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As relações entre fertilidade e mudança da condição corporal e do peso corporal pós-parto em vacas leiteiras em lactação

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

CLÍNICA, REPRODUÇÃO & QUALIDADE DO LEITE

EM 07/08/2015

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*Artigo original MilkPoint Brasil

Este texto é a parte do artigo publicado por Carvalho, et al. (2014) no Journal Dairy Science, 97:3666–3683.

O período de transição, definido como o período de 3 semanas antes a 3 semanas após o parto, representa um desafio para vacas leiteiras pois a produção de leite e ingestão de matéria seca (IMS) aumentam drasticamente nesta fase. Em algumas vacas, a falta de sincronização ideal destes dois processos podem resultar num balanço energético negativo (BEN), mobilização de gordura do tecido adiposo e perda de condição corporal (CC) e de peso corporal (PC).

A associação entre a condição de energia e eficiência reprodutiva durante o período de transição em vacas leiteiras foi demonstrada em vários estudos. Por exemplo, uma análise retrospectiva de sete estudos sobre nutrição pré-parto encontrou que alimentar as vacas no pré-parto com dietas de alta energia resultou no aumento da perda de CC no pós-parto e no aumento do intervalo entre o parto e a gestação (Cardoso et al., 2013). Além disso, outros 2 estudos encontraram que o aumento da concentração de ácidos gordos não esterificados (AGNE) durante o transição período está relacionado com a redução do risco de gestação 70 dias após o período voluntário de espera nas avaliações de mais de 2000 vacas em lactação (Ospina et al., 2010b) ou na redução da taxa de prenhez em avaliações de 60 efetivos mantidos em freestall.

Noutro estudo com 156 vacas leiteiras em lactação, Garverick et al. (2013) relataram que a probabilidade de gestação na primeira IA em tempo fixo no pós-parto reduz com o aumento da concentração de AGNE no dia 3 pós-parto. Outros estudos também indicam uma relação negativa entre AGNE ou ou perda de CC no pós-parto e fertilidade. Em contraste, nenhum efeito de aumento das concentrações de AGNE ou β-hidróxi-butirato (BHBA) durante o período de transição sobre a eficiência reprodutiva foi encontrado num grande (n = 2365) estudo multiregional (Chapinal et al.,2012a). Infelizmente, em nenhum destes estudos foram fornecida informações detalhadas sobre o maneio reprodutivo, exceto no estudo de Garverick et al. (2013).

Existem vários mecanismos potenciais pelos quais a condição energética durante o período pós-parto pode reduzir a fertilidade em vacas leiteiras. O BEN diminui o crescimento do folículo dominante e a produção de estradiol, possivelmente por causa da diminuição nas concentrações circulantes de insulina e IGF-1, e da redução dos pulsos de LH. Um período mais longo do parto até ponto de menor balanço energético negativo tem sido associado ao aumento do intervalo até a primeira ovulação pós-parto. Além disso, a magnitude da perda de CC após o parto pode aumentar a percentagem de vacas não ciclicas no final do período voluntário de espera. Assim, um BEN no inicio do pós-parto pode diminuir a eficiência reprodutiva devido ao aumento da percentagem de vacas anovulares. De facto, vacas anovulares têm menor eficiência reprodutiva em programas que utilizam a detecção de cio ou protocolos de insiminação artificial a tempo fixo (IATF). Além disso, vacas que começam programas de IATF com baixa concentração de progesterona (P4) têm redução da fertilidade, independente da ciclicidade. Vacas com menor CC perto do momento da IA verificam diminuição da fertilidade e isto pode estar relacionado com o aumento da proporção de vacas anovulares.

A perda excessiva de CC entre parto e a primeira inseminação está associado com baixo desempenho reprodutivo. A hipótese clássica foi introduzida por Britt (1992), que postulou que a condição de energia durante período pós-parto precoce pode alterar a qualidade do folicúlo/oócito, resultando em efeitos negativos na subsequente fertilidade de vacas leiteiras em lactação. No entanto, evidências definitivas para esta hipótese, bem como a definição das etapas do processo reprodutivo e mecanismos celulares (fertilização ou desenvolvimento embrionário inicial) envolvidos no efeito do BEN sobre a eficiência reprodutiva ainda não foram demonstrados.

