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Bem-estar Animal na Produção

VÁRIOS AUTORES

BEM ESTAR & GESTÃO

EM 31/01/2014

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O bem-estar animal é um dos principais tópicos de interesse a nível da produção animal moderna, estando de forma consistente no topo das preocupações levantadas por consumidores e políticos da União Europeia. Prova disto é o facto do bem-estar animal ser parte integrante da política europeia "do prado ao prato" e uma das estratégias prioritárias relacionadas com o desenvolvimento de políticas mais sustentáveis de produção de produtos de origem animal.

O que é o bem-estar animal?

Do ponto de vista científico, o bem-estar animal, particularmente o bem-estar animal das espécies de produção, teve o seu início como área de investigação em 1965, com a publicação do Relatório de Brambell na Grã-Bretanha.
Uma vez que o estudo do bem-estar animal inclui interacções a nível do animal-sistema de produção e animal-Homem, existiu desde sempre uma grande colaboração entre as ciências naturais (medicina veterinária, biologia, fisiologia) e sociais (etologia e psicologia comparativa) na investigação deste tema (Carenzi & Verga, 2009). Esta aproximação multidisciplinar levou a que o conceito de bem-estar animal fosse evoluindo ao longo do tempo.
Para uma melhor compreensão do conceito é de realçar as seguintes definições: 1) Duncan (1993), "o bem-estar está dependente do que os animais sentem"; 2) Webster (1994), "o bem-estar de um animal é determinado pela sua capacidade de evitar sofrimento e manter performance"; 3) Broom (1996), que apresenta o bem-estar animal como o "estado de um indivíduo no que concerne às suas tentativas de lidar com o ambiente".
Por outro lado, esta multidisciplinariedade conduziu a que a definição de bem-estar esteja envolvida por alguma polémica e tenha diferentes interpretações por parte dos consumidores, produtores e políticos (Blokhuis et al, 2008; Quintili and Grifoni, 2004; Vanhonacker et al, 2007). Nesta problemática deveremos ter ainda em linha de conta outros aspectos, como factores económicos, aspectos relativos à praticabilidade da aplicação dos conceitos na realidade das explorações e ainda, aspectos relacionados com preocupações ambientais (Wyss et al, 2004), que muitas vezes introduzem dúvidas na definição de bem-estar animal.

De que forma podemos avaliar o bem-estar animal nas explorações?

Uma das aproximações ao bem-estar animal mais difundidas é aquela que é feita através das "5 Liberdades", que foram apresentadas pela primeira vez no Relatório de Brambell. Estas "liberdades" foram depois adoptadas e revistas pelo Farm Animal Welfare Council, (FAWC, 2011). As "5 Liberdades" identificam os elementos que determinam a percepção de bem-estar pelo próprio animal e definem as condições necessárias para promover esse estado (Liberdade de fome, liberdade de desconforto, liberdade de dor, ferimentos e doença, liberdade de expressar comportamento normal e liberdade de stress, medo e ansiedade)
Mais recentemente, o projecto Welfare Quality®, modificou um pouco a avaliação do bem-estar, estabelecendo a linha de pensamento actualmente aceite a nível europeu, para avaliação de bem-estar em animais de produção.
Segundo o Welfare Quality®, existem quatro princípios para o bem-estar animal: boa alimentação (good feeding), bom alojamento (good housing), , boa saúde (good health) e comportamento apropriado (apropriate behaviour).
Estes princípios são num segundo nível detalhados em diferentes critérios. Por exemplo, no principio da boa alimentação devemos assegurar que os animais têm ausência de sede e fome; dentro do bom alojamento, os animais devem ter conforto térmico e conforto na altura do descanso.
Para que um avaliador de bem-estar (seja um funcionário dos serviços oficiais, um veterinário, ou o próprio produtor) possa avaliar o cumprimento destes critérios, são necessários indicadores que operacionalizem estes conceitos. Estes indicadores podem ser focados nos recursos e no maneio das explorações (indicadores baseados nos recursos) ou no animal enquanto individuo (indicadores baseados no animal).
Hoje em dia existe uma maior tendência a nível europeu, para a utilização de indicadores centrados no animal, uma vez que deste modo, barreiras como o clima ou os diferentes tipos de exploração são ultrapassadas. Ao colocarmos o animal como o elemento central da avaliação, conseguimos avaliar a sua capacidade de adaptação ao ambiente que o rodeia, independentemente das características do mesmo.
A garantia do bem-estar animal de acordo com estes princípios apenas pode ser alcançada através da aplicação de práticas de produção adequadas, que tenham em conta não só a espécie animal em si, mas também os sistemas de produção, as condições climáticas, o alojamento e as metodologias de maneio e de alimentação. No entanto, quaisquer que sejam as condições específicas presentes, a avaliação do bem-estar é um procedimento científico e deve incluir aspectos relacionados com a saúde, fisiologia, performance e medidas comportamentais (Comissão Europeia, 2000).
O projecto Welfare Quality® tem protocolos de avaliação de bem-estar animal para bovinos (leiteiros e de engorda), suínos e galináceos (galinhas poedeiras e frangos de engorda), disponíveis para consulta em:

http://www.welfarequalitynetwork.net/network/45627/9/0/40.

O projecto AWIN, Animal Welfare Indicators, encontra-se neste momento a desenvolver protocolos de avaliação para pequenos ruminantes (ovelhas e cabras), perús, cavalos e burros; ver mais informações em
http://www.animal-welfare-indicators.net/site/.
 

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MIGUEL SÁ

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/02/2014

O mais interessante é que o bem estar animal diminui os custos de produção, aumenta o rendimento do animal e consequentemente o rendimento dos produtores agrícolas .

Todas as companhas e apoios ao bem estar animal estão a dar num medio e longo prazo uma maior produtividade a nossa agricultura e a melhorar a imagem do agricultor e da produção animal para a opinião publica.  

O bem estar animal é sempre uma aposta ganha.