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Índice de Condição Corporal: como abordar este tema?

Introdução
O índice de condição corporal é a medida subjetiva das reservas de gordura corporal sendo que os sistemas típicos usam uma escala de 1 a 5 para avaliar a condição corporal das vacas. Uma vaca com uma condição corporal de 1 é considerada emaciada, se for de 2 é magra, de 3 é média, 4 corresponde a uma vaca gorda e 5 a um animal obeso. Muitas vezes esta escala é dividida em incrementos de um quarto do ponto. Devido à natureza subjetiva do índice de condição corporal, surgem preocupações sobre a repetibilidade das avaliações entre os observadores. Além disso, há dúvidas sobre a relatividade do índice de condição corporal uma vez que se relaciona com a composição corporal e o balanço energético. Por estas razões existem dúvidas sobre a sua utilidade como ferramenta de gestão em efetivos leiteiros. Este artigo irá tentar abordar estas questões e descrever a implementação de um programa de classificação do índice de condição corporal em efetivos leiteiros.

Quantificar o Índice de Condição Corporal
Otto et al. Examinaram a composição da carcaça em relação ao índice de condição corporal (ICC) de vacas leiteiras da raça Holandesa. Estes investigadores descobriram que uma mudança de uma unidade na condição corporal era equivalente a 56 kg de peso corporal. Além disso, a composição corporal e o score de condição corporal estavam correlacionados. A gordura corporal aumentou 12,65% para cada aumento de unidade no ICC e a proteína corporal diminuiu 12,19% em cada aumento de uma unidade no score de condição corporal. O total de matéria seca na carcaça aumentou 7,23% para cada unidade incrementada no score de condição corporal. Este trabalho demonstrou que o ICC se relacionava com a composição corporal e era uma ferramenta útil no campo para avaliar a composição da carcaça.

Ferguson et al. estudou alterações na condição corporal relacionando-as com o balanço de energia em 43 vacas altas produtoras de raça Holandesa. Estas vacas foram alimentadas ad libitum para maximizar a ingestão de matéria seca. Ferguson et al. constatou que uma mudança no score de condição corporal se correlacionava com balanço energético negativo cumulativo, sendo que a perda de uma unidade no ICC foi equivalente a um balanço energético negativo cumulativo de 400 Mcal. Este valor de balanço energético negativo cumulativo corresponde a 544 kg de leite produzido a partir de mobilização de gordura. Mudanças na condição corporal refletem mudanças na composição da carcaça e também na utilização de energia em vacas da raça Holandesa e, portanto, pode ter um papel útil no campo para avaliar a gestão de energia.

Nestas vacas, a perda de condição corporal foi máxima por volta das 4 a 6 semanas pós-parto, sendo, em média, de meio ponto. Registou-se um aumento da condição corporal às 12 semanas pós-parto. A produção de leite não influenciou a perda de condição corporal. Ruegg e Milton observaram perdas maiores no ICC em 13 efetivos com perdas médias de 0.8 unidades e mais prolongadas no tempo (50 a 80 dias). No entanto, em outros estudos onde se tem fornecido dietas ad libitum temos tipicamente observado que as vacas têm menos 1/2 ponto aos 30 dias pós-parto. É uma expetativa razoável em efetivos leiteiros comerciais que a maioria das vacas perca menos de 1 unidade de score de condição corporal até aos 30 dias pós-parto e deve começar a reposição por volta dos 70 a 90 dias pós-parto.


Ao examinar a repetibilidade da avaliação da condição corporal entre observadores, Ferguson et al. verificaram que a repetibilidade foi de cerca de 56%, ou seja 56% dos observadores do estudo deu a mesma pontuação para a mesma vaca enquanto 34% dos observadores deu mais ou menos ¼ de ponto à mesma vaca. Assim, 90% das pontuações foram desviadas por zero ou ¼ de ponto. As pontuações entre observadores apresentaram um nível de correlação elevado de 0,89 a 0,93. Estas relações mantêm-se semelhantes em indivíduos que avaliam de novo a condição corporal das mesmas vacas passados 1 ou 2 dias. O indivíduo vai concordar consigo em 50 a 60% das vezes, ou como segunda alternativa 30-40% das vezes vai desviar a sua classificação em aproximadamente ¼ de unidade em relação às suas avaliações anteriores.

Na tentativa de simplificar o ICC, foram identificadas as principais descrições de condição corporal. Uma das principais referências que distingue vacas com scores de 3 ou superiores e vacas com scores abaixo de 3 é a aparência do quarto posterior. Nestas últimas, a aparência será em "V" considerando o ângulo entre a tuberosidade isquiática, a tuberosidade coxal e a articulação coxo-femoral enquanto em vacas com ICC de 3,25 ou superior a aparência será em "U" na mesma região. Vacas com um ICC de 3 ou menos são, então, avaliadas de acordo com a aparência das extremidades da tuberosidade isquiática e coxal que, de acordo com o grau de arredondamento ou angularidade são passíveis de serem relacionadas com o grau de deposição de gordura.

