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A gestão de uma exploração leiteira em 2013/2014

POR TIAGO BARROS

E JOSÉ FERRÃO

BEM ESTAR & GESTÃO

EM 12/12/2013

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A produção de leite devia resumir-se a coisas simples – uma vitela nasce, cresce, fica gestante, tem uma cria, produz leite e fica gestante novamente, repetindo-se este ciclo durante alguns anos a que chamamos vida produtiva. Em resposta às condições que lhe são fornecidas e à sua genética, a vitela vai ser mais ou menos eficiente, quer em termos nutricionais, quer em termos económicos. No entanto, na realidade este processo que aparenta ser simples, complica-se devido à complexa relação existente entre a vaca enquanto unidade produtiva, a estrutura física (exploração), e o perfil do produtor/gestor.
Em 2013, os produtores que sobreviveram e, arduamente conseguiram ultrapassar uma das piores crises e desequilíbrios entre o preço das matérias-primas, e o preço pago por litro de leite ao produtor, devem refletir, responder e analisar três questões essenciais, para as quais sugiro algumas respostas para reflexão:

1. Quais as vantagens competitivas que a sua empresa possui e que lhe permitiu ultrapassar esta situação?

- Técnica e economicamente é uma exploração bastante produtiva, onde as variáveis do negócio são planeadas com antecipação, e apesar de terem sido anos difíceis, a motivação em fazer melhor é constante.
- A sua estrutura da exploração é “leve”, com o grosso dos investimentos pagos;
- Os colaboradores internos e externos estão motivados e têm formação adequada, agilizando o processo de mudança;
-Possui área de produção de forragens com bons solos e bem pensados do ponto de vista agronómico, permitindo que o custo alimentar não subisse tanto;
- Possui uma estrutura dinâmica que repensou o negócio de modo a o otimizar, aumentando a produtividade por animal, produzindo o mesmo leite a um menor custo;
- Apostou na qualidade do leite e na análise detalhada de todos os custos, desde o mais pequeno ao maior, e em conjunto com os colaboradores delineou estratégias para otimizar o que fazer no dia-a-dia.
- Foi confrontado com a necessidade de optar entre, encerrar a exploração (o que atendendo ao preço da venda dos animais e da terra iria implicar perdas avultadas), ou avançar com os investimentos que sabia, à partida, que iriam ter um retorno rápido e fariam a exploração aumentar produtividade, aumentando o lucro a médio e longo prazo.



2. Que problemas e dificuldades encontrou neste processo de adaptação e o que é que pode melhorar caso seja confrontado novamente com uma situação semelhante?

- Demorou demasiado tempo para se aperceber que existiam demasiados animais improdutivos atendendo ao rácio alimentação/ingresso por litro de leite produzido?
- A sua estrutura de produção de recria não era eficiente, com idade ao parto muito acima de 24 meses e custos de alimentação demasiado altos?
- O estábulo não têm capacidade, nem bem-estar animal para as vacas mais produtivas o que faz com que todos os anos sejam refugadas ou morram os melhores animais?
- Não recolhe nem analisa os diversos dados técnicos e económicos, demorando demasiado tempo para perceber quais os pontos fracos da exploração.
- Gasta demasiado dinheiro em medicamentos e a teve que vender, ou morrem animais com mamites ou outras patologias, pois acreditou que se podia poupar em prevenção? Resultando na realidade numa poupança a curto prazo e uma despesa avultada a médio e longo prazo?
-A reprodução piorou de dia para dia até que reuniu na mesma mesa o veterinário responsável pela reprodução, o nutricionista e os seus colaboradores e definiu uma estratégia para ultrapassar a situação?

3. Qual o impacto da crise para o negócio no curto, médio e longo prazo?

- Acumulou demasiadas dívidas junto dos fornecedores diminuindo a liquidez da empresa?
- Será que se fez investimentos precipitados e de retorno duvidoso que estão a dificultar a liquidez da exploração?
-O seu estábulo precisa de obras de melhoria inadiáveis de modo a permitir aumentar a rentabilidade da exploração a médio e longo prazo?
- Pode a recria ter piorado a sua eficiência por se ter optado por poupar na alimentação das novilhas?
- Para equilibrar os custos foi necessário vender parte da recria e não dispõe de novilhas suficientes para manter a taxa de reposição?
- Possui demasiadas vacas com patologias crónicas e têm que estabelecer um plano para reposição do efectivo?
- Os animais mais produtivos possuem uma condição corporal baixa e acentuaram-se os problemas reprodutivos, com o efetivo dividido entre vacas produtivas demasiado magras mas não prenhas e algumas prenhas mas demasiado gordas, decorrente de terem estado demasiado tempo com alimentações desequilibradas, de haver falta de comida na manjedoura ou falta de conforto no estábulo.
- Existe dificuldade em manter a sua motivação e dos seus colaboradores, decorrente da lógica de redução da remuneração do trabalho.

No curto prazo é possível que se vislumbrem tempos mais equilibrados para o setor, quer por via do aumento do valor pago pelo litro de leite, quer por descida do preço das matérias-primas de referência. No entanto, não é o momento para “enterrar a cabeça na areia” mas sim de refletir analisar e agir rápido. A questão que se coloca então é: e quem pode ajudar os produtores? Aí reside o segredo de liderar um negócio próspero: rodear-se de pessoas que percebam que um bom negócio é aquele em que todos os envolvidos ganham.

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint.PT, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

TIAGO BARROS

Research Assistant
Department of Dairy Science
University of Wisconsin-Madison

JOSÉ FERRÃO

Médico veterinário que trabalha na área de Medicina de produção de Bovinos de leite.

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