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Claudicações - Um dos problemas com maior impacto nas explorações leiteiras

POR NÚCLEO BUIÁTRICO DA AEFMV

CLÍNICA, REPRODUÇÃO & QUALIDADE DO LEITE

EM 24/04/2014

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As claudicações em bovinos estabulados são das afecções que mais afectam o bem-estar animal em explorações sobretudo leiteiras, sendo que indirectamente o produtor tem perdas económicas avultadas sem que muitas vezes se aperceba de tal facto.

Depois dos problemas de saúde do úbere e de reprodução, os problemas podais aparecem em terceiro lugar no ranking das doenças com maiores perdas e custos, tanto directos como indirectos (Serrão, 2007). É sabido que numa vacaria o lucro para o produtor advém principalmente da quantidade e qualidade do leite produzido, do valor das suas vacas de refugo e pela venda de vitelos, entre outos. Um animal doente significa uma perda de centenas de euros contabilizando o tratamento médico, a quebra na produção, o maior número de horas despendido por animal por parte dos tratadores e refugos precoces (Serrão, 2007). Daqui se conclui que para além de tratar, importa prevenir, e para tal, é imperativo entender quais as causas que estão na origem do problema assim como quais os sinais que os animais nos dão de que algo de errado se passa com a sua locomoção. Estima-se que o tratamento de um animal coxo tenha um custo de cerca de €109, para além da perda dos cerca de 1000kg de leite/lactação no caso de uma alta produtora, o que no total de perdas, tanto directas como indirectas, ronda os €402 por cada vaca coxa (Kossaibati, 1997). Aliado à quebra da produção leiteira, é ainda de salientar que um animal com problemas podais tem menor taxa de concepção ao primeiro serviço sendo necessários um maior número de inseminações por concepção, verificando-se assim um intervalo parto-concepção superior quando comparado dados obtidos em grupos de animais saudáveis (Serrão, 2007).

Segundo Philipps (2012), a prevalência de claudicação numa vacaria ronda os 20%, contudo este valor é bastante variável (entre 5,5 a 30%) quando analisados alguns países europeus como Inglaterra, Bélgica, Holanda, Alemanha e Dinamarca. Num estudo em 12 explorações portuguesas, demonstrou-se uma prevalência média de 48%, tendo mostrado uma variação entre 23 e os 91% (Carreira et Stilwell, 2010). Dentro do efectivo, as primíparas são consideradas um grupo de risco, isto porque, quando introduzidas nos parques de produção ficam sujeitas a novos regimes hierárquicos, tendo de adoptar algumas estratégias com a finalidade de se defenderem. Uma delas é o facto de apresentarem muitas vezes os membros posteriores fora do cubículo (“perching”) para mais facilmente fugir. No entanto, o aumento da pressão exercida nestas úngulas, aumenta a probabilidade da ocorrência de problemas (Philipps, 2002).

Muitas vezes, a ideia que o produtor pensa ter acerca da prevalência das afecções podais é bastante inferior àquela que realmente ocorre na sua exploração, sendo que, na maioria dos casos se deve a claudicações pouco perceptivéis e consequentemente subdiagnosticadas, que passam despercebidas.

Dentro dos factores de risco para a ocorrência de claudicações encontra-se o sistema de produção, a conformação do animal (factores genéticos), a presença de agentes infecciosos e o ambiente (qualidade, higiene e humidade do piso). Para além dos factores referidos há ainda a considerar o tipo de alimentação que pode também contribuir para a ocorrência da doença. Os aspectos a ter em conta estão relacionados com excessos, déficits ou desequilíbrios nos constituintes da dieta (energia, proteína, minerais, vitaminas). Além deste constituintes, não se podem menosprezar as substâncias tóxicas e anti nutricionais, como por exemplo as micotoxinas, presentes na alimentação, que podem afectar o animal tanto a nível muscular, ósseo, articular, sistema nervoso e/ou a nível metabólico. Como exemplo referem-se os casos de laminite, que podem estar associados a um excesso de hidratos de carbono facilmente fermentescíveis aliado à pequena quantidade de fibra efectiva. As instalações onde os animais se encontram são outro parâmetro fundamental a avaliar sendo que interessa maximizar o tempo em que os animais se encontram deitados para que, entre outros factores como o aumento da produção leiteira, diminua a ocorrência de afecções podais e o consequente aparecimento de coxeiras. O desenho dos cubículos pode ser importante na medida em que não estando adaptados ao tamanho do animal, leva a desequilíbrios posturais, por exemplo quando demasiado pequenos para o animal em causa leva também à ocorrência de “perching”. Relativamente ao piso, este não deve ser escorregadio pois predispõe a quedas e lesões traumáticas, nem demasiado abrasivo uma vez que leva a um desgate da úngula mais acentuado e consequentemente a uma maior exposição a factores lesionais. No que respeita à humidade, quando o piso é muito húmido faz com que haja um maior amolecimento da úngula e da pele interdigital.

Como já referido, um de maiores problemas nas explorações é o facto de muitos dos animais com afecções podais passarem despercebidos no início da doença, sendo diagnosticados apenas numa fase muito avançada. Para que se consiga um diagnóstico precoce é necessário atender aos sinais que o animal apresenta de modo a minimizar as perdas. A observação cuidada e sistemática dos animais é fundamental. Como a vaca tenta aliviar a dor quando apoia o membro afectado, desloca-se mais lentamente, apresenta o dorso arqueado e a posição da cabeça altera-se durante a locomoção a fim de diminuir o peso suportado pelo membro lesado (Philipps, 2002). Para auxiliar a detectar mais facilmente animais com claudicações existem índices de locomoção que variam de 1 a 5, sendo que o nível 1 corresponde a uma locomoção normal. Estes índices não indicam a causa específica responsável pela alteração, mas reflectem o grau de claudicação que o animal demonstra, que pode ser a causa da diminuição de ingestão de matéria seca e produção leiteira, permitindo prever qual a diminuição provável em ambos os parâmetros.

 

Em conclusão, a fim de diminuir os casos de claudicações numa vacaria é importante ter em conta os seguintes parâmetros: conforto animal, melhoria das instalações e higiene das mesmas, correção do maneiro, da alimentação dos animais e proceder de forma periódica ao corte funcional das úngulas. Ao reduzirmos os problemas podais numa exploração, aumentamos o bem-estar animal, a produtividade e a performance reprodutiva, reduzindo assim, deste modo, custos e aumentando os lucros.

Referências Bibliográficas

Kossaibati M.A., Esslemont, R.J., (1997, July). The costs of production diseases in dairy herds in England. The Veterinary Journal , 154, 41–51
Phillips, C. (2002). Cattle Behaviour and Welfare (Second Edition). Oxford: Blackwell Science
Robisson P. H., Locomotion Scoring Dairy Cows. California: University of California.
Serrão, A. P. (2007). IV Manual de Patologia Podal Bovina (Edição de 1.000 exemplares) Aveiro: Officina Digital.


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