Vacas com um ICC abaixo de 2.5 são vacas consideradas demasiado magras. Estas não têm depósitos de gordura a cobrir a tuberosidade isquiática. Da mesma forma, a aparência do ligamento sacral e do ligamento entre a inserção da cauda e o ísquio são usados para definir o score de condição corporal das vacas com 3,25 ou mais de ICC. O ligamento do sacral e o coccígeo serão claramente visíveis em vacas com 3,25 no score de condição corporal. O ligamento entre a inserção da cauda e o ísquio tende a desaparecer antes do ligamento do sacro à medida que ocorre um aumento da condição corporal. Vacas secas com uma condição corporal ideal são vacas que têm um "U" no quarto posterior, onde o ligamento coccígeo está bastante visível e o ligamento do sacro está distintamente visível. Conforme as vacas se aproximam de uma condição corporal de 4, o ligamento do sacro deixa de ser visível e estas vacas movem-se para a faixa considerada demasiado gorda. As vacas estão demasiado gordas quando os ligamentos pélvicos estão enterrados em gordura.

Condição corporal ótima

A condição corporal ideal é um intervalo e é uma função da fase de lactação. As vacas secas precisam de reservas corporais suficientes para suportar a produção de leite no início da lactação, quando o consumo energético fica aquém dos gastos energéticos para a produção de leite. No entanto, tem sido repetidamente observado que as vacas secas mais gordas perdem mais condição corporal e apresentam menor ingestão de matéria seca. Além disso, vacas gordas estão em risco de desenvolver problemas metabólicos pós-parto. Assim, um sobre-condicionamento deve ser evitado. A condição corporal ótima de uma vaca ao parto será acima de um 3,00 e abaixo de um 3,75. O risco de problemas no pós-parto pode ser diminuído se as vacas secas estivere dentro do intervalo 3,25-3,50. A perda de condição corporal durante o período seco tem sido associada a um aumento dos casos de distócia e, portanto, tem de ser evitada. No início da lactação, as vacas vão perder condição corporal. Esta perda deve ser inferior a 1 unidade e, como tal, vacas em início de lactação devem apresentar um ICC acima de 2,50.

Implementar um sistema de medição do Índice de Condição Corporal
Pode dividir-se o ICC em várias dimensões:
1. Mudança no ICC com o estágio de lactação;
2. Comparação do ICC do efetivo no presente em relação ao mês anterior;
3. Comparação do ICC dos vários grupos de vacas existentes na exploração leiteira;

Cada uma destas dimensões requer diferentes "custos" em termos de recolha de dados.
A condição corporal pode ser monitorizada para cada vaca individual desde o período seco e passando pelas várias fases da lactação. Isto implicaria a criação de um sistema para rastrear um animal através do tempo e a reunião das alterações registadas para formar um perfil médio de condição corporal do efetivo. Isso exigiria medições do ICC com frequência certa para detetar as alterações de cada vaca em estágios críticos da lactação. Após análise dos dados obtidos ao longo do tempo seria possível analisar as mudanças na condição corporal em função da lactação.
Outra abordagem à análise do ICC seria para recolher os scores de todas as vacas ou de uma amostragem de vacas no presente mês e comparar a distribuição e a média dos resultados com o mês passado de modo a avaliar as mudanças no ICC em função de atividades sazonais. Isso pode indicar os momentos em que a gestão e as instalações não eram os adequados ao desempenho da vaca.
Uma terceira forma de examinar o ICC seria através dos valores atípicos. Isto envolveria a avaliação da condição corporal do efetivo ou dos grupos dentro do efetivo e determinar quantas vacas estão abaixo ou acima dos limites considerados aceitáveis. Vacas muito magras estão abaixo de 2,5 no ICC, enquanto vacas demasiado gordas estão acima de 3,5. Vacas com um score entre estes dois valores têm, portanto, uma condição corporal aceitável. Assim, é possível avaliar a condição corporal de um efetivo com base na percentagem de outliers num determinado ponto no tempo. Se mais de 10-15% do efetivo tiver um ICC abaixo de 2,5 significa que há demasiadas vacas com uma condição corporal muito baixa. O mesmo se aplica quando a percentagem se refere a vacas demasiado gordas. Se houver mais de 15% das vacas nestas categorias extremas, sabemos que há um problema. Se as vacas muito magras são inteiramente de alta produção então tem de se investigar se o maneio nutricional não está a suportar adequadamente a alta produção leiteira. As vacas de alta produção não devem perder mais condição corporal do que vacas com produções mais baixas. Se as vacas que são mais finas são primeiros animais em lactação, então talvez vacas primeira lactação devem ser separadas ou programa de alimentação alterados para este grupo. Se as vacas que são mais magras são vacas que tiveram problemas de saúde anteriormente, então tem de se investir num melhor programa de prevenção de problemas peri-parto.

Adaptado pela equipa Milkpoint a partir do original "Implementation of a Body Condition Scoring Program in Dairy Herds" de James D. Fergunson (1996)

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