FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA PASSWORD SOU UM NOVO UTILIZADOR

O Reino Unido estará a encaminhar-se para um cenário de mega-explorações leiteiras?

O setor de lácteos do Reino Unido está a passar por um período de fortes incertezas. Não apenas os fornecedores estão a lidar com a guerra nos preços no retalho e o facto de os preços do leite estarem reduzidos pelo maior alinhamento dos preços domésticos e mundiais dos lácteos, mas também pelo fim das quotas de produção de leite na União Europeia (UE).

Assim, não surpreende que as recentes discussões se tenham focado em como o setor leiteiro do Reino Unido se adaptará. Alguns veem o futuro como inevitavelmente se encaminhando em direção a mega-explorações leiteiras, imitando as existentes nos Estados Unidos, onde milhares de vacas são ordenhadas em salas enormes sem ver o sol, em algo que é mais parecido com uma fábrica intensiva do que uma exploração.

Se isso vai acontecer depende se essas mega-explorações leiteiras são a única solução para manter a competitividade do setor e, dessa forma, a sua sobrevivência. No Reino Unido existem apenas algumas explorações com mais de 1.000 vacas, enquanto nos Estados Unidos elas podem ter dez vezes esse tamanho. Essa previsão levanta duas questões: as práticas destas explorações, incluindo alimentação da vaca confinada durante todo o ano, são mais lucrativas e isso necessariamente significa padrões menores de bem estar animal?

Primeiro, um contexto. O preço médio recebido pelos produtores em 2014 (até outubro) foi de 32,17 centavos de libra (46,31 centavos de dólar) por litro (embora pudesse variar em mais de 10 centavos de libra (14,39 centavos de dólar) por litro dependendo da natureza do contrato de fornecimento do produtor). Isso é cerca de 6,7 vezes mais do que o preço médio recebido em 1973, embora de facto o preço tenha caído quando se ajusta para a inflação. Isso não leva em conta o efeito dos custos de produção, entretanto. Se o custo de produção caiu mais rápido do que o preço do leite, isso pode não ser um problema.

Infelizmente, os custos históricos de produção não estão disponíveis, mas temos custos históricos dos alimentos animais desde 1988 do departamento de agricultura, que são o maior componente dos custos mais do que mão de obra, que é o segundo). Então, isso pode nos dar alguma ideia do que vem a acontecer. Como podemos ver no gráfico abaixo, sugere-se que o verdadeiro preço do leite recebido pelos produtores britânicos caíu desde 1995.

O verdadeiro preço do leite no Reino Unido 



A queda nos preços do leite reflete o quão competitivo o setor se tornou, parcialmente porque o retalho reduziu os preços e parcialmente por causa da maior competição com outros produtos alimentícios. O gráfico abaixo mostra o declínio nas compras de produtos lácteos, direcionado pelo forte declínio no consumo de leite que não foi substituído pelos leites magros (notem que o consumo de queijos vem aumentando, mas não com muita intensidade).

Consumo per capita semanal de lácteos no Reino Unido



Essa queda na procura por produtos lácteos levou a ajustes estruturais no setor, reduzindo o número de vacas leiteiras e de explorações leiteiras no Reino Unido. Aqui está a tendência desde meados dos anos noventa:

Note que o número de vacas vem a cair mais lentamente do que o número de explorações. Isso implica que o número de vacas por exploração vem a crescer, o que pode sugerir que estamos nos encaminhando em direção a mega-explorações leiteiras. Também é válido notar que não tem havido uma queda correspondente no volume de leite que vem sendo produzido. Isso é devido aos rendimentos por vaca que vêm crescendo firmemente graças à combinação de avanços tecnológicos e vacas de maior rendimento.

Uma pesquisa recente no Reino Unido feita pela Faculdade Rural da Escócia descobriu que das 863 explorações leiteiras do país, o tradicional maneio leiteiro britânico de pasto durante todo o verão e alimentação em confinamento somente no inverno foi praticado por menos de um terço dos participantes da pesquisa e, em média, os tamanhos dos rebanhos foram maiores dentro de sistemas que alimentam animais confinados. Isso significaria que a proporção de vacas sendo ordenhadas nessas explorações será mais elevada.

Esse declínio na alimentação a pasto vem ocorrendo em muitos países. As razões incluem dificuldade em controlar as rações para animais de alto rendimento, incertezas sobre a oferta de pasto em alguns países, dificuldades práticas, como distâncias de caminhada e tempos de descanso, e a disponibilidade de uma mão de obra estável. Vacas de alto rendimento podem também exigir até cinco vezes mais quantidade de energia, o que pode ser difícil obter com uma dieta à base de pastagem e silagem. Isso pode significar que alguma alimentação adicional é requerida.

Mas se essa é a tendência e a rentabilidade? É interessante notar que explorações a pasto com bom maneio não parecem ser menos lucrativas do que aquelas que dependem de confinamento. A Milkbench+, agência de avaliação comparativa de produtos lácteos, descobriu que é possível produzir leite de forma eficiente em quase qualquer escala e qualquer nível de produção, conforme detalhado na figura abaixo:

Rentabilidade e tamanho do rebanho



Mas embora as figuras acima sejam baseadas na lucratividade por litro de leite produzido, um ponto muito importante é que muito provavelmente efetivos muito pequenos não fornecerão rendimento suficiente para seus proprietários. Isso pode tornar o tamanho do empreendimento um aspecto chave, dependendo dos objetivos do produtor.

Sistemas a pasto têm, em média, menos vacas do que explorações estabuladas. E certamente, o estilo de maneio e as instalações podem afetar o bem estar das vacas leiteiras. Foi reportado que o público britânico se opõe a sistemas leiteiros de estabulação – apesar de muitos não estarem cientes de que nos sistemas britânicos tradicionais, as vacas ficam confinadas no inverno de qualquer maneira.

O Conselho de Bem-Estar dos Animais de Produção disse que as vacas leiteiras confinadas no Reino Unido podem ter um padrão aceitável de bem-estar na medida que instalações adequadas sejam fornecidas junto com boas práticas de maneio animal e veterinárias. No entanto, vacas leiteiras continuamente confinadas podem ser suscetíveis a uma série de questões de saúde nos pés e nas perdas e têm maior risco de desordens de saúde, como mastite e retenção de placenta.

Existem técnicas que podem reduzir a incidência de alguns problemas de saúde, entretanto. E as vacas leiteiras mantidas em sistemas a pasto podem também estar em risco de problemas de saúde, como laminite e "febre do leite", além de também estarem expostas às condições climáticas prevalentes.

Há ainda uma variedade de sistemas de maneio leiteiro em uso, mas parece haver uma tendência clara em direção a explorações que alimentam mais os seus animais em confinamento. Se explorações maiores não necessariamente significam mais lucratividade – é possível que os produtores estejam  a compensar por margens menores buscando gerar mais rendimento nas suas propriedades.

As informações são do https://theconversation.com/uk/topics/hard-evidence.






0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint.PT, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.