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Tendências para o mercado de manteiga em 2017

POR KENNYA SIQUEIRA

INDÚSTRIA & MKT DOS LATICÍNIOS

EM 24/04/2017

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A aglomeração mecânica da gordura do leite é a forma de processamento de um dos derivados lácteos mais comercializados no mundo: a manteiga. Em 2016, 9,4 milhões de toneladas de manteiga foram consumidos no mundo, sendo a grande maioria consumida no Índia (55,2%).

Apesar de ser um alimento conhecido e preparado pelo homem há mais de 10 mil anos, nos últimos tempos, a manteiga foi considerada a  inimiga número 1 da saúde pública, por causa do seu teor de gordura, que chega a mais de 80%. A ciência considerava que o alto teor de gordura saturada da manteiga fosse prejudicial à saúde humana e contribuísse para o aumento do risco de doenças cardiovasculares. Com isso, a manteiga perdeu espaço nas prateleiras para a margarina.

Ao contrário da manteiga, a margarina não é um derivado lácteo. É um produto obtido via hidrogenação do óleo vegetal, ou seja, a incorporação de hidrogênio às moléculas de gordura. O resultado desse processo é um produto rico em gordura trans.

Nos Estados Unidos,  após 50 anos, a manteiga ultrapassou a margarina em vendas.

Figura 1: Consumo per capita de manteiga e margarina nos Estados Unidos (em pounds/ano) Fonte: USDA.

Consumo per capita de manteiga e margarina nos Estados Unidos

Descobertas científicas de que a gordura saturada da manteiga não está associada a problemas cardíacos como se pressupunha, aliado às novas preferências dos consumidores por produtos mais naturais e menos processados, impulsionaram o consumo da manteiga. Nos EUA a manteiga está a voltar aos seus dias de glória e com o seu boom de consumo. Sendo usada em massas e pães, estima-se que o consumo americano aumente 8% este ano, atingindo 940 mil toneladas, ou seja, quase a altura do Empire State Building.

Como os Estados Unidos são, geralmente, o ponto de partida das tendências mundiais de consumo de alimentos e bebidas, espera-se que este bom momento da manteiga ultrapasse as barreiras americanas para outros países. 
 

Com isso, as oportunidades são muitas para a indústria de manteiga. Considerando-se as grandes empresas de laticínios, só nos Estados Unidos, em 2016, foram lançados 16 novos tipos de manteiga e todos os lançamentos seguem tendências marcantes de preferências do consumidor (Figura 3).

Figura 3. Exemplos de manteigas lançadas no mercado americano em 2016. Fonte: Divulgação.

Exemplos de manteigas lançadas no mercado americano em 2016
A maior parte dos produtos introduzidos no mercado americano apresenta sabores diversificados, voltados principalmente para o uso culinário. Nos últimos tempos, chefs e consumidores, de um modo geral, redescobriram a manteiga como ingrediente que confere não só gordura, como também sabor diferenciado aos pratos.

Outra parcela significativa dos lançamentos no segmento de manteiga teve foco na nutrição e saúde, que segundo as pesquisas com consumidores, tem sido um dos principais motivadores de consumo atualmente. Nessa linha foram lançadas manteigas sem sal, manteigas bio e manteigas sem lactose.

O segmento dos biológicos tem crescido consideravelmente nos últimos anos, visto que os consumidores estão dispostos a pagar mais por esses produtos considerados premium. O Rabobank estima que até 2025, as vendas de produtos bio devem crescer 6,7% e 7,6% (CAGR) no Norte da Europa e Estados Unidos, respectivamente. Isso é três vezes mais que a estimativa de crescimento da indústria de alimentos mundial.

Dois novos produtos têm como característica principal a oferta de manteiga produzida do leite de vacas criadas a pasto, sem hormonas e sem antibióticos. As pesquisas indicam que, atualmente, os produtos e marcas que são transparentes, ou seja, que mostram como são produzidos e processados têm mais hipóteses de atrair os consumidores conscientes.

Neste cenário, pode-se dizer que é hora da indústria investir e inovar para ir ao encontro das necessidades do mercado consumidor que, apesar de enfrentar uma crise económica, continua ávido por novidades, especialmente aquelas ligadas à saúde e bem-estar.

 

KENNYA SIQUEIRA

Pesquisadora da Embrapa Gado de Leite

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