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Irlanda: Elevadas CCS estão a afectar as receitas dos produtores de leite

Quinze produtores de leite participaram num workshop do CellCheck, programa nacional de controlo de mastite da Irlanda, realizado nas salas de aula do Clonakilty Agricultural College em West Cork, no início do mês. O grupo variou de jovens produtores a produtores mais experientes, todos querendo aprender mais sobre o controlo da contagem de células somáticas (CCS) nos seus efetivos leiteiros.

O CellCheck é um programa nacional de controlo de mastite, coordenado e facilitado pelo Animal Health Ireland (AHI). A coordenadora do programa na região de Carbery e uma das sete coordenadoras nacionais, Ciara O’Donovan, explicou que o programa visa eliminar a grande confusão que ronda a questão da alta CCS. O programa também espera aumentar a consciencialização entre os produtores de leite sobre os benefícios de se estabelecer as melhores práticas e determinar metas, incluindo uma média no efetivo de menos de 100.000 células por mililitro.

“Hoje, tudo gira em torno de construir capacidade e determinar diretrizes para o controlo da mastite. Os produtores dizem que têm um problema com elevadas CCS, mas nem sempre a associam com a mastite em seu rebanho. Para a maioria dos produtores, o custo das elevadas CCS no seu efectivo é a perda do leite descartado, o custo do tratamento para mastite e as penalidades na cooperativa”.

Na região de Carberry, em West Cork, os produtores estão muito conscientes sobre as penalidades aplicadas aos fornecimentos com mais de 300.000 células/ml e o bónus recebido quando o leite tem CCS de menos de 200.000 células/ml. Entretanto, os produtores ouviram que três quartos das perdas sofridas devido às elevadas CCS vêm da perda na produção e do abate de animais do rebanho.

Um estudo do Teagasc sobre os efeitos económicos das elevadas CCS mostrou que um produtor de leite com um efectivo com CCS de 200.000 a 300.000 células/ml produzindo uma receita de €19.661 (US$ 26.617,7) – dentro da faixa que não recebe penalidade, mas que também, não recebe bónus – poderiam melhorar sua receita para €26.771 (US$ 36.243,4) ao manter a CCS dentro de 100.000 a 200.000 células/ml. Melhor ainda, os mesmos produtores com um rebanho com CCS de menos de 100.000 células/ml poderiam aumentar sua receita para €31.252 (US$ 1.695).

Por outro lado, uma CCS de 300.000 a 400.000 células/ml poderia levar a uma queda da receita para €16.936 (US$ 22.928,5), enquanto uma CCS de mais de 400.000 células/ml poderia levar à queda do rendimento para €11.748 (US$ 15.904,8).

Cada produtor recebeu no workshop um excel com a qual poderiam estimar rapidamente os efeitos na receita para seu próprio rebanho, preenchendo informações relevantes sobre CCS e descarte no efetivo.

O veterinário, Kevin O’Sullivan, explicou os mecanismos de infecção no rebanho. “Muitos produtores lhe dirão que têm problemas com altas CCS, mas não têm mastite no rebanho. Eles abaterão as vacas com altas CCS e ainda pensarão que não têm problemas de mastite. Porém, a alta CCS normalmente está relacionada às bactérias no úbere – em outras palavras, mastite”.

O seu conselho foi identificar as vacas individuais que estão a contribuir para as altas CCS do efecivo através de testes individuais. Ele disse que isso deveria ser seguido pela identificação do tipo de mastite. A falha em seguir uma abordagem apropriada pode ser um desperdício e gerar custos.

Ele disse que os produtores precisam identificar o problema antes de tratar. “A mastite subclínica é difícil de identificar, porque não é visível. A importância de identificar o tipo é vital. Streptococcus agalactiae é fácil de resolver, mas Streptococcus aureus é mais difícil de curar. Streptocuccus uberis é ambiental e a fonte pode ser o esterco e a lama”.

“A defesa natural da vaca será capaz de lidar com alguns casos. A manutenção adequada das ordenhadeiras é muito importante e a desinfecção pós ordenha dos tetos precisa ser feita adequadamente, usando pelo menos 15 mililitros por teto de desinfetante. O dipping é normalmente mais eficaz do que a pulverização”.

O’Sullivan insistiu no uso de luvas na sala de ordenha, porque elas transmitem menos infecção do que as mãos do ordenhador.

Don Connolly tem um negócio de serviços em máquinas de ordenha em West Cork. Ele disse que o serviço de avaliação regular da sala de ordenha é tão importante como trocar o óleo do trator a cada 500 horas.
Nesse meio tempo, existem avaliações diárias, semanais e mensais no mecanismo de vácuo, no forro, entre outras coisas, que devem ser feitas.

O conselheiro da Teagasc, Don Crowley, disse que os produtores subestimam totalmente a quantidade de leite que estão a perder com elevadas CCS. “Um produtor com 80 vacas poderia estar a perder até €560  por semana em produção de leite se tiver um elevado nível de CCS no seu efectivo. Independentemente do preço do leite, há muito dinheiro  perdido quando a mastite está a afetar a produção de leite”.

Ele enfatizou a importância do controlo leiteiro, que disse que poderia fornecer uma quantidade enorme de informações a um custo de €12 por vaca por ano. “Existem apenas um terço dos produtores neste país com controlo leiteiro. Esse número é de até 90% em alguns países da União Europeia”.

Após uma apresentação e discussões de 90 minutos na sala de aula, houve uma sessão prática de 75 minutos na sala de ordenha. A maioria dos produtores que participaram no programa disse que aprenderam com o evento. Em 2013, cerca de 90 Workshops CellCheck foram realizados e a meta em 2014 é aumentar esse número para 200 workshops.

A reportagem é do http://www.independent.ie, traduzida pela Equipa MilkPoint Brasil.
 

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