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Análise aos beneficios e às formas de administração de cálcio

*Artigo original de David Melie

Baixos níveis de cálcio no sangue, ou hipocalcémia é um sério distúrbio que as vacas leiteiras podem enfrentar durante o parto e o processo inicial de lactação.

O seu tratamento e prevenção foram os tópicos mais importantes do webinar “Prevenção e tratamento da hipocalcémia subclinica” organizado pelo DAIReXNET em dezembro de 2014.

Gary Oetzel, professor da Escola de Veterinária da Universidade de Wisconsin-Madison(EUA) apresentou informação sobre as causas, a prevenção e o tratamento da hipocalcémia. A inesperada falta de cálcio, com ou sem sinais clínicos, geralmente ocorre em vacas mais velhas pouco após o parto. A hipocalcémia subclinica, definida por niveis de cálcio inferiores a 8.6 mg/dL de cálcio total no sangue, é muito mais frequente que a hipocalcémia clinica, também conhecida como febre do leite.


Geralmente a hipocalcémia subclinica tem um efeito negativo na saúde das vacas através de uma serie de factores, como a diminuição da ingestão de matéria seca e a maior predisponibilidade para doenças pós-parto como as metrites, febres do leite e cetoses.
De acordo com Oetzel, as vacas inicialmente eram classificadas como estando em hipocalcémia quando os niveis de cálcio se apresentavam abaixo dos 8.0 mg/dL. Após uma investigação em 2014 na Florida (EUA) apontou-se um novo limite, os atuais 8.6 mg/dL.

Para minimizar a incidência da hipocalcémia é fundamental adequar a dieta pré-parto, restringindo a quantidade de cálcio disponível na dieta e ajustando outros nutrientes às necessidades da vaca durante esse período critico. Para mais esclarecimentos pode consultar a análise “Maneio da nutrição na época da secagem”, publicada anteriormente no MilkPoint.
No webinar em causa Oetzel comparou a administração de cálcio por via intravenosa (IV) e por via oral. Geralmente a administração oral é mais adequada aos animais que ainda se aguentam de pé e nunca deve ser a solução para as vacas que se encontram caidas, para estas vacas o método de eleição passa por uma administração IV.

O autor considera que a aministração de cálcio oral é usada moderadamente por duas razões principais:

• Falta de envolvimento do medico veterinário na formulações de protocolos de tratamento na exploração.
• Dificuldade em administrar o cálcio oralmente.

O locutor do webinar enfatizou os efeitos positivos do cálcio administrado oralmente nas vacas com hipocalcémia ainda de pé e lamentou a sua imagem menos positiva no setor leiteiro.

Podem ocorrer sérios problemas após a administração do cálcio IV e esta aplicação é desnecessária em vacas que não estejam caídas. Elas devem ter a capacidade de absorver o cálcio através do trato digestivo. Vacas em que é administrado o cálcio por via IV verificam um manutenção dos níveis de cálcio durante o período seguinte à administração muito mais reduzido, provavelmente devido a níveis inferiores de calcitonina que são mobilizados, quando comparada com uma administração oral. De não ignorar que existe sempre um risco maior de fatalidade da vaca provocado por um eventual bloqueio do coração enquanto se administra o cálcio por via IV.

Oetzel e os seus colegas da Universidade de Wisconsin – Madison conduziram uma investigação sobre os efeitos da suplementação de cálcio por via oral, na saúde e na produção de vacas recém-paridas. O objetivo secundário do estudo foi a determinação de como diferentes subgrupos (produções em lactações anteriores, etc..) de vacas respondiam a esta suplementação.

Resultados práticos

Durante o verão de 2010, 927 vacas foram divididas em dois grupos, um grupo de controlo e um em que se administraram bolus de cálcio. Ambos os grupos tiveram uma alimentação pré-parto igual e balanceada conforme as recomendações. 53% das vacas foram diagnosticadas com hipocalcémia subclínica.

Nos resultados constatou-se que vacas que tiveram uma produção relativamente elevada na lactação anterior e que foram suplentadas com cálcio, produziram mais 6.5 % relativamente ás vacas no grupo de control. Oetzel concluiu que boas vacas, quando suplementadas com cálcio por via oral têm uma ingestão de matéria seca mais superior nos dias após o parto, arrancam melhor a lactação e desta forma produzem mais leite. Foi curioso que as vacas suplementadas foram capazes de produzir mais leite sem que se verificasse uma maior incidência de doenças pós-parto.

Também se verificou que foram as vacas mais saudáveis e com as produções mais elevadas nas lactações anteriores que melhor responderam à suplementação com o cálcio oral.

Recomendações


Por fim, o autor do webinar frisou que, das três fontes de cálcio oral disponíveis, o cloreto e o proprionato de cálcio devem ser preferidos ao carbonato de cálcio por este verificar uma absorção muito inferior. O cloreto de cálcio é considerado o “gold standard” da suplementação oral. O proprionato de cálcio é absorvido de uma forma mais lenta e requer uma dose total suplementada superior, no entanto pode funcionar muito bem quando usada na forma de drenching (bombada).

Este artigo provém do Progressive Dairyman, e foi traduzido e adaptado pela equipa do MilkPoint.


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JOSÉ FERRÃO

LISBOA - LISBOA - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 23/05/2015

Desde que comecei a trabalhar que não gosto de tratar a hipocalcemia clínica, acho sempre que falhou algum passo da prevenção, felizmente é algo que nos dias de hoje é tão raro que nem perco tempo a analisar. Hoje como é referido excelentemente no artigo temos de nos focar na hipocalcemia subclinica, o seu tratamento, e as suas causas.Também acho que por vezes a idade do animal pode ser o factor mais importante quando se confronta primiparas com multiparas, mas dentro das multiparas os tratamentos tem ser mais diverso e pensado consuante vários factores desde condição corporal, tempo de secagem, produção relativa em relação ao restante efectivo,bem estar no pre e posparto e densidade animal do mesmo....por ai fora