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Ruminação, a mais importante manifestação de bem-estar da vaca leiteira

*Baseado no artigo original do MilkPoint Brasil escrito por Paulo R. F. Mühlbach

A produção animal com animais “felizes” é, cada vez mais, uma exigência do mercado consumidor que se preocupa com a qualidade, a origem do produto e os respectivos derivados.

O efeito da dieta na ruminação

Na ruminação o animal regurgita o bolo alimentar à boca, remastigando-o demoradamente de modo a propiciar maior fragmentação das partículas, o que favorece a ação dos microrganismos para o melhor aproveitamento do alimento no rúmen e propicia a passagem das partículas não digeridas para adiante no trato digestivo, exercendo, portanto, um grande efeito sobre a capacidade de ingestão.

Ao mesmo tempo, pelos movimentos mandibulares dessa remastigação intensa, as glândulas salivares são estimuladas a secretar saliva. Este comportamento é inato a todos os ruminantes, seguindo-se aos períodos de alimentação, ou seja, distribuindo-se ao longo do dia em ciclos cuja duração dependerá, principalmente, do tamanho de cada refeição e da composição da dieta. Por exemplo, vacas leiteiras podem necessitar de 25 a 80 minutos de ruminação por kg de matéria seca de alimento fibroso consumido. Normalmente, o animal destina 1/3 do ciclo diário (em torno de 8 horas – 450 a 500 minutos) à ruminação, o que a vaca leiteira procura realizar deitada confortavelmente, priorizando o período noturno.

Desta forma, o ruminante tem uma necessidade natural em ruminar, e se esta exigência não for satisfeita, irão surgir alterações comportamentais.

Uma dieta bem balanceada, com um teor adequado de fibra suficientemente estruturada, deverá resultar numa ruminação prolongada e intensa de modo a estimular a secreção de um volume de saliva, que poderá chegar até os 250 litros/dia. A saliva, com seu elevado poder tampão (rica em bicarbonato) é fundamental para a neutralização da acidez produzida pela fermentação dos alimentos no rúmen.

Quando a ruminação e a decorrente secreção salivar não são suficientes, faz-se uso de aditivos tamponizantes na dieta, como o bicarbonato de sódio e/ou óxido de magnésio, de modo a diminuir o risco de acidose no rúmen que provoca a diminuição do consumo, redução do teor de gordura do leite consequentes problemaspodais.

Desta forma é possivel ressaltar o importante efeito do maneio alimentar (composição da dieta, tamanho de partícula, número e frequência de refeições, maneio dos restos na manjedoura) sobre a ruminação, consumo de alimento e resposta produtiva.

O efeito do bem-estar na ruminação

O tempo dedicado à ruminação é “sagrado”, mas poderá ser voluntariamente reduzido em situações de desconforto e stress (falta de bem-estar ambiental, doença, sensação de dor, ansiedade materna pós-parto) ou de atividade excessiva durante o cio, proximidade ao parto, necessidade de longas caminhadas ou reordenamento da hierarquia aquando existe a alteração dos lotes de alimentação.

O deficiente maneio ambiental, com o animal fora da sua “zona de conforto”, ou seja, num ambiente com temperatura e humidade relativa do ar geralmente excessivas, superlotação, dificuldade de acesso aos bebedouros, maus tratos, lojetes de “free-stall” mal dimensionadas e com camas inadequadas, ou mesmo, pastoreio sem disponibilidade de sombra e água fresca etc., terão efeitos negativos sobre o tempo de ruminação.

Por ser uma atividade fisiológica vital, a diminuição da ruminação deve ser considerada como um sinal evidente que a vaca emite em qualquer situação de anormalidade.

Assim, a monitorização dos períodos de ruminação permite a constatação das condições de bem-estar e saúde do animal, principalmente nas primeiras semanas do pós-parto, quando a vaca leiteira está submetida a um stress considerável e sujeita a distúrbios digestivos, metabólicos e reprodutivos, com consequente maior propensão às mastites. A duração do período ideal de ruminação deverá voltar ao normal ao fim da primeira semana pós-parto e ser mantida ao longo da lactação.

Passados uns três a quatro dias após verificação de uma queda na duração da ruminação, geralmente poderá ser observada diminuição na produção de leite. Assim, a monitorização da ruminação permite a tomada de medidas preventivas relativamente aos possíveis agentes causadores da falta de bem-estar.

A automação no monitorização da ruminação

Devemos ter em mente que a observação permanente da atividade de ruminação de uma vaca deve ser considerada como uma ferramenta importantíssima no maneio diário, mas que, face à limitação de tempo e ao crescente custo de uma mão de obra cada vez mais especializada, não é fácil de implementar.

Existe já um dispositivo desenvolvido na Suiça, que monitoriza a atividade mastigatória da vaca por meio de uma espécie de buçal e que pode detetar alterações na ruminação (RumiWatch).

Recentemente, foram publicadas investigações realizadas na Itália, com o emprego de um sistema automático de registo do tempo individual de ruminação, e que permite a compilação dos resultados em intervalos de duas horas. Num dos ensaios, conduzido no verão em “free-stall", ficou demonstrado que o stress climático elevado está associado à diminuição do tempo de ruminação, alterando o padrão diário da atividade em favor de uma ruminação noturna.

Noutro trabalho da mesma equipa, com a mesma metodologia, as observações foram realizadas durante o período de transição das vacas. A monitorização dos tempos de ruminação demonstrou que as vacas com mastite clínica apresentaram diminuição do tempo de ruminação, já alguns dias antes do tratamento da doença.

Os autores concluem que a monitorização automática do tempo de ruminação auxilia na predição da hora do parto e na rápida obtenção de informações sobre as condições de saúde, especialmente durante um período crítico como é a transição da vaca leiteira.

Atualmente, parece que a tecnologia de monitorização eletrónico está em uso crescente nos EUA, principalmente em grandes efetivos e naqueles com limitação de mão de obra, possibilitando, com base nas alterações comportamentais sinalizadas pela atividade de ruminação, a realização de ações preventivas em relação ao bem-estar e saúde geral das vacas, além da deteção dos cios.

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LEONARDO GUEDES

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 22/04/2016

Ola, já existe uma solução nacional para o monitoramento de ruminação. É uma coleira desenvolvida por uma empresa brasileira que monitora atividade, ócio e claro, o tempo de ruminação.



Ela já esta sendo utilizada no Rio Grande do Sul, São Paulo e Uruguai caso o senhor queira conhecer - http://www.chipinside.com.br.



E o mais interessante de tudo é que este sistema está disponível no modelo de plano de saúde da vaca, onde não é necessário a compra, por uma tarifa a partir de 18,90 mês/vaca você loca todo o sistema e a empresa ainda monitora remotamente seus animais alertando doenças e previsões de cio.

Caso se interesse o nome do serviço é Cowmed e da empresa Chip Inside.

Espero ter ajudado