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Rentabilidade das explorações leiteiras - métodos de gestão

POR NUNO NEVES

BEM ESTAR & GESTÃO

EM 22/01/2016

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RESUMO
Com este trabalho, pretende-se identificar os componentes que exercem maior influência sobre os custos inerentes à atividade leiteira, bem como estabelecer algumas medidas que devem ser tomadas pelos produtores a fim de minimizar o impacto negativo causado pela redução da rentabilidade das explorações leiteiras. Verifica-se, cada vez mais, um decréscimo da margem líquida das empresas do setor leiteiro, devido ao aumento dos custos de produção (associado ao aumento do custo dos fatores de produção, como as matérias-primas) e à manutenção do preço de venda do leite (ou até decréscimo, no pior cenário). Uma vez que o principal custo de produção advém da alimentação, os empresários do setor leiteiro devem procurar utilizar aplicações informáticas que formulem regimes alimentares que satisfaçam todas as necessidades dos seus animais, ao mínimo de custo. Se houver organização e monitorização dos dados das explorações, quer produtivos, quer económico-financeiros garante-se a gestão do negócio leiteiro.

Palavras chave: estrutura de custos, exploração leiteira, gestão, rentabilidade.


INTRODUÇÃO
O número de vacas leiteiras em Portugal tem vindo a diminuir ao longo dos últimos 10 anos. Verificou-se um decréscimo de 22% do número de vacas leiteiras em Portugal e de 68% das explorações. Este diferencial entre a percentagem do desaparecimento de vacas leiteiras e do número de explorações deve-se ao facto de a dimensão média das explorações ter aumentado significativamente. Verificou-se, ainda, uma manutenção da produção nacional de leite. Esta manutenção foi assegurada pelo aumento da produtividade do sector leiteiro, uma vez que houve enormes avanços no melhoramento genético dos efetivos, bem como pelos investimentos em tecnologias inovadoras. Todos os custos inerentes a estes investimentos são suportados pelos produtores, não existindo uma variação no preço do leite praticado. Desta forma, estamos perante uma situação em que os custos de produção aumentam e as margens líquidas diminuem, representando um decréscimo da rentabilidade das explorações. Este artigo tem como objetivo identificar os componentes que exercem maior influência sobre os custos inerentes à atividade, bem como estabelecer algumas medidas que devem
ser tomadas pelos produtores a fim de minimizar o impacto negativo causado pela redução da rentabilidade das explorações leiteiras (Lopes et. al., 2004, Oliveira et. al., 2009; Rodrigues et. al., 2012).

REVISÃO DA LITERATURA
Nos últimos anos, os produtores de leite têm refletido sobre a necessidade de administrarem bem a sua atividade, tornando-se mais eficientes e, consequentemente, competitivos. É cada vez mais importante ter um controlo adequado e um sistema de gestão que possibilite gerir as mais diversas informações relativas a esta atividade para existirem tomadas de decisão rápidas e objetivas. É essencial proceder- se ao estudo do custo de produção, uma vez que este possibilita ao produtor escolher as linhas de produção que devem ser adotadas e seguidas, possibilitando à empresa dispor e combinar recursos utilizados na produção, visando a maximização da rentabilidade da exploração.
A necessidade de analisar economicamente a atividade leiteira é fundamental, dado que o empresário fica instruído relativamente à melhor forma de utilizar os recursos que possui, com o intuito de alcançar os seus objetivos: a maximização do lucro ou a minimização de custos (Lopes et. al, 2004).
Um produtor de leite deve considerar diversos fatores, como as benfeitorias que possui, máquinas, veículos, equipamentos, ferramentas, animais, entre outros. A elaboração de um inventário que possua todos os bens da propriedade de um dado produtor é muito importante para aferir quais os valores que este possui (Oliveira et. al, 2009).
Os custos de cria e recria de fêmeas de reposição, assim como os de manutenção de vacas secas devem ser contemplados na análise da rentabilidade da exploração. Devem ser, igualmente, avaliados os custos referentes à mão-de- obra, à alimentação, à sanidade, à reprodução, à ordenha, à energia elétrica, aos combustíveis, aos impostos, entre outros. Todos estes elementos e muitos outros, devem ser tidos em consideração aquando da análise económica da atividade leiteira (Lopes et. al, 2004).
O custo da alimentação representa cerca de 50 a 68% do custo total de litro de leite produzido. Por ordem decrescente de influência sobre os custos da atividade leiteira, a seguir à alimentação, encontram-se os custos de mão-de-obra, energia, sanidade, ordenha e impostos (Rodrigues et. al, 2012; Lopes et. al, 2004).
Por outro lado, os principais proveitos da atividade leiteira advêm da soma dos valores apurados com a venda de leite, animais e subprodutos (estrume).
Verifica-se, cada vez mais, um decréscimo da margem líquida, devido ao aumento dos custos de produção (associado ao aumento do custo dos fatores de produção, como as matérias- primas) e à manutenção do preço de venda do leite (ou até decréscimo, no pior cenário). Desta forma, se os empresários do setor leiteiro vêm aumentados os custos de produção e diminuídos ou mantidos os proveitos oriundos da sua atividade, têm de se ser estabelecidas medidas que visem a maximização do lucro, ou seja, que minimizem os efeitos negativos provocados pelo acréscimo dos custos de produção.
Assim, os empresários devem procurar estabelecer medidas a adotar neste sentido.
Uma vez que o principal custo de produção advém da alimentação, os empresários do setor leiteiro devem procurar utilizar aplicações informáticas que formulem arraçoamentos que satisfaçam todas as necessidades dos seus animais, ao mínimo de custo. A produção de milho e azevém para silagem na própria exploração permite ao produtor minimizar a sua dependência dos mercados externos de matérias- primas, que são caracterizados pela sua instabilidade de preços (Rodrigues et. al, 2012).
Se o objetivo do produtor for a minimização de custos, deve procurar alcançar a redução do custo do litro de leite, a despesa mensal e o incremento na produção de leite. Estes objetivos podem ser alcançados se existirem softwares que permitam a inserção e análise de dados, quer produtivos, quer económico- financeiros. Estes softwares possibilitam o acesso a todas as informações relativas à sua atividade, como os dados produtivos e reprodutivos do efetivo, bem como a estrutura de custos da empresa, podendo desta forma tomar decisões muito rápidas, que são essenciais para o sucesso da sua exploração (Oliveira et. al, 2009).

CONTRIBUTO CRITICO

A disponibilidade de informação acerca deste tema é cada vez maior, pelo que os empresários deste ramo devem pesquisar e analisar os diversos artigos desenvolvidos por investigadores, por exemplo, que estão especializados nestes temas. Toda a informação deve ser
encarada como uma mais valia para o produtor, uma vez que permite intensificar os conhecimentos do mesmo, bem como suscitar o interesse para desenvolver novos mecanismos de controlo da sua exploração. Apesar de todas as adversidades que o setor atravessa atualmente, se existir um espírito proactivo por parte dos produtores, no sentido de procurar alternativas para minimizar os efeitos relativos ao aumento dos custos de produção, é possível manter a rentabilidade das explorações. No entanto, são necessários cada vez mais sacrifícios, sendo que a eficiência deve ser a palavra-chave dos produtores. Se estes conseguirem ser mais eficientes, quer através do aumento da produção de leite, quer através da minimização de custos, conseguirão obter resultados económicos satisfatórios.

CONCLUSÃO
Apesar da crise vivida atualmente, quer em Portugal, quer a nível mundial, os produtores do setor leiteiro ainda podem conseguir obter resultados económicos satisfatórios. A rentabilidade das explorações leiteiras deve ser mantida ou maximizada, através da maximização da produção de leite ou da minimização de custos de produção. Um dos fatores mais importantes para a manutenção ou maximização da rentabilidade das explorações leiteiras assenta na organização dos dados das mesmas, quer produtivos, quer económico-financeiros. Se existir monitorização dos dados obtidos, garante-se a gestão do negócio leiteiro.

REFERÊNCIAS
Lopes, M.A.; Lima, A.L.R.; Carvalho, F.M.; Reis, R.P.; Santos, I.C; Saraiva, F.H. Controle gerencial e estudo de rentabilidade de sistemas de produção de leite na região de lavras (MG). Ciênc. Agrotec., Lavras, v.28, n. 4, p. 883-892, jul./ago., 2004.
Rodrigues, A.M.; Guimarães, J.; Oliveira, C. Rentabilidade das explorações leiteiras em Portugal – dados técnicos e económicos. Livro de resumos, V Jornadas de Bovinicultura, IAAS-UTAD, Vila Real, p. 109-129, 30- 31 Março, 2012.
Oliveira, C.A.; Almeida, J.C.C.; Pimentel, F.M.; Moraes, P.; Branco, C.C. Projeto geroleite. Melhora da gestão da produção leiteira: caso cooperativa agropecuária de Macaé- RJ. Arcj. Zootec. 58 (224), p. 745-748, 2009. 

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PEDRO MIGUEL PEREIRA MARQUES

ESTARREJA - AVEIRO

EM 29/01/2016

Boas Nuno

Nao poderia estar mais de acordo

Temos que inovar para rentabilizar, assim como a Eco Solutions

http://www.eco-solutions.pt