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Doenças do periparto e desempenho reprodutivo

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

CLÍNICA, REPRODUÇÃO & QUALIDADE DO LEITE

EM 26/10/2015

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*Este texto é parte do artigo: Prevalence of periparturient diseases and effects on fertility of seasonally calving grazing dairy cows supplemented with concentrates, publicado por Eduardo Ribeiro e colaboradores, no Journal of Dairy Science em 2013 (J. Dairy Sci. 96 :5682–5697, http://dx.doi.org/ 10.3168/jds.2012-6335).

O objetivo foi caracterizar a prevalência de doenças no periparto e seus efeitos no desempenho reprodutivo de vacas leiterias mantidas à pasto. Um total de 957 vacas multíparas em 2 explorações (555 na exploração A e 402 na exploração B) foram avaliadas e as doenças caracterizadas.

No parto, distocia, parto gemelar, natimorto, e retenção de placenta foram agrupadas como problemas de parto. Nos dias 7 ± 3 e 14 ± 3 pós-parto as vacas foram avaliadas para metrite e no dia 28 ± 3 para endometrite clínica, baseado no escore da secreção vaginal. Do parto até 30 dias após a inseminação artificail (IA) a prevalência de mastite, problemas de casco, distúrbios digestivos e respiratórios foram anotados.

Para doenças subclínicas o diagnótico foi baseado em amostras de sangue recolhidas de 771 vacas, nas quais foram analisados cálcio (Ca), ácidos gordos não esterificados (AGNE) e beta hidroxibutirato (BHBA). Vacas foram consideradas como tendo AGNE elevado se a concentração fosse maior que 0,70mM, cetose subclínica se a concentração de BHBA fosse maior que 96mM e hipocalcemia subclínica se a concentração de Ca fosse menor que 2,14mM. Os ovários das vacas foram avaliadados nos dias 35 ± 3 e 49 ± 3 pós-parto para determinação da ciclicidade. Todas as vacas foram submetidas a um protocolo de sincronização da ovulação e inseminadas no primeiro dia da estação de monta, na média com 86 dias pós-parto.

No geral, 37,5% (359/957) das vacas apresentaram pelo menos 1 doença clínica e 59,0% (455/771) pelo menos 1 doença subclínica. A prevalência para as doenças foi de 8,5% de problemas de parto, 5,3% para metrite, 15% para endometrite clínica, 13,4% para endometrite subclínica, 15,3% para mastite, 2,5% para problemas respiratórios, 4% para problemas digestivos, 3,2% para problemas de casco, 20% de AGNE elevado, 35,4% para cetose subclínica e 43,3% para hipocalcemina subclínica.

Doença clínica e subclínica tiveram efeito negativo aditivo na reprodução, com atraso no retorno a ciclicidade e redução da prenhez por IA (P/IA). A ocorrência de doenças múltiplas reduziu a eficiência reprodutiva comparado com a ocorrência de uma só doença. Individualmente, hipocalcemia subclínica, elevada concentração de AGNE, metrite e problemas respiratórios e digestivos reduzem ciclicidade aos 49 dias pós-parto. Concentração de AGNE elevada, problemas de parto, metrite, endometrite clínica e subclínica e problemas digestivos reduzem P/IA 65 dias após a IA. Além disso, os problemas de parto e endometrite clínica aumentam o risco de perda de gestação entre 30 e 65 dias pós IA. A concentração sérica de Ca e AGNE foram negativamente correlacionadas e ambas associadas com a prevalência de doença uterina.

Conclui-se que doenças no periparto são altamente prevalentes em vacas leiteiras com reprodução sazonal mantidas a pasto, e vacas afetadas por doença atrasam o retorno a ciclicidade, apresentam reduzida P/IA e aumento do risco de perda de gestação.
 

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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