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Efeitos da monensina no metabolismo das vacas leiteiras no peri-parto

*Baseado no estudo de Stephenson K.A, Lean I. J, Hyde M.L, Curtis M.A, Garvin J.K, Lowe L.B, Departamento de Ciência Animal da Universidade de Sydney, revisto em 1996 e publicado no Journal of Animal Science em 1997 com a referência 80:830-837

Durante o inicio da lactação, a glândula mamária das vacas leiteiras requer uma quantidade de nutrientes superior ao que é conseguido ingerir através dos alimentos conduzindo ao BEN (balanço energético negativo). A consequente deficiência é vinda a compensar através da mobilização de nutrientes dos tecidos e das reservas adiposas. Uma mobilização excessiva das reservas corporais conduz a concentrações significativamente inferiores de glucose no sangue e uma correlação direta com concentrações superiores de ácidos gordos livres e BHBA (beta-hidroxibutirato), em muitos casos também indicado como corpos cetónicos.

A mobilização excessiva das reservas corporais pode levar a uma série de patologias diretas como a cetose e o fígado gordo, que por sua vez predispõem os animais a uma série de patologias (assim indirectas do cenário inicial de BEN) como a deslocação do abomaso, metrite, mastite, claudicações entre muitos outros.

Já foi indicado em estudos anteriores que a monensina pode incrementar a glucose disponível no plasma por aumentar a produção de propionato e outros mecanismos do rúmen. Através de teores de glucose superiores no sangue, a mobilização de reservas corporais será mais baixa e a pré-disponibilidade às diversas patologias também impactando de uma forma muito positiva a saúde e a produtividade dos animais.

A monensina também desempenha um papel positivo na absorção de cálcio, selénio e cobre nos intestinos, fundamental nas primeiras horas após o parto. Caso ocorra uma falha na mobilização de cálcio a vaca vai entrar em hipocalcémia, patologia que também aumenta a pré-disponibilidade para as que já foram referidas anteriormente.

O selénio está directamente relacionado com a facilidade de expulsão da placenta, que se não ocorrer algumas horas após o parto, muito provavelmente a vaca desenvolverá metrite. O cobre e o selénio são nutrientes importantes para os mecanismos de defesa antioxidantes do animal.

Ensaio Prático

Material e métodos

No ensaio prático associado a este estudo, optou-se por administrar uma cápsula de libertação lenta de monensina cerca de 50 dias antes do parto. A monensina deverá aumentar as concentrações de glucose, de ceruloplasmina, glutationa peroxidase e de cálcio no plasma diminuindo as de ácidos gordos livres e de BHBA.

Foi avaliado um grupo de 24 vacas em explorações diferentes, emparelhadas duas a duas conforme a condição corporal e a idade, administrando o bólus a uma delas. Os tratadores desconheciam quais as vacas do grupo em tratamento e os animais do grupo de controlo levaram um tratamento placebo.

Cada bólus de tratamento continha 32 gramas de monensina que foi libertando cerca de 300mg/dia durante cerca de 100 dias.

A cada duas semanas as vacas foram classificadas conforme a condição corporal e peso, sendo também recolhidas amostras de alimento. Semanalmente foram colhidas amostras de sangue, sendo a última recolhida 3 semanas após o parto.

Resultados

Desde o inicio do tratamento até ao parto, os níveis de glucose foram idênticos para todos os animais (gráfico 1) mas após o parto os animais tratados conseguiram recuperar os seus níveis de glucose mais rapidamente que os de controlo, que apresentaram uma depressão maior. A baixa concentração geral para todos os animais após o parto deve-se aos requerimentos da glândula mamária, uma vez que por esta altura já se encontra a produzir leite.


Gráfico 1: concentração de glucose no plasma conforme os dias antes do parto.

Os valores de BHBA tiveram tendência a aumentar a partir de 14 dias antes do parto sendo que os níveis dos animais tratados foram inferiores aos do grupo de controlo (gráfico 2).


Gráfico 2: Concentração de BHBA conforme os dias antes do parto

As concentrações de ácidos gordos livres foram aumentando à medida que se aproximava a data de parto, e à semelhança dos valores de BHBA as concentrações para o grupo de controlo foram superiores às do grupo em tratamento. Ao parto os valores foram iguais para ambos os grupos, mas nas duas semanas posteriores, as concentrações do grupo em tratamento diminuíram, ao contrário do grupo de controlo (gráfico 3).


Gráfico 3: Concentração de ácidos gordos livres conforme os dias antes do parto

Relativamente ao peso corporal, é notória uma diminuição menos acentuada após o parto dos animais tratados (gráfico 4)


Gráfico 4: Peso corporal conforme os dias ao parto

Conclusão

A melhor recuperação dos níveis de glucose após o parto dos animais tratados com a monensina, tal como a redução dos níveis de ácidos gordos livres e de BHBA deverão contribuir para reduzir o risco de distúrbios metabólicos relacionados com a mobilização dos lípidos após o parto. A diminuição menos acentuada do peso corporal dos animais tratados após o parto ajuda a que ocorra um BEN inferior de modo a diminuir a probabilidade de ocorrência de outras patologias pós-parto.



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