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Dissertação de Mestrado: "Desempenho produtivo e reprodutivo de vacas Holstein Frísia em comparação com os respectivos cruzamentos com Vermelha Sueca e Montbéliarde"

Como é do conhecimento mundial, a maioria das explorações de bovinos leiteiros, têm vindo a apresentar nos últimos anos alguns problemas de saúde, sobrevivência, e, uma quebra acentuada da fertilidade devido à intensa selecção pela produção de leite. Tendo-se verificado um aumento no número de dias em aberto, número de IA por concepção e do intervalo entre partos na população Holstein Frísia (HF).

O uso generalizado da IA com sémen de touros populares por toda a raça HF fez com que estes bovinos passassem a apresentar problemas de consanguinidade. Existindo o risco de a consanguinidade continuar a aumentar, aumenta assim também a depressão consanguínea, que provoca todos os efeitos negativos referidos anteriormente.

O crossbreeding é considerado uma boa opção para reduzir o impacto da depressão consanguínea, porque as diferenças entre raças são muito maiores do que as diferenças dentro da raça e benefícios extra podem ser alcançados a partir da heterose (vigor híbrido).

O sucesso de um programa de cruzamentos depende de vários factores. Recomenda-se o uso de 3 raças em esquema rotacional. Em relação às raças a utilizar, a HF é a raça de eleição, para a escolha das outras raças não há uma regra específica, estas apenas devem estar de acordo com os objectivos do criador, incluindo os aspectos produtivos e funcionais. Algumas das raças mais utilizadas têm sido: a Montbéliarde, Vermelha Sueca, Jersey, Normanda, entre outras.

Este estudo foi realizado com o objectivo de determinar diferenças entre animais dos diferentes genótipos que se encontravam na 1ª e 2ª lactação, por forma a tentar perceber se o crossbreeding foi ou não benéfico para as explorações em estudo.

Estudo

O estudo decorreu entre Junho e Dezembro de 2012, foi realizado em duas explorações leiteiras (exploração A e B) situadas no centro de Portugal, em regime de produção intensivo.

Na Tabela 1 podemos ver os principais índices de ambas as explorações.


Tabela 1: Índices reprodutivos e produtivos das explorações A e B.

A raça Holstein-Frísia foi exclusiva em ambas as explorações até ao ano 2007 (exploração A) e ano 2006 (exploração B), altura em que os produtores decidiram introduzir sémen de touros de outras raças para inseminar as fêmeas das explorações.

O objectivo era iniciar um programa de crossbreeding, com o recurso às raças Vermelha Sueca (VS) e Montbéliarde (MB), o esquema utilizado está representado na Figura 1.


Figura 1: Esquema inicial de cruzamentos.

Pela observação da Figura 1 pode-se constatar que as novilhas HF são apenas IA com sémen VS, as vacas HF são IA com sémen MB e com sémen HF por forma a manter 5% da linha pura na exploração A e 70% na exploração B.

Para a realização deste estudo, utilizaram-se vacas em 1ª e 2ª lactação, dos três grupos genéticos, constituídos por 35 HF, 35 VSxHF e 64 MBxHF da exploração A e 35 HF, 35 VSxHF e 6 MBxHF (eram as únicas que existiam na exploração na altura do estudo) da exploração B, ou seja, um total de 70 vacas de cada genótipo. Estes valores representam uma amostra escolhida aleatoriamente, dos valores totais das explorações com recurso ao site http://www.randomizer.org/form.htm.

Abaixo um quadro resumo das variáveis que foram avaliadas neste estudo.



Os efeitos que apresentaram nos modelos ajustados um P <0,05 foram tratados como significativos, entre P <0,05 e P <0,10 tendências e P <0,10 não significativo.

Apresentação e discussão dos resultados

De seguida, irão ser discutidas as variáveis consideradas mais importantes.

Performance Reprodutiva
  • Idade à 1ª IA:
Pode-se ver pela Figura 2 que o genótipo tendeu (P = 0,093) a influenciar a idade à 1ª IA. As novilhas foram inseminadas pela primeira vez entre os 445 e 479 dias (14,5 – 16 meses). Os animais considerados mais precoces foram as HF e os menos precoces as VSxHF.


Figura 2: Idade à 1ª IA nos diferentes genótipos em dias.
  • Intervalo parto – 1ª IA:
Os diferentes genótipos apresentaram um efeito bastante significativo (P <0,001) sobre o intervalo entre o parto e a 1ª IA. As fêmeas foram IA pela primeira vez entre os 53 – 73 dias. A raça que apresentou o intervalo mais curto foi a MBxHF e as HF as que apresentaram maior intervalo, apesar de como vimos na figura 2, terem sido as mais precoces. A paridade também influenciou significativamente o IP-1ªIA (P = 0,047), sendo que as primíparas apresentaram um intervalo maior do que as multíparas.


Figura 3: Intervalo parto primeira IA (IP-1ªIA) nos três genótipos e na 1ª e 2ª lactação em dias.

