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Como prevenir a hipocalcémia clínica e subclínica no peri-parto

1. Introdução
Para a produção de colostro, nos últimos dias de gestação, e para o início da lactação a vaca necessita de se adaptar e de mobilizar rapidamente energia, minerais e nutrientes.
A calcémia normal de uma vaca situa-se no intervalo de 8 – 10 mg/dL, sendo que valores entre 5 – 8 mg/dL constituem uma hipocalcémia subclínica e valores abaixo de 5 mg/dL geralmente fazem com que o animal apresente sinais clínicos.
A incidência de hipocalcémia clínica e subclínica aumenta proporcionalmente com o número de lactações da vaca, ou seja, com a sua idade.
A hipocalcémia clínica e a hipocalcémia subclínica são factores de risco para inúmeras doenças do peri-parto como retenção placentária, cetose, deslocamento do abomaso e mastite. Estas doenças têm também um papel importante nas doenças reprodutivas, que leva ao aumento do intervalo entre partos, sendo muitos vezes razão para refugo do animal.

2. Prevenção da hipocalcémia

2.1. Dietas aniónicas
As dietas aniónicas provocam um estado de ligeira acidose no animal melhorando significativamente o metabolismo do cálcio. Dietas com alto teor de cloro e enxofre e baixo de sódio e potássio ou dietas às quais foi adicionado sais aniónicos diminuem a incidência de hipocalcémia.
As dietas aniónicas devem ser disponibilizadas 2 a 3 semanas antes do parto. Para monotorização da quantidade adequada de sais aniónicos na dieta, usa-se a medição do pH urinário. Para uma prevenção eficiente da hipocalcémia subclínica o pH deve estar no intervalo 6,2 – 6,8. Se a urina da vaca tiver um pH entre 5,0 a 5,5 é sinal de excesso de aniões o que pode conduzir a uma acidose descompensada com uma redução acentuada da ingestão de matéria seca.

2.2. Administração cálcio subcutânea

A administração subcutânea de sais de Ca é um tratamento efectivo, a quantidade de cálcio administrada em cada local deve ser entre 1 – 1,5 g (50 – 75 ml das preparações comerciais), sendo normalmente administrada a cada vaca cerca de 250 ml em quatro locais diferentes pois o cálcio é irritante para os tecidos. No entanto com este método já se verificaram hipocalcémias mais tarde, pois a administração de cálcio pode provocar ineficiência dos mecanismos fisiológicos.

2.3. Dieta pobre em cálcio
Quando as vacas são alimentadas com uma dieta pobre em cálcio (<20 g/dia) no período seco, encontram-se normalmente em balanço de cálcio negativo. Neste estado o animal vai estar em permanente mobilização de cálcio das suas reservas e assim responder melhor ao aumento das necessidades na altura do parto.
Segundo o NRC de 2000 as necessidades de cálcio na fase final de gestação são de 22 g/dia para as vacas Holstein. Para que uma vaca de 600 Kg com um consumo de 13 Kg de massa sêca seja deficitária em cálcio, deve ser alimentada com uma dieta que lhe forneça cerca de 1,5 g de cálcio absorvível/Kg massa sêca, ou seja, uma quantidade que lhe vai fornecer menos de 20 g/cálcio por dia. Outra forma de alimentar a vaca com uma dieta pobre em cálcio, é colocar as vacas no período seco em pastagem. A ingestão de massa sêca é muito inferior (6 a 7 Kg massa sêca/dia) quando as vacas se alimentam de erva, sendo que as pastagens verdes normalmente têm cerca de 4 g cálcio/Kg massa sêca, o que faz com que a vaca ingira menos de 28 g de cálcio/dia e só cerca de 9 – 10 g de cálcio absorvível por dia.

2.4. Administração cálcio oral

A administração de soluções orais de cálcio no peri-parto constitui uma forma de prevenção. O propionato de cálcio é uma boa solução e possui um percursor da glucose (propionato) que pode ser importante para prevenir algum grau de cetose que a vaca possa vir a ter.
As soluções podem ser administradas através de intubação ou administrar em soluções palatáveis sendo por isso uma forma de administração mais ou menos laboriosa. Os programas preventivos mais estudados preconizam a administração de 3 a 4 doses no período de 12 a 24 horas antes do parto até 24 horas pós-parto. No entanto, conseguiu bons resultados administrando 50 a 90 g por dose, uma imediatamente ao parto e outra 24 horas depois.

2.5. Administração intramuscular de vitamina D

A suplementação oral ou parentérica de análogos de vitamina D3 tem sido muito estudados ao longo das últimas décadas.
Umas das práticas é suplementar a dieta da vaca, no período seco, com 20000 a 30000 UI (unidades internacionais) de vitamina D por dia na alimentação. Outra prática é injectar parentericamente doses altas de vitamina 25D3 (10 000 000 UI ou mais) 2 a 8 dias antes do parto.
A prevenção com 1,25D3 e os seus análogos pode ser uma medida bastante eficaz, no entanto continua a haver problemas da altura ideal para ser administrada à vaca uma vez que o parto não é fácil de prever com rigor. O problema da supressão da síntese renal de 1,25D3 pode ser evitado administrando o fármaco de forma contínua ao animal no peri-parto.

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