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O Bem-estar Animal e o Consumidor

POR DIANA JACINTO

BEM ESTAR & GESTÃO

EM 02/10/2013

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Actualmente o BEA é uma preocupação crescente na nossa sociedade, não sendo a pecuária já encarada pelos consumidores como um simples meio de produção de alimentos. Em vez disso, é vista como um meio fundamental para se atingirem outros objectivos sociais relevantes como a segurança e qualidade alimentar e a protecção e sustentabilidade ambiental. Para além disto, a percepção de qualidade alimentar dos consumidores não é apenas definida pela qualidade e segurança dos alimentos, mas também pelo estado de bem-estar dos animais a partir dos quais esses alimentos foram obtidos.
Existem diferentes níveis de percepção por parte do consumidor e atitudes distintas em relação ao Bem estar Animal (BEA) dentro da União Europeia (EU) principalmente entre os países nórdicos e os países do sul da Europa. No entanto a média europeia situa-se nos 7.8. Para além da importância atribuída pelos consumidores ao BEA, os estudos realizados pela CE mostraram, também, que os cidadãos europeus crêem ter a capacidade de influenciar o BEA de animais de produção através do seu comportamento de compra e estão dispostos a alterar os seus hábitos de compra se for fornecida a informação necessária para essa tomada de decisão.
Cerca de 40% dos europeus considera que o agricultor é o principal responsável pelo BEA, tendo em conta que o MV (26%), os governos nacionais (25%) e as organizações de protecção animal (24%) têm um papel complementar importante. Aliás, os cidadãos europeus pensam, igualmente, que o agricultor tem um papel essencial como fornecedores de alimentos saudáveis e seguros (55%) e responsabilidades face à protecção ambiental (29%) e à garantia do BEA (20%).
Hoje em dia, os consumidores podem já optar por alimentos associados a uma forma de produção compatível com o BEA. Esquemas de certificação da qualidade de aplicação voluntária, como «Freedom Food» (no Reino Unido) ou «Label Rouge» (em França) são exemplos disso mesmo.
Melhor BEA é, também, um dos motivos que leva os consumidores a adquirir alimentos provenientes do modo de produção biológico e estatísticas confirmam que o consumo destes alimentos está a crescer. As vendas de produtos biológicos na Europa rondaram os 14 biliões de euros em 2005 e atingiram cerca de 20 biliões de euros em 2008. Dados do Eurostat (2010) revelam que, a nível europeu, a área consagrada à agricultura biológica, assim como o número de produtores em modo de produção biológico aumentou em 7.4% e 9.5%, respectivamente, entre 2007 e 2008. Em Portugal esta tendência é semelhante. Apesar de não existirem informações relativas ao consumo de produtos biológicos no nosso país, dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que entre 1993 e 2007 a área de agricultura biológica passou de 2799ha para 233475ha, passando a representar 6.3% da superfície agrícola utilizada (SAU), e o número de produtores que notificaram a actividade em modo de produção biológico passaram de 73 a 1949 (INE, 2008, 2009). A produção animal em modo de produção biológico aumentou 12% em 2007 face a 2006 e o número de produtores passou de 616 para 786 nesse período, sendo já 792 em 2008.

Bibliografia:

Blokhuis, H.J. (2008). International cooperation in animal welfare: the Welfare Quality® project. Acta Veterinaria Scandinavia,50 (Suppl 1), S10.

Comissão das Comunidades Europeias – CEC. (2009b). Opções de rotulagem relativa ao bem-estar dos animais e criação de uma Rede Europeia de Centros de Referência em matéria de protecção e bem-estar dos animais. Relatório da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões. COM (2009) 584. Bruxelas. Acedido em 1 de Julho de 2010, em http://eur- lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=COM:2009:0584:FIN:PT:PDF.
Commission of the European Communities – CEC. (2009a). Options for animal welfare labelling and the establishment of a European Network of Reference Centres for the protection and welfare of animals. Impact Assessment Report accompanying the Report From the Commission to the European Parliament, the Council, the European Economic and Social Committee and the Committee of the Regions. SEC (2009) 1432. Brussels. Acedido em 1 de Julho de 2010, em http://ec.europa.eu/food/animal/welfare/farm/docs/awl_impact_assessment_report_en. pdf.


Instituto Nacional de Estatística – INE. (2010). Estatísticas Agrícolas 2009. Lisboa: Instituto Nacional de Estatística, I.P.

Schaack, D., Willer, H. (2010). Development of the Organic Market in Europe. In Helga Willer and Lukas Kilcher (Eds.), The World of Organic Agriculture – Statistics and Emerging Trends 2010 (pp. 141-144). IFOAM, Bonn and FiBL, Frick.
 

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