas podem sofrer resultados negativos durante grande parte do ano em áreas temperadas, como nos Estados Unidos, mesmo nos estados do norte. A diminuição do stress térmico é ainda mais importante em regiões subtropicais e tropicais.

4) O stress térmico no período seco afeta a produção de leite subsequente?

Sim. Nos nossos estudos observamos uma redução na produção de leite após o stress térmico no período seco, com as vacas que foram arrefecidas a produzirem mais 5 a 7 quilos de leite por dia, comparadas com aquelas que estiveram em stress térmico. Esta diferença na produção foi evidente desde o início da lactação e persistiu por, pelo menos, 40 semanas. Esta observação indica que a glândula mamária está adaptada a produzir mais leite, durante toda a lactação, quando o stress térmico é evitado no final da gestação.

5) Por que é que isto ocorre?

Uma série sequencial de biópsias mamárias revelou que a proliferação celular mamária foi maior em vacas secas arrefecidas, relativamente àquelas que sofreram stress térmico. Desta forma, a queda na produção das vacas com stress térmico resulta da redução do crescimento mamário durante o período seco, e as vacas entram em lactação com uma menor capacidade de produzir leite relativamente aos animais que são arrefecidos. Além disto, quando as vacas sofrem stress térmico no período seco, reduzem a sua ingestão de matéria seca em relação aos animais arrefecidos, e há uma redução concomitante no ganho de peso corporal e classificação da condição corporal. O exame da função do fígado, via a expressão génica envolvida na mobilização, e o tráfego de lipídos durante o período seco e o inicio da lactação, indicam que o arrefecimento melhora o metabolismo lipídico hepático, de tal modo que maiores produções podem ser suportadas comparativamente às vacas que sofreram stress térmico, mesmo quando todas são arrefecidas durante a lactação.

6) O stress térmico aumenta a incidência de doenças em vacas leiteiras no período de transição?

Sim. Uma questão particular das vacas em período de transição é uma queda no status imunitário, aumentando a incidência de doenças, geralmente, entre o período seco e as 6 primeiras semanas de lactação. Indicadores in vitro de um melhor status imunitário são observados nas vacas secas arrefecidas, e traduzem-se numa resposta imunológica mais robusta à medida que elas entraram na lactação.

7) O que ocorre, especificamente, com o sistema imunitário?


No estudos, os leucócitos sanguíneos de vacas arrefecidas tiveram maior capacidade de proliferação relativamente àquelas em stress térmico, um indicador de uma resposta imunológica mais forte. Além disso, os animais arrefecidos exibiram melhorias nos padrões de expressão de uma série de genes envolvidos na função dos leucócitos, particularmente naqueles associados com respostas imunes inatas. Os neutrófilos de vacas arrefecidas tiveram maior atividade no início da lactação relativamente aos de animais que passaram por stress térmico no período seco. Isto é uma evidência de que o arrefecimento tem efeitos residuais no status imunitário após o parto. Durante o período seco, as vacas que foram arrefecidas tinham maior resposta de IgG a um antigénio não específico, ovalbumina de galinha, o que indica que o stress térmico reduz a resposta à imunização. Assim, o stress térmico tem um impacto negativo na função imunológica adquirida e inata nas vacas, apesar de ocorrer em diferentes momentos no período de transição.

8) Que doenças podem ter a sua ocorrência aumentada em função do stress térmico no período de transição?

Recentemente, foram revistos os registos de mais de 2.600 vacas multíparas que pariram durante um período de três anos na mesma exploração em Florida (EUA). Os animais foram separados por mês do parto em dois grupos: 1) COOL (frio, em inglês - que pariram em dezembro, janeiro ou fevereiro) e 2) HOT (quente, em inglês - que pariram em junho, julho e agosto), e uma série de resultados de desempenho foram avaliados durante a lactação subsequente. É importante enfatizar que as condições de maneio, incluindo alimentação, protocolos de ordenha, reprodutivo, e das instalações, foram similares na exploração durante o período de estudo, de modo que as interpretações relacionadas à estação do parto são apropriadas e relevantes para condições de campo. As vacas COOL produziram 550 kg a mais de leite e tiveram um melhor desempenho reprodutivo do que as vacas HOT. Houve diferenças entre os grupos nos organismos responsáveis por causar mastite, mas as vacas COOL tiveram menos casos de mastite, no geral, durante os 80 primeiros dias em lactação. Além disto, tiveram menos casos de retenção de placenta e problemas respiratórios gerais do que o grupo HOT.

9) Como é que o stress térmico pode afetar o desenvolvimento das vitelas?


O stress térmico gestacional afeta de forma adversa as vitelas, antes e depois do nascimento. Vitelas nascidas de vacas com stress térmico são mais pequenas ao nascimento e não conseguem recuperar este peso perdido até um ano de idade. Além das diferenças de peso, as vitelas que passaram por stress térmico no útero têm o metabolismo de energia alterado em relação às que não foram submetidas ao excesso de calor. Usando ensaios de insulina e de glicose, foi observado que estas vitelas desviam energia para os tecidos periféricos de uma maneira consistente com maior acúmulo de gordura. Também foi evidente um aumento no cortisol circulante nas vitelas em aleitamento, filhas de vacas arrefecidas relativamente às de vacas com stress térmico. Este é mais um indicador de que, no útero, o stress térmico altera o metabolismo de energia durante o período pós-natal. As vitelas nascidas de vacas que foram arrefecidas também tiveram maiores concentrações circulantes de IgG relativamente àquelas que nasceram de vacas com stress térmico, e maior eficiência aparente de absorção de IgG. Desta forma, o stress térmico no útero parece também alterar a capacidade da vitela de absorver os anticorpos. Relativamente às vitelas arrefecidas no útero, aquelas nascidas de vacas com stress térmico deixaram o efetivo com maior frequência antes da puberdade, requereram mais serviços para conceber e produziram 5 kg/dia a menos de leite na primeira lactação. Assim, parece que a vaca é afetada de forma aguda pelo stress térmico no final da gestação, enquanto que durante o desenvolvimento da vitela no útero esta se torna programada para ser menos produtiva o resto da vida.

10) Como implementar um sistema de maneio para evitar o stress térmico no período seco?

Relativamente à implementação de maneio para stress térmico no período seco, as abordagens são as mesmas usadas com vacas em lactação. Sempre que possível, as vacas devem ter acesso ao arrefecimento ativo para reduzir a carga de calor durante os períodos mais quentes do ano. Isto significa que sombra e, se possível, aspersores ou outros métodos de arrefecimento, devem ser fornecidos às vacas secas, em pasto ou confinadas. Baseado nos resultados de vários estudos, parece que o arrefecimento durante todo o período seco produz a melhor resposta.





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