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Como gerir as vacas no período de transição?


O período de transição é um momento decisivo para a produtividade e rentabilidade de um efetivo leiteiro. Programas de nutrição e de gestão durante esta fase intervêm diretamente na incidência de distúrbios pós-parto, na produção de leite e reprodutivos.

O período de transição impõe uma série de alterações abruptas na vaca, sendo o final e início da lactação um exemplo. A vaca tem de lidar, também, com mudanças na sua alimentação durante este período podendo experimentar até 4 rações diferentes. Pode, ainda, ser sujeita a mudanças no alojamento e, portanto, nos grupos sociais. Ocorrem rápidas transformações hormonais e metabólicas. Tudo isto tende a aumentar os níveis de stress da vaca durante este período. O mecanismo de resposta ao stress em ruminantes é um sistema complexo e multifacetado. Alterações nutricionais e na gestão proporcionam uma oportunidade para minimizar os efeitos do stress.

Um dos principais desafios para os veterinários é sensibilizar os produtores para a necessidade de dedicar recursos adequados em termos de mão de obra, instalações e gestão na implementação de um programa estruturado de vacas em transição. Considera-se que, geralmente, um bom programa de secagem resultará na produção adicional de 450 a 900 kg de leite na lactação seguinte. E pelo menos uma parte desta resposta produtiva deve-se à redução dos problemas pós-parto.

Um trabalho recente da Universidade de Illinois ajuda a quantificar este ponto. Este estudo examinou as relações entre distúrbios, o consumo de matéria seca e a produção de leite. Neste estudo, 48 vacas do efetivo da universidade foram monitorizadas durante os primeiros 20 dias de lactação. A média de produção de leite diária durante este período de 20 dias foi de 29 kg. Os eventos pós-parto vigiados foram febre do leite, retenção placentária, metrite, cetose (KET), deslocamento de abomaso (DA) e mastite. Vinte e quatro vacas apresentaram neste período pelo menos um dos eventos listados. O consumo de matéria seca (DMI) de vacas com qualquer um dos problemas acima foi significativamente menor do que nas vacas sem problemas. O ME a produção de leite em 305 dias foi extrapolado para cada vaca aos 60 dias de lactação. Nas vacas afectadas a produção de leite rondou os 8950 kg enquanto nas vacas sem problemas a produção foi de 9425 kg de leite. Estas diferenças registadas na produção de leite representam apenas uma fração dos custos totais dos transtornos pós-parto.

Uma outra consideração diz respeito às interações que ocorrem entre distúrbios. Essas relações foram examinadas em 31 efetivos comerciais. Vacas com febre do leite tinham um risco 4 vezes maior de retenção placentária e 24 vezes maior de cetose comparadas com vacas que não tinham febre do leite. O risco de cetose complicada era maior em vacas que tinham ou retenção da placenta, ou DA ou febre do leite.

A taxa de incidência de distúrbios pós-parto em efetivos de grande produção foi recentemente estudada utilizando um total de 61 efetivos de raça Holandesa. O tamanho médio dos efetivos foi de 244 vacas e as taxas de incidência registadas foram:

Retenção placentária = 9%

Febre do leite = 7.2%

DA = 3.3%

KET = 3.7%

Vacas caídas = 1.1%

Estes níveis elevados de incidência subentendem que efetivos de alta produtividade podem apresentar taxas relativamente baixas de problemas no pós-parto. Observações no campo tendem a confirmar estes resultados. Como é que se consegue isto?

O desafio é desenvolver um programa de gestão para vacas no período de transição afim de minimizar os problemas no pós-parto e maximizar a ingestão de matéria seca e a produção de leite. Para isto, é preciso copreender as alterações que ocorrem nesta fase:

1. Duração do período seco – A duração ótima do período seco para efetivos de alta produção não está bem definida. As recomendações atuais sugerem um período seco de 50-70 dias. Num estudo realizado na Dinamarca que avaliou programas para o período seco de 4, 7 e 10 semanas, utilizando 8 efetivos comerciais com rendimentos de lactação entre 6030 e 8890 kg de leite, observou-se uma produção de leite inferior no programa de apenas 4 semanas comparativamente ao de 7 semanas. As vacas com um período seco 10 semanas produziram aproximadamente mais 0,600 kg de leite do que aquelas com um período seco de 7 semanas.

2. Consumo de matéria seca – O decréscimo no consumo de matéria seca (DMI) no final do período seco e início da lactação tem sido bem documentado. A redução no DMI durante a última semana pré-parto pode chegar aos 30%. Após o parto, a ingestão de alimento só atinge o pico às 9-13 semanas de lactação. O consumo de matéria seca, na primeira semana pós-parto é cerca de 65% do máximo DMI. Estas mudanças no DMI precisam de ser contabilizadas na formulação de rações para que se consiga uma ingestão de nutrientes adequada. Ajustamentos na densidade de nutrientes na ração serão necessários para compensar um DMI diminuído neste período. Este baixo DMI em vacas no primeiro terço da lactação pode limitar a taxa à qual se pode aumentar o concentrado pós-parto.

3. Comportamento alimentar – O espaço destinado à alimentação e questões de dominância social são ambos fatores que influenciam os padrões de alimentação e o DMI total. A vaca no pós-parto que é inserida num novo grupo precisa de estabelecer a sua posição na ordem social. Isto pode ser complicado principalmente para as novilhas em primeira lactação quando são colocadas em grupos com vacas mais velhas. É lógico assumir que qualquer restrição no espaço de alimentação ou na disponibilidade de alimento serão fatores que afetam negativamente a rapidez com que a vaca recém-parida se volta a alimentar. Realojando essas vacas num grupo especial para vacas recém-paridas minimiza a competição neste momento crítico.

4. Mudanças hormonais e metabólicas - A vaca passa de estar a lactar, para estar seca e voltar a lactar num período de tempo relativamente curto. Isto requer, portanto, grandes ajustes no seu organismo. Por exemplo, as necessidades de glicose aumentam cerca de 2,7 vezes entre o final da gravidez e os primeiros dias de lactação.

5. Mucosa do rúmen – Há já muito tempo que se sabe que existe uma relação entre o tipo de alimento e o desenvolvimento da mucosa ruminal. Os ácidos propiónico e butírico são essenciais para desenvolvimento e a estrutura da mucosa. Um relatório da Alemanha estudou as mudanças na mucosa ruminal em vacas de transição verificando que havia uma redução na área de superfície total de absorção da muscosa ruminal quando as vacas mudavam para a ração do período seco, com alta proporção de forragem. Quando as vacas foram transferidas para uma ração de alta energia 14 dias antes do parto, iniciou-se um processo de proliferação da mucosa e foram precisas 4-5 semanas para a mucosa atingir a sua capacidade máxima de absorção.

6. Sistema Imunitário - Alguns nutrientes interagem com o sistema imunitário do corpo. Observou-se que os níveis plasmáticos de vitamina A, vitamina E e zinco diminuiam todos nas últimas duas semanas antes do parto. Esta tendência indica um status inferior do sistema imunológico conforme a vaca leiteira se aproxima do momento do parto uma vez que a vitamina E tem efeitos diretos sobre a atividade de linfócitos e neutrófilos.

As informações descritas acima fornecem uma base para que se desenvolva um programa de gestão para vacas no período de transição. Pontos-chave podem ser realçados para cada parte desta fase do ciclo de lactação. No entanto, existem 3 palavras-chave que resumem a abordagem global para este período: GESTÃO DO STRESS, MONITORIZAÇÃO e REAÇÃO.

1. Secagem
- Alterações abruptas podem ser necessárias para melhorar a cessação da síntese de leite.
- A maioria das recomendações sugere que a secagem seja feita abruptamente.
- Monitorizar a vaca e o úbere é crítico nos primeiros dias.
- No programa alimentar muda-se para rações com alta proporção de forragem.
- Restringir a água apenas se necessário.
- Pode ser benéfica uma mudança de instalações.
2. Início do período seco
- Fornecer um alimento equilibrado.
- O objectivo é manter a condição corporal durante o período seco.
- A vaca deve ganhar peso devido ao crescimento do feto.
- Forneça uma forragem volumosa para manter o rúmen expandido e funcional
- Evite forragens com elevado teor de K ( > 2.5% K ).
- Limite a silagem de milho para cerca de metade da matéria seca na forragem.
- Algum exercício pode ajudar a manter a massa muscular.
- O ambiente deve ser limpo e seco.
3. Últimas 3 semanas
- Ajuste a densidade nutricional da ração para um DMI mais baixo
- Pode ser bom começar a introduzir o alimento do pós-parto para evitar problemas de palatibilidade.
- Limite a percentagem de cereal para 0.5 - 1% do peso corporal.
- Administre injeção de Vitamina E – selénio se necessário.
- Evite silagens pouco fermentadas.
- O ambiente deve ser limpo e seco.
4. Parto
- O ambiente deve ser limpo e seco.
- Esteja atento ao processo do parto.
- Não use força execessiva se estiver a ajudar.
- Evite chão liso ou escorregadio.
- Ofereça à vaca água e um alimento muito palatável.
- A chave é pôr a vaca a comer, beber e ruminar.
5. Vacas recém-paridas
- Monitorize a actividade de ruminação.
- Alguns produtores medem a temperatura das vacas uma ou duas vezes ao dia.
- Garanta que o alimento disponível é freco e palatável.
- Água deve estar sempre disponível.
- É preferível optar por um alojamento separado para estas vacas para que possam ser observadas com mais frequência.
- Evite ambientes sobrelotados e competitivos.
- As primeiras 1 - 2 semanas pós-parto vão definir toda a lactação, portanto estja preparado para reagir sempre que necessário.
- Não aumente a quantidade de concentrado demasiado rapidamente.

Estas sugestões são projetados para minimizar o stress sobre a vaca durante o período de transição. O objetivo é fazer com que a vaca se comece a alimentar o mais rapidamente possível no pós-parto. Isso requer um programa de nutrição e gestão que minimize os potenciais problemas do pós-parto. A capacidade de implementar com sucesso estas medidas terá um impacto significativo na rentabilidade e produtividade.

Adaptado pela equipa Milkpoint a partir do original "Management of the Transition Cow" de L. E. Chase (1996)
 

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