FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA PASSWORD SOU UM NOVO UTILIZADOR

Analisando e Prevenindo a Metrite

A metrite e endometrite são inflamações resultantes de uma infecção no útero, que debilitam o animal e por consequência levam à redução da produção de leite e à redução da taxa de sucesso de voltar a emprenhar. É frequente o aparecimento de animais com estas doenças nas explorações leiteiras.

Tecnicamente a metrite envolve o endométrio (revestimento do útero), o tecido subjacente glandular e as camadas musculares. A endometrite envolve apenas o endométrio e os tecidos subjacentes glandulares.
Estas inflamações, na generalidade, manifestam-se após o parto devido a uma deficiente involução uterina e podem ter diversas causas.

Um grande número de microorganismos foi implicado como causadores da metrite, como bactérias, vírus, fungos e protozoários. Estes agentes patogénicos introduzem-se no útero por diversas vias. Mais frequentemente, bactérias e fungos contaminam o útero durante o parto ou o período pós-parto. O trato reprodutivo fica muito susceptível durante este período, principalmente se existirem traumas ou lesões na vagina ou na vulva. Qualquer assistência ou manipulação realizada durante o parto pode facilmente introduzir organismos dentro do útero.


Foto: Vulva com lesões pós-parto de uma primípara (Foto MilkPoint)

A infecção no útero pode resultar de uma infecção existente noutro local do animal, tais como as causadas pelo vírus do IBR ou o BVD. Pode ser também causada por monta natural ou através do material de inseminação. Esta contaminação é mais provável de acontecer se o animal for manipulado fora do período de estro, uma vez que nesta altura as suas defesas estão mais elevadas de uma forma natural.

A metrite pode aparecer de uma forma aguda, afetando rapidamente o apetite e a produção de leite da vaca, ou de uma forma crónica, persistindo durante um longo período de tempo. A metrite crónica é muito mais difícil de identificar, sendo que culturas do útero por vezes não identificam a doença e para a diagnosticar é necessário realizar a uma biópsia uterina.

Na prática o que mais importa reter é que a metrite debilita fisicamente o animal afetado e por consequência reduz o leite produzido e a taxa de sucesso de voltar a emprenhar.

A prevenção na maioria dos casos não é específica. Um dos aspectos mais importantes é aliviar os fatores que comprometem a resposta imune da vaca de transição e por consequência reduzam o balanço energético negativo em que incorre. Portanto, a prevenção da metrite fornece um retorno multiplicado para o tempo e o esforço investido.

A prevenção inicia-se muito antes do parto. Já estará a prevenir quando toma uma decisão relativa ao maneio reprodutivo. Quanto maior o intervalo parto-fecundação, maior a probabilidade de vir a ter animais com uma condição corporal inadequada à secagem e por consequência ao parto. Animais muito gordos ou muito magros, ou animais que alterem a sua condição corporal durante o período de secagem, dão quase sempre problemas.

Importa voltar a referir que as decisões relativas ao tratamento (desde a alimentação ao alojamento) das vacas durante o período de secagem são de elevada importância.

Um estudo de Von Keyerlingk e Weary na Universidade de British Columbia mostrou que as vacas que vieram a ser diagnosticadas com metrite / endometrite tinham gasto menos tempo a comer durante o período pré-parto (três semanas antes do parto) e também pós-parto em comparação com vacas saudáveis. O que vem a apoiar a teoria de que a capacidade de ingestão e a disponibilidade alimentar durante o período seco tem de ser feito de forma a aliciar os animais a virem comer, e efectivamente comerem tudo aquilo que conseguem e que necessitam.
Uma maior competição no alojamento também influencia o comportamento alimentar, o que sugere que o respeito pelas indicações de lotação no parque das vacas secas nunca deve ser esquecido.

Outro factor que se relaciona com tudo o que já foi descrito é o meio ambiente (ventilação e temperatura). Quanto melhor se sentir a vaca, melhor a capacidade e vontade de ingestão do nosso animal.


Foto: Dailymail

É também crucial trabalhar a par com o nutricionista para garantir a ingestão adequada de nutrientes e formas de alimento que reduzam a probabilidade de incidência de hipocalcémia, cetose, deslocamentos de abomaso e retenção placentária. Monitorizar a incidência destes problemas no período pós-parto e definir metas é a melhor forma para posteriormente ser capaz de efetuar alterações eficazes na prevenção..

Controlar a hipocalcémia merece uma atenção especial porque as vacas com hipocalcémia subclínica nos 3 primeiros dias pós-parto têm um risco 3 vezes superior de vir a desenvolver metrite (N. Martinez et al.)

A higiene da zona do parto é também extremamente importante. A exposição a agentes patogénicos, tanto por parte da vaca como do vitelo no ambiente parto irá afetar a saúde de ambos.

Dica: Limpe e cama destinada ao parto com uma frequência de tal modo adequada, que quando você se ajoelha na mesma, os seus joelhos não ficam molhados.

Disponibilizar pessoal a auxiliar o parto pode ser um fator positivo, pois as dificuldades de parto aumentam a taxa de incidência de metrite significativamente. No entanto, a menos que a assistência do parto é feita correctamente e com a higiene adequada, pode ter um efeito adverso. É importante desenvolver um protocolo de assistência de partos com seu veterinário e treinar os seus funcionários sobre a assistência aos partos. Considere sempre os mais elevados padrões de saneamento, a preparação do pessoal, a preparação dos equipamentos e a preparação da vaca.

Após o parto é necessário continuar a incentivar o consumo de alimento e monitorizar as vacas frescas.

Dica: Tenha preferencialmente um parque para as recém-paridas, mas se não tiver estas condições, marque-as de uma forma bem visível, de modo que, quando um responsável for fazer uma ronda, rapidamente identifique estas vacas e eventualmente as encaminhe para a manjedoura.


FOTO: Vaca recém-parida identificada (Foto MilkPoint).

As vacas com metrite são as mais propensas a desenvolver endometrites. É importante desenvolver um protocolo com o seu veterinário para acompanhar e intervir nestes animais.

A incidência de metrite e endometrites são específicos da exploração e reduzi-la vai exigir que os agricultores e os seus funcionários compreendam os riscos para seu efetivo.

A Metrite é um dos indicadores de má gestão do período de transição. Programe um tempo com o seu veterinário e o seu nutricionista para fazer uma avaliação do programa para a vaca em transição com uma abordagem pró-ativa.

Novos avanços podem vir fornecer ferramentas para ajudar a prevenir a metrite ou a reduzir a gravidade da mesma. O desenvolvimento de uma vacina contra a metrite é uma grande esperança para esta situação (consulte o artigo publicado sobre esta matéria clicando aqui). Além disto, utilizando genética de touros que respondam com uma imunidade superior pode também ser uma excelente ferramenta.
No entanto, estas e outras ferramentas nunca irão substituir a necessidade de fazer um excelente trabalho na gestão do período de transição das vacas.


Este artigo foi elaborado pela equipa do Milkpoint, tendo por base os artigos:

DURST, P. Preventing Metritis, website da Universidade de Michigan, publicado a 9 de Junho 2014
MANSPEAKER, J.A. , Metritis and Endometritis, Universidade de Maryland


1

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint.PT, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MIGUEL VIEIRA

OVAR - AVEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/01/2015

Um bem haja para este tipo de artigos!!!