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Índice de "Relação Verão:Inverno": ferramenta para avaliar o efeito do arrefecimento na fertilidade de vacas leiteiras no verão

POR ISRAEL FLAMENBAUM

BEM ESTAR & GESTÃO

EM 03/03/2015

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Nos últimos anos desenvolveu-se em Israel um índice de "Relação Verão:Inverno", que permite avaliar a eficiência do uso de meios de arrefecimento para combater o stress por calor nas explorações leiteiras. Este índice avalia o rendimento no verão em relação ao inverno (considerando o inverno como base). Ele é incluído em um relatório anual, que se apresenta a cada exploração leiteira que participa do banco central de dados do "Livro do Rebanho Israelita", administrado pela Associação de Produtores Leiteiros de Israel (ICBA).

O índice analisa médias corrigidas de produção de leite, preço do leite corrigido (ECM), gordura, proteína, células somáticas (CCS) e taxa de concepção durante o inverno e verão. Com base nesse relatório, determinam-se as prioridades de assistência técnica, concentrando e focando os esforços nas explorações leiteiras com resultados mais deficitários.

As Tabelas 1, 2 e 3 apresentam dados do Livro do Rebanho Israelita em 2014, nos quais se compara o Índice de relação Verão:Inverno em explorações familiares pequenas (Moshav) com 2 ou 3 ordenhas/dia e explorações cooperativas grandes (Kibbutz) com 3 ordenhas/dia (Tabela 1), efectivos de diferentes níveis de produção anual – alta, média e baixa (Tabela 2) e explorações leiteiras localizadas em diferentes regiões do país (Tabela 3).

Tabela 1 – Índice de relação Verão:Inverno em explorações familiares e cooperativas


Tabela 2 – Índice de relação Verão:Inverno em explorações cooperativas grandes de diferentes níveis de produção anual por vaca.


Tabela 3: Índice de relação Verão:Inverno em explorações cooperativas grandes em regiões com verões extremamente frescos (montanhas) e quentes (Vale do Jordão).


Pelo apresentado nas tabelas 1, 2 e 3, pode-se ver que as vacas em ambos os setores (Moshav e Kibbutz) conseguem no verão um índice de 0,92-0,94 na relação percentual de leite por vaca, comparado com a do inverno. Em ambos os setores, as vacas perdem 2% a 3% de gordura e proteína nas lactações de verão.

A taxa de concepção no inverno supera em ambos os setores os 40%, enquanto no verão a taxa se reduz a quase metade, baixando um pouco mais nas explorações leiteiras familiares em comparação às explorações leiteiras cooperativas (17% e 20%, respectivamente), possivelmente pelo melhor maneio realizado nas grandes.

Comparando as diferentes explorações de acordo com o nível de produção (nível de produção de leite anual), observamos que os resultados da relação Verão:Inverno foram melhores nas de alta produtividade, comparado com as de média e baixa produtividade. Isso é devido possivelmente ao melhor maneio e, inclusive, ao melhor uso de sistemas de arrefecimento nessas explorações.

Comparando os resultados nas diferentes regiões do país, vemos as vantagens que a região montanhosa (mais fresca) tem sobre as demais regiões, mas sobretudo, sobre a região extremamente quente do Vale do Jordão.

Um dos fatores mais importantes desse ponto de vista económico é a fertilidade das vacas. O índice de relação V:I pode nos ajudar a classificar as diferentes explorações leiteiras na forma como combatem o stress por calor e como base para avaliar de forma indireta o efeito do arrefecimento das vacas no verão na taxa de concepção.

Para realizar esse estudo, foram escolhidas 15explorações leiteiras com a relação V:I mais alta e mais baixa, com base no Livro do Rebanho Israelita em 2014 e se compararam os parâmetros produtivos e reprodutivos dos mesmos. Os resultados estão mostrados na Tabela 4.

Tabela 4: Parâmetros produtivos e reprodutivos das vacas nas 15 explorações leiteiras cooperativas grandes com a relação V:I mais alta e a mais baixa em 2014.


Pelo apresentado na Tabela 4, pode-se observar que quase não há diferença no potencial produtivo, entre os 2 grupos de explorações leiteiras e a produção média por vaca nos meses de inverno, nos dois grupos oscila em redor dos 42 quilos por vaca/dia. Nas explorações de "alta produção”, muito provavelmente que devido ao bom maneio de arrefecimento, a produção média nos meses de verão quase não baixa e mantém-se em 41,5 quilos/vaca/dia. Ao mesmo tempo, nas que provavelmente não maneiam bem o arrefecimento, a produção média por vaca baixa no verão em 12% em comparação com a do inverno e as vacas perdem quase 5 quilos diários de sua produção de leite comparando-a com o inverno.

É interessante notar como se comporta a fertilidade das vacas nesses grupos e isso pode ser visto na mesma Tabela 4. A taxa de concepção em ambos os grupos supera os 40% e não difere muito entre eles no inverno. Nos meses de verão, a taxa de concepção baixa em 27 pontos percentuais, para 14%, nas explorações leiteiras que provavelmente não arrefecem bem as vacas enquanto, no grupo que provavelmente conseguem fazer isso, a taxa de concepção baixa menos e chega a 26% no verão (12 pontos percentuais acima da das explorações do outro grupo).

Não há dúvida de que o bom arrefecimento ajuda a obter melhor produção e a taxa de concepção no verão. Porém, isso é somente em média. Ao estudar os dados de uma forma um pouco diferente, foram analisados os dados das 30 explorações com a relação V:I mais alta e mais baixa. Entre as 30 com a relação baixa (< 0,92), 9 obtiveram no verão uma taxa de concepção acima de 20% (30% do grupo), enquanto o resto do grupo obteve taxa de concepção abaixo de 20% (70% do grupo). Entre as 30 com a relação mais alta (> 0,98), 14 obtiveram taxa de concepção abaixo de 20% no verão (45% do grupo), quando 9 obtiveram uma taxa de concepção maior de 30% no verão (30% do grupo).

Dos dados apresentados, aprendemos que o bom arrefecimento no verão e a relação alta de produção de leite entre o verão e o inverno talvez aumentem a probabilidade de obter uma melhor taxa de concepção no verão, mas não se pode garantir. Vemos pelo menos um terço das explorações que obtêm uma boa relação V:I e que, provavelmente, arrefecem bem as vacas no verão, mas não conseguem ter ao mesmo tempo uma boa taxa de concepção.

Pode-se concluir dizendo que, talvez, o bom arrefecimento seja um requisito importante para conseguir ter uma boa fertilidade no verão, mas não se pode garantir, já que não é o único fator que influencia nesse parâmetro. Muito provável é que, ao apresentar-se boas condições de maneio de alimentação, de fertilidade e de inseminação, o bom arrefecimento no verão ajude a melhorar a taxa de concepção. 



ISRAEL FLAMENBAUM

Especialista no estudo do estresse térmico em vacas leiteiras, professor na Hebrew University of Jerusalém, tem ministrado cursos e treinamentos sobre o assunto em diversos países.

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