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Stress por calor: ajustes na dieta e no maneio dos animais

POR RAFAELA CARARETO POLYCARPO

BEM ESTAR & GESTÃO

EM 13/06/2014

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Stress de Calor

Para se medir a severidade do estresse por calor, utiliza-se uma correlação entre a temperatura e a umidade (figura 1). A zona de conforto térmico bovina é entre -13ºC a +25ºC. Dentro deste intervalo de temperatura, o conforto animal está ótimo, com uma temperatura corporal entre 38.4ºC e 39.1ºC. Para alguns autores, 25ºC e até mesmo 20ºC a vaca sofre de tensão de calor: seu estado de saúde e desempenho zootécnicos são afetados.

Figure 1. Índice de Temperatura-humidade. Cada índice corresponde a um nível de tensão térmica.


Fonte: Modificado de F. Wiresama. Universidade de Arizona. 1990.

Como avaliar tensão de calor?

- Temperatura corpórea (retal)> 39.4ºC
- Frequência respiratória >100/min
- Ingestão de matéria seca reduzida em: 10% = estresse alto. Redução de 25% = estresse severo

Equilíbrio de energia alterado

Bovinos têm dois modos principais de manter o equilíbrio térmico:

1. Dispersão de calor através principalmente da evaporação, aumentando fluxo de sangue subcutâneo, arquejando, babando etc. Estas atividades aumentam a energia de manutenção. Estima-se que o aumento pode chegar até 20%. No caso da vaca leiteria, significa que parte de sua energia de produção será redirecionada para a regulação térmica.

2. Limitar a produção de calor, reduzindo toda a atividade e mudando seu padrão de alimentação. A ingestão de matéria seca pode ser reduzida de 10-30%, a ruminação, que também produz calor, pode diminuir drasticamente. A vacas tendem a comer menos durante o dia, porém mais freqüentemente e em quantidades pequenas. Tenderão a consumir mais alimento à noite quando está mais fresco e maior relação concentrado:volumoso, pois a fermentação da forragem pode aumentar a quantidade de calor produzida.

Riscos de acidose

Em períodos de estresse de calor, os riscos de acidose são aumentados. Fatores que podem contribuir a problemas de acidose ruminal são: diminuição da ingestão de matéria seca com mais baixa proporção de forragem e níveis mais altos de carboidrato, diminuição da ruminação, da saliva (Figura 2). Adicionalmente, o pH de rúmen diminuído a digestão de fibras será prejudicada: bactérias celulolíticas do rúmen são as mais afetadas quando pH de rúmen diminui (à baixo de 6.0).

Figura 2. Estresse por calor, com suas consequências fisiológicas e de comportamento, aumentando os riscos de acidose ruminal.


Stress e manejo

Existem algumas práticas que podem ser adotas nas propriedades sem causarem grandes alterações no manejo diário dos animais como:

- Oferecer água limpa  frequentemente
- Distribuir mais frequentemente o alimento
- Alimentar nos tempos mais frescos do dia.

Recomendações de ordem nutricional

Para limitar os danos provocados pelo stress, em particular a acidose ruminal, a ração pode ser ajustada. Os seguintes itens podem ser seguidos sem causar grandes alterações na rotina da propriedade:

1. Elevar o nível de energia da dieta

2. Procurar oferecer ingredientes palatáveis e que produzam pouco calor ao serem fermentados

3. Utilizar forragens de alta qualidade e palatável

4. Utilizar produtos com ação antioxidantes como o Selénio e a vitamina E, pois animais com stress por calor tendem a aumentar as taxas de oxidação, com isso mais radicais livres podem ser formados, o que é prejudicial a saúde dos animais.

5. Mais recentemente, alguns probióticos vêm sendo lançado no mercado, indicando que seu uso em caso de animais sob calor pode vir a amenizar os efeitos do estresse.

Enfim, existem sim técnicas que podem amenizar os danos causados pelo estresse produzido pelo calor, mas cabe a nós técnicos e aos produtores que evitem este quadro em suas propriedades. Procurando colocar a disposição do animal o mínimo possível de infra-estrutura (água, sombra etc...) para que o mesmo tenha suas exigências supridas.

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint.PT, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

RAFAELA CARARETO POLYCARPO

Profa. Dra. Universidade de Brasília - UnB

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