O facto de as HF terem apresentado um IP-1ªIA maior, poderá ter sido talvez devido a má detecção de cios e como veremos a seguir, à maior necessidade de assistência ao parto (distócia) e à pior condição corporal apresentada por este genótipo. Pois, a baixa CCC como consequência da selecção para maior rendimento de leite, pode alterar o nível de circulação de hormonas sexuais, tais como, as gonadotrofinas, resultando em possíveis implicações para a fertilidade subsequente. As HF necessitaram de maior número de IA, por consequência apresentaram maior IPC e IEP (anterior e posterior).
  • Intervalo parto – concepção:
Para o IPC o factor genótipo apresentou um efeito altamente significativo (P <0,001), tendo sido superior para as HF (162 dias) e inferior para as MBxHF (107 dias; Figura 4).


Figura 4: Intervalo parto – Concepção em dias para os diferentes genótipos.
  • Intervalo entre partos:
Relativamente ao intervalo entre partos, tanto para o anterior como para o futuro, o genótipo teve influência significativa (Figura 5). À semelhança dos valores apresentados anteriormente, mais uma vez quem apresentou o maior intervalo foram as HF, que apresentaram um intervalo superior em mais ou menos 50 dias em relação às MBxHF.


Figura 5: Intervalo entre parto anterior e futuro em dias para os diferentes genótipos.

Como se pôde ver em termos de performance reprodutiva as raças cruzadas apresentaram melhores índices de fertilidade do que as HF. Conclui-se que para todas as variáveis reprodutivas poderá ter havido efeito da heterose, excepto na idade à 1ª IA.

Distócia

Para avaliar a distócia foi considerada a variável parto com assistência (PCA). O efeito genótipo foi significativo (P =0,042), através da figura 6 verifica-se que o genótipo que necessitou de mais assistência foi a HF e as MBxHF a que necessitaram de menor assistência (P <0,001). Existiu efeito paridade, sendo significativas as diferenças entre lactações (P <0,001).


Figura 6: Valores de parto com assistência em percentagem para os diferentes genótipos e lactações.

As MBxHF apresentaram valores menores de assistência ao parto talvez devido ao facto de a MB ser considerada uma raça “grande”, ou seja, mais corpulenta, logo as MBxHF ao serem cruzadas com sémen VS, que é considerada uma raça mais pequena, indica que provavelmente as MBxHF não terão tido dificuldade em parir um vitelo que será menor do que a raça da mãe. Outro factor que poderá ter influenciado é a vitalidade apresentada pelos vitelos cruzados, proveniente da heterose. No caso das multíparas estas necessitaram de menos assistência provavelmente porque como já passaram por um processo de parto, os tecidos que formam o canal materno sofreram processo de dilatação, nas primíparas isso não aconteceu, portanto a distócia em novilhas dá-se porque muitas vezes o seu canal materno não dilata o suficiente.

Classificação da condição corporal (CCC)

Para a CCC, apesar de os genótipos responderam todos da mesma maneira – slopes iguais (à medida que o tempo avança as vacas perdem por dia – 0,0013 de CCC) as MBxHF apresentaram melhores valores iniciais em relação às HF, o que fez com que se mantivessem sempre com uma CCC mais elevada em relação às HF (Figura 7).


Figura 7: Classificação da condição corporal dos diferentes genótipos ao parto e nos primeiros 120 dias pós-parto.
  • Produção de leite
O genótipo (P = 0,0778) não afectou a produção de leite, esta variou entre 11751 e 11944 kg (Figura 8). Já a paridade (P <0,001) teve efeito bastante significativo sobre a produção, sendo que as fêmeas primíparas produziram menos leite do que as multíparas.


Figura 8: Produção de leite para os diferentes genótipos e lactações em kg.

Apesar de não terem sido observadas diferenças significativas do genótipo para a produção, isto não significa que não tenha havido efeito da heterose sobre esta variável. As primíparas produzem menos leite, pois está provado que a quantidade aumenta, desde o primeiro até ao quarto parto. A partir dai, começa-se a sentir um decréscimo apreciável da produção. Outro factor que pode ter contribuído para a baixa produção das primíparas, pode ser o facto de as mesmas terem apresentado também maiores valores de distócia.

Conclusão

Como se pôde ver os bovinos cruzados apresentaram melhores índices de fertilidade, tendendo assim para o estabelecimento do conceito de heterose. Apresentaram também menor incidência de distócia e melhor condição corporal.
Para a produção não se encontraram diferenças significativas entre genótipos, mas isto não significa que não tenha havido efeito da heterose.
Conclui-se então que o crossbreeding foi benéfico para as explorações em estudo, pois melhorou a fertilidade sem afectar a produção.

*Este artigo é o resumo da dissertação de Mestrado da Engª Susana Andrade que pode ser consultado na íntegra clicando aqui.

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TERESA VALENTE

MÉDICO VETERINÁRIO

EM 03/02/2015

Parabéns! Muito bom material, muito interessante!