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Conforto para vacas leiteiras em pasto

Este artigo foi integralmente publicado no MilkPoint Brasil 

A questão do conforto de vacas leiteiras, e seus efeitos sobre o desempenho produtivo e reprodutivo dos animais tem sido objeto de numerosos estudos nos últimos anos, praticamente no mundo todo. Porém, a imensa maioria desses estudos tem sido feita em sistemas de confinamento, que possuem características bastante diferentes dos sistemas de produção em que as vacas são mantidas em pastagens. Dessa forma, infelizmente ainda não dispomos de informações precisas sobre como efetivamente melhorar o conforto das vacas em sistemas de pastejo, mas sempre vale a pena revisar os aspectos básicos dessa questão. Em muitos casos, apenas focando naquilo que é mais simples já se consegue ganhos bastante expressivos em eficiência.

Sempre que se fala em conforto de vacas em pastejo, a primeira coisa que vêm à mente é sombra, principalmente por causa dos efeitos do calor sobre os animais. É de conhecimento geral que calor excessivo prejudica a produção de leite e o desempenho reprodutivo das vacas, e esses efeitos são em parte explicados pela redução na ingestão de alimentos dos animais sob stress calórico, mas o calor também afeta o status endócrino das vacas, reduz o tempo de ruminação e a absorção de nutrientes, além de elevar os requerimentos para mantença dos animais, o que resulta em menor disponibilidade de nutrientes e energia para as funções produtivas e reprodutivas.

Para não ter nenhum prejuízo no seu desempenho, uma vaca leiteira precisa de, no mínimo, 8-10 horas diárias de descanso em local fresco, seco e confortável. E em sistemas de produção a pasto isso muitas vezes é negligenciado. É muito comum vermos vacas sem 1 m2 de sombra disponível nas áreas de pastagem, ou com áreas de descanso mal drenadas, com grande acúmulo de barro. Se na área de descanso uma vaca permanece em pé, ou fica agitada balançando a cabeça, isso é um sinal claro de stress. Certamente esse local não está proporcionando as condições adequadas de conforto para esse animal, e, certamente também, isso vai pesar no bolso do produtor.

Para se ter uma ideia do que isso significa, é de conhecimento geral que a produção de leite tem relação direta com o fluxo de sangue que chega na glândula mamária. Quando as vacas estão deitadas, descansando, o fluxo de sangue que chega ao úbere é de aproximadamente 342 litros/hora, mas quando as vacas estão em pé, esse fluxo é de apenas 228 litros/hora. Isso significa que vacas em pé produzem muito menos leite do que quando estão deitadas.

Além das questões já citadas, em ambientes desconfortáveis as vacas podem apresentar diversos problemas, como aumento na contagem de células somáticas e maior incidência de problemas de casco. Um sinal claro de que estão sofrendo nas áreas de descanso é vermos vacas se deitarem ao entrar num piquete novo, cheio de forragem fresca. Quando vacas famintas preferem deitar a pastejar, elas estão demonstrando claramente a importância que dão ao descanso, mesmo à custa do consumo de alimentos.

Para ter uma boa ideia do que isso significa, tente se colocar no lugar das vacas. Imagine uma situação onde os animais são espremidos num lugar de terra vermelha, embaixo de uma árvore com as raízes expostas, formando verdadeiras armadilhas para quem anda por ali, junto com 50-100 "companheiras de trabalho", num dia de sol escaldante, depois de 3-4 dias de chuva. Dificilmente alguma delas vai querer deitar no barro, por cima das raízes das árvores.

Animais mantidos em condições como as descritas acima certamente vão ficar estressados, e ao retornarem para os piquetes, onde há espaço suficiente e um piso macio e confortável, há uma grande chance de preferirem deitar a pastejar, pelo menos por um tempo, mas isso já será suficiente para reduzir o consumo e, consequentemente, a produção de leite. Se somarmos a isso a possibilidade de aumento na contagem de células somáticas e na incidência de problemas de casco o quadro piora bastante.

Para não sofrerem stress por falta de conforto as vacas precisam de áreas de descanso com espaço suficiente, piso seco e macio, e sombra, de preferência natural, para se abrigarem do calor. Pelo menos 5 m2 por vaca são necessários para garantir o conforto em áreas de descanso. O piso precisa ser macio, e o local não pode estar sujeito a inundações ou formação de barro. Ou seja, as áreas de descanso precisam de manutenção constante, principalmente no verão.

Atualmente sistemas silvipastoris estão se tornando cada vez mais populares, e também podem ser uma alternativa interessante para dar mais conforto para animais em pastejo. No entanto trata-se de sistemas integrados, onde manter o equilíbrio entre os componentes (árvores, plantas forrageiras e animais) e suas interações, além da relação com os fatores ambientais disponíveis, tornam a atividade mais complexa e dependente de um planejamento rigoroso. Para ter sucesso na implantação e condução de sistemas silvipastoris é necessário conhecimento específico das espécies de árvores a utilizar, e de manejo das planta forrageiras em ambiente mais sombreado.

É preciso ter conhecimento adequado para planejar e gerenciar um sistema silvipastoril, pois é preciso mensurar a quantidade de árvores em relação às perdas na produção de forragem, incluindo nesse processo o conhecimento de fisiologia de plantas forrageiras para que o manejo do pastejo seja feito de forma a garantir a perenidade da pastagem e, consequentemente, a economicidade do sistema. Infelizmente, ainda não dispomos de informações ou estudos em número suficiente para termos uma sólida base de dados que nos dê sustentação para fazermos recomendações sobre as condições de conforto de vacas leiteiras nesse tipo de sistema.

Se a solução for construir áreas de sombra artificial, é preciso atenção para que a orientação da construção seja no sentido norte-sul, para que a sombra possa se deslocar ao longo do dia, o que ajuda a prevenir a formação de barro, pois as vacas não ficarão sempre no mesmo local, elas vão acompanhar o deslocamento da sombra. O mesmo princípio vale para disposição de árvores em linha.

Se as vacas permanecem em galpões entre as ordenhas, o que é comum em muitas fazendas, no mínimo deve haver uma preocupação com a limpeza do piso, que deve ser mantido seco, e também com a lotação da área. Deve-se garantir os mesmos 5 m2 por vaca. Sempre as vacas vão preferir locais macios para deitar, e o concreto está longe disso, mas se não houver outro jeito, é imprescindível que o piso seja mantido em boas condições para permitir que as vacas se deitem com um mínimo de conforto.

Outro ponto que deve ser lembrado é o estado de conservação dos corredores de circulação, pois caminhar por corredores cheios de pedra ou cobertos de lama não é tarefa fácil para animais de 400-500 kg ou mais. Vacas podem sofrer injúrias sérias em corredores mal cuidados. Piso uniforme, com boa drenagem, livre de pedras é o mínimo que podemos oferecer às nossas vacas.

Assim, uma ótima alternativa é ficar atento aos sinais que sempre recebemos de vacas que não têm boas condições de conforto em sistemas de produção em pastagens:

- Balançam as cabeças, permanecem em pé e têm aparência de cansadas nas áreas de descanso;

- A contagem de células somáticas e a incidência de problemas de casco aumentam;

- Preferem deitar a pastejar quando entram num piquete novo.

Dar conforto às vacas não custa caro, e pode economizar muito dinheiro ao produtor. Verifique as condições das áreas de descanso, galpões e corredores, e faça a manutenção preventiva permanentemente. Com certeza isso vai ajudar bastante as vacas a manterem bom desempenho, o que por sua vez garante a rentabilidade da fazenda.

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