Neste estudo, foi realizada uma análise retrospectivade estudos anteriores que tinham indicadores da condição energética das vacas durante o período pós-parto (CC, mudanças na CC e perda de peso corporal) e a fertilidade medida na primeria IA no pós-parto. Para minimizar o potencial de heterogenidade entre os efeitos da cicliciadade no inicio do protocolo de IATF, optou-se por avaliar apenas vacas que tivessem sido tratadas com o protocolo duplo Ovsynch, que induz a ciclicidade na maioria das vacas antes de começar o protocolo de IATF Ovsynch. Os objetivos específicos foram (1) avaliar a associação entre CC perto da IATF na fertilidade à primeira IA, (2) avaliar a associação entre a mudança de CC no pós-parto na fertilidade da primeira IA em vacas leiteiras em lactação, e (3) avaliar o efeito da mudança de CC no pós-parto sobre concentrações circulantes de AGNE e produção de embriões in vivo em vacas leiteiras que foram superovuladas na primeira IA. As hipóteses foram: (1) vacas com baixa CC próxima da IA tem menor fertilidade na primeira IATF pós-parto, (2) vacas com maior perda de CC no pós-parto tem menor fertilidade na primeira IATF em comparação com vacas com menor perda de CC, e (3) vacas com maior perda de peso corporal no pós-parto tem maiores concentrações circulantes de AGNE e menor qualidade embrionária.

No ensaio 1, a CC de vacas leiteiras (n = 1103) foi avaliada perto da IA. A maioria das vacas (93%) estavam ciclando no inicio do protocolo Ovsynch (primeira injecção de GnRH). Menor percentagem de prenhez por IA (P/IA) foi encontrada em vacas com menor CC (≤2.50) do que em vacas com maior CC (≥2.75) (40,4 vs. 49,2%).
No ensaio 2, vacas leiteiras de 2 efetivos (n = 1887) foram divididas de acordo com a mudança da CC do parto até a terceira semanas pós-parto. Em geral, P/IA diagnosticada 70 dias após a inseminação diferiu drasticamente de acordo com a mudança no ECC, sendo menor para as vacas que perderam ECC [22,8% (180/789)], intermediaria para as que mantiveram o ECC [36,0% (243/675)] e maior para as que ganharam ECC [78,3% (331/423)]. Surpreendentemente, foi detetada diferença entre as duas fazendas, em uma das fazendas a mudança do ECC não afetou a P/AI.

No ensaio 3, vacas em lactação (n = 71) tiveram do peso corporal medido semanalmente da primeira até a nona semana pós-parto e então foram submetidas a um protocolo de superovulação com o protocolo duplo-Ovsynch modificado. As vacas foram divididas em quartis (Q) de acordo com a percentagem de mudança do peso corporal (Q1= ganho de 2,46% do PC; Q2 = perda de 0,96%; Q3 = perda de 2.96% e Q4 = perda de 7,49% do PC) do parto até a terceira semana após o parto. Foi detectada relação entre a concentração de AGNE e a mudança de peso corporal. Nenhum efeito dos quartis foi detectado no número de ovulações, no número total de embriões recuperados, ou a percentagem de oócitos que foram fertilizados; no entanto, a percentagem de oócitos fertilizados que foram classificados como embriões transferíveis foi maior para vacas nos Q1, Q2, Q3 do que no Q4 de (83,8, 75,2, 82,6, e 53,2%, respetivamente). Além disso, a percentagem de embriões degenerados foi menor para vacas nos Q1, Q2 e Q3 e maior para Q4 (9,6, 14,5, 12,6, e 35,2%, respetivamente).

Em conclusão, para vacas sincronizadas com o protocolo duplo-Ovsynch, o efeito da baixa CC (≤2.50) perto AI sobre a fertilidade foi detetado, mas a mudança na CC durante as primeiras três semanas pós-parto teve um efeito mais marcante sobre P/IA na primeira IATF pós-parto. Este efeito pode ser parcialmente explicado pela redução na qualidade do embrião e no aumento de embriões degenerados no dia 7 após IA em vacas que perderam mais peso corporal da primeira para a terceira semana após o parto.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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