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7 Hábitos para uma Ordenha de Sucesso - Parte II

Para auxiliar os produtores a obterem um leite de elevada qualidade, a secção de Qualidade do Leite da Universidade de Wisconsin (EUA) publicou uma serie de vídeos informativos que visam definir os melhores e mais importantes hábitos de ordenha.

O MilkPoint publica hoje o segundo video desta serie,  em que a Drª. Pamela Ruegg, da seção de investigação leiteira da universidade de Wisconsin, expõe o primeiro hábito fundamental para uma correta rotina de ordenha.

 



Tradução do vídeo:
Calmas & Limpas

Neste vídeo vai ser abordado o hábito 1, sendo que este deve ter inicio muito antes dos animais entrarem dentro da sala de ordenha. Consiste em ter as vacas calmas & limpas antes de se dar inicio ao processo de tiragem do leite.

A importância da limpeza

Em primeiro lugar a autora abordou a importância da limpeza e da higiene das instalações, da zona de espera das vacas e das próprias vacas. Todos estes parâmetros vão ter um impacto significativo na velocidade da ordenha e o aparecimento de novos casos de mastite.
Vacas sujas demoram mais tempo a serem ordenhadas, estão mais propensas a desenvolverem mastite e, com vacas sujas, os ordenhadores são menos eficientes.

Exposição das vacas a agentes patogénicos nas instalações

Há imensos estudos científicos que sustentam a teoria de que a exposição a agentes patogénicos nas instalações aumenta o número de infeções nos animais. Especialmente as mastites causadas por bactérias de natureza ambiental, como a Klebsiella spp.
Investigadores de Ohio (Hogan et al) demonstraram em 1989 que com o aumento das colónias de bactérias nas camas das vacas também aumentavam os episódios de mastite clinicas.

A autora refere que quando se analisam as instalações de uma exploração, devemos sempre olhar atentamente para o tipo de camas, sabendo à partida que as que são preenchidas com materiais biológicos como as aparas de madeira, serradura ou fezes desidratadas contêm uma maior carga de bactérias Gram negativas. Há imensas provas de que as mastites clínicas aumentam conforme o número de colónias bacterianas nas camas dos animais. O ponto mais importante de controlo das camas é a verificação de que os úberes das vacas estão visivelmente limpos e secos.

Higiene dos animais.


Manter o úbere limpo e seco é um dos pontos críticos de controlo para minimizar a incidência da mastite e a autora refere que felizmente dispomos de uma serie de ferramentas que permitem avaliar a limpeza do úbere.
Num estudo de Schreinder, D.A. e P.L. Ruegg em 2003, foram avaliadas 1250 vacas em 8 explorações leiteiras, sendo que cada exploração foi visitada 5 vezes ao longo de 10 meses. Nestas visitas foi avaliada a higiene do úbere recorrendo a uma tabela previamente estruturada pelos investigadores. Para além desta classificação visual, foram também colhidas e analisadas amostras de leite no que se refere à contagem de células somáticas, de forma a ser possível determinar a relação entre a higiene do úbere e o desenvolvimento da mastite subclínica.
Para a classificação visual foi usada uma tabela simples, apresentada na figura 1, variando a amplitude da escala aplicada entre 1 (muito limpo) e 4 (muito sujo).


Figura 1: Tabela de Classificação da higiene dos úberes dos animais usado no estudo referido, http://bit.ly/1DWWLQG

Após o processamento dos dados recolhidos, no gráfico 1 são facilmente identificadas as diferenças entre as vacas com os úberes muito limpos (coluna 1) e as vacas com úberes muito sujos (coluna 4). A parte avermelhada da coluna representa as vacas infetadas com mastite ambiental e a parte esverdeada da coluna representa as vacas infetadas com agentes patogénicos contagiosos.
É notória uma diferença de quase 10 % de infecções entre os animais considerados muito limpos (1) comparados com os animais muito sujos (4).


Gráfico 1: Percentagem de vacas infetadas com os agentes patogénicos mais comuns analisados nos antibiogramas.

A recomendação da autora é que pelo menos 80 % das vacas de qualquer exploração tenham uma classificação de higiene do úbere entre 1 e 2 (conforme esta tabela).

Maneio das vacas.

Outro aspeto importante a ser considerado no hábito 1, é que as vacas devem estar calmas.

Para que a ordenha decorra da forma desejada a vaca deve largar o leite voluntariamente, sendo este processo controlado pela mobilização de oxitocina para o sangue que por sua vez é controlada pela glândula pituitária. Se ocorrer um distúrbio na largada voluntária do leite, este geralmente tem origem no nervosismo da vaca. Há estudos que demonstram que a libertação de adrenalina, (“a hormona que controla o estado de alerta e a preparação para o perigo”), 30 minutos antes do processo de ordenha da vaca interfere com a largada do leite.

Quando se visita e analisa uma exploração, facilmente através da observação se identifica se as vacas estão calmas, se o estiverem elas permitem uma aproximação dos humanos, não se levantam assim que um tratador ou ordenhador entra no estábulo, entram (na sua maioria) voluntariamente na sala de ordenha e poucas defecam enquanto estão a ser ordenhadas.

É muito importante que os ordenhadores sejam pacientes com as vacas, estes não as devem agredir ou enxotar com violência, perseguir, gritar ou dar pancadas no material. Todos estes processos assustam as vacas e acabam por influênciar a sua produtividade.

Comportamento humano

Existem muitos estudos interessantes sobre a relação entre o comportamento dos ordenhadores e dos tratadores e a performance das vacas. A autora considera que o mais interessante é de Hemsworth et al, publicado em 2000 no Journal of Animal Science. Neste estudo foram avaliados os colaboradores de 66 explorações australianas.
Ficou cientificamente verificado que o comportamento dos colaboradores influência directamente o número de experiências negativas das vacas, tais como pontapés ou escorregadelas. Quando a atitude dos colaboradores era brusca, no estudo, claramente as vacas se movimentavam mais, davam mais coices durante a ordenha e tinham produções inferiores.

Este mesmo grupo conduziu um segundo estudo em 2002, em que dividiu as 66 explorações em dois grupos. O grupo 1 funcionou como grupo de controlo e no grupo 2 foram dadas formações sobre o bem-estar animal, o comportamento natural das vacas e o comportamento que os humanos devem adotar com elas. Quando comparados os dois grupos, foi evidente que a formação tinha sido eficaz e que dela vieram frutos. No grupo 2 existiu uma redução de 50% de intereções negativas entre humano/animal e como resultado, nestes efectivos a produção aumentou cerca de 5%.

Com estes resultados a autora conclui que a formação é muito importante para todos os intervenientes na exploração.

Resumo

Hábito 1:
  1. As vacas devem entrar calmas e limpas para a ordenha.
  2. A higiene das vacas é importante para reduzir a taxa de incidência de doenças e resulta de um maneio adequado nas instalações e das vacas.
  3. A calma das vacas resulta de uma formação eficaz de todos os colaboradores da exploração.
Continuação

No próximo vídeo vai ser abordado o segundo hábito, e este consiste no agrupamento eficaz e eficiente das vacas de forma a reduzir os contágios de mastite entre os animais.

Este conteúdo foi obtido através da tradução e adaptação, pela equipa do MilkPoint, do conteúdo do vídeo disposto no artigo, que provém da página da secção de Qualidade do Leite da Universidade de Wisconsin